Projeto habitacional do Amazonas avança com seleção de famílias, produção de blocos feitos de plástico reciclado e estrutura para construção de moradias populares, enquanto governo amplia a cadeia de reciclagem e inclui catadores no fornecimento da matéria-prima utilizada nas unidades.
O Governo do Amazonas ampliou recentemente a implantação do Amazonas Ecolar neste ano de 2026 e agora o projeto habitacional que utiliza plástico reciclado na construção de moradias populares e prevê a entrega gratuita das primeiras 16 unidades no bairro de Petrópolis, na zona sul de Manaus, para famílias residentes em áreas de risco.
Assim como publicou anteriormente o portal CPG, cada moradia terá 50 metros quadrados, distribuídos entre dois quartos, sala, cozinha e banheiro, conforme informações divulgadas pelos órgãos responsáveis pelo projeto habitacional.
Segundo informações divulgadas pela Defesa Civil do Amazonas e pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano, as casas serão montadas com blocos ecológicos produzidos a partir de resíduos plásticos reaproveitados, utilizados como base do sistema construtivo adotado no programa.
-
O Mali quer abrir caminho para o oceano cavando 900 km de hidrovia pelo Rio Senegal: projeto de US$ 800 milhões promete reduzir custos logísticos em até 60%, criar uma rota direta ao Atlântico e transformar a exportação de ouro de um dos países mais isolados da África sem depender de estradas ou ferrovias
-
Quanto custa o metro do reboco? Profissional cita média entre R$ 25 e R$ 30
-
Um estudo na China revelou que as juntas de borracha que vedam os túneis submersos sob o mar se degradam muito mais rápido do que se imaginava quando a salinidade e a compressão constante agem juntas, perdendo até 67% da força de vedação ao longo da vida útil, embora as obras existentes não corram risco imediato
-
O Corredor de Lobito, uma ferrovia que rasga a África para levar o cobre do interior até o Atlântico, começa a sair do papel
Casas populares de plástico reciclado avançam em Manaus
Na primeira etapa do Amazonas Ecolar, as unidades serão instaladas em uma área de 3,2 mil metros quadrados localizada na rua Delfim de Souza, no bairro de Petrópolis, na zona sul da capital amazonense.
Além da construção das casas, o residencial deverá receber obras de terraplenagem, drenagem, vias urbanas, calçadas, rede de água, esgotamento sanitário, iluminação pública, paisagismo, playground e academia ao ar livre.
Com essa estrutura complementar, o projeto também prevê a implantação de um conjunto habitacional com infraestrutura urbana voltada ao reassentamento das famílias contempladas nesta primeira fase.
Segundo o governo estadual, a proposta é reassentar famílias removidas de locais considerados vulneráveis, especialmente áreas sujeitas a desastres e riscos ambientais.

Para a montagem das paredes, o sistema construtivo utiliza blocos de encaixe e dispensa o uso de argamassa, cimento e cola, segundo informações apresentadas pelo governo estadual.
Segundo o governo estadual, a tecnologia utilizada reduz desperdícios durante a obra e permite concluir a montagem de cada unidade em até cinco dias.
Ainda conforme a apresentação oficial do projeto, as moradias foram desenvolvidas com características adaptadas às condições climáticas predominantes na região amazônica.
O modelo prevê estruturas resistentes à umidade, propriedades antimofo e isolamento térmico e acústico, além de biodigestor próprio para tratamento de efluentes.
Seleção de famílias entra em fase de análise
Em fevereiro de 2026, o governo estadual abriu o pré-cadastro da primeira etapa por meio da plataforma Amazonas Meu Lar, utilizada para o processo de inscrição das famílias interessadas.
Depois do encerramento das inscrições, o processo entrou na fase de análise e triagem, etapa destinada à definição das famílias que poderão receber as primeiras unidades habitacionais.
Entre os critérios de prioridade informados pelo governo estão famílias desalojadas ou desabrigadas, moradores de áreas classificadas como de risco muito alto, pessoas expostas a situações de risco há pelo menos três anos, famílias com renda mensal de até dois salários mínimos e mulheres em situação de violência doméstica.
Também poderão receber prioridade núcleos familiares com idosos, crianças, adolescentes, pessoas com deficiência, pessoas com mobilidade reduzida, TEA, câncer e doenças raras, crônicas ou degenerativas.
A seleção ainda considera famílias chefiadas por mulheres ou em situação monoparental.
A entrega das casas será gratuita, conforme a divulgação oficial do governo.
Para receber o benefício, as famílias também precisam atender a regras como não possuir imóvel próprio, não ter financiamento imobiliário ativo e não ter recebido benefício habitacional nos últimos dez anos.
Centro de reciclagem transforma plástico em blocos ecológicos
Como base produtiva do Amazonas Ecolar, o governo estruturou um centro de reciclagem voltado à transformação de resíduos plásticos em blocos utilizados nas moradias populares.
A unidade foi apresentada com capacidade inicial para processar mais de 80 toneladas de plástico por mês.

De acordo com estimativas apresentadas pelo governo estadual, esse volume pode sustentar a construção de até dez casas por mês dentro da capacidade inicial do projeto.
Na operação prevista para a unidade, cerca de 40 a 50 trabalhadores devem atuar entre equipes operacionais e administrativas, enquanto a estrutura utilizará energia solar para parte do funcionamento.
Segundo o governo estadual, a iniciativa reúne ações ligadas à política habitacional, reciclagem e economia circular.
Nesse modelo, o plástico descartado passa por etapas de triagem, tratamento e transformação até ser utilizado na produção dos blocos estruturais destinados às moradias.
Além da produção dos blocos, o projeto prevê uma cadeia de fornecimento com participação de catadores, cooperativas e associações ligadas à coleta seletiva em diferentes regiões do estado.
O governo afirma que pretende ampliar a participação dessas organizações na entrega da matéria-prima usada no projeto.
Projeto prevê geração de renda para catadores
Entre os objetivos apresentados pelo governo estadual aparece a geração de renda para trabalhadores ligados à reciclagem e às atividades de coleta seletiva.
Segundo a proposta divulgada pelo estado, haverá incentivo ao fortalecimento de associações de catadores e à descentralização de etapas como triagem e trituração para municípios do interior do Amazonas.
De acordo com o governo estadual, a proposta busca integrar ações de habitação popular à gestão de resíduos sólidos.
Segundo a proposta apresentada pelo estado, o material recolhido por catadores e organizações locais poderá abastecer a produção das moradias por meio do reaproveitamento de plástico pós-consumo.
Em janeiro de 2026, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente informou que iniciou tratativas com a Defesa Civil para ampliar as ações relacionadas ao Amazonas Ecolar.
A pasta apresentou o projeto como uma iniciativa que une redução do déficit habitacional, proteção ambiental e reaproveitamento de resíduos.
Na mesma divulgação oficial, o secretário estadual de Meio Ambiente, Eduardo Taveira, afirmou que o programa foi estruturado para atuar em áreas relacionadas à poluição, ao desmatamento e à vulnerabilidade social.
Já a Defesa Civil destacou o papel da iniciativa na retirada de famílias de áreas vulneráveis.
Novo edital amplia exigências para fornecimento de plástico

Ao longo de 2026, a estrutura de abastecimento do projeto também passou por ajustes ligados ao fornecimento de matéria-prima utilizada na produção dos blocos.
A Defesa Civil publicou edital para credenciar empresas especializadas no fornecimento de plásticos pós-consumo destinados à Central de Reciclagem do Amazonas Ecolar.
O edital prevê valor total de R$ 3,012 milhões e vigência até 31 de dezembro de 2026.
O documento estabelece exigências de qualidade, documentação técnica, padronização e quantitativos para garantir suprimento regular à produção dos blocos.
Mesmo com o credenciamento aberto, a contratação das empresas fornecedoras não ocorre de forma automática, conforme previsto no edital divulgado pelo governo.
O próprio edital informa que o credenciamento não obriga a administração pública a contratar, mas organiza as condições para eventual fornecimento contínuo do material necessário ao centro de reciclagem.
Com a seleção de famílias em análise, a área piloto definida, a cadeia de reciclagem em estruturação e o fornecimento de plástico em processo de credenciamento, o Amazonas Ecolar entrou em uma fase mais operacional.
Com o avanço das etapas de seleção, implantação e credenciamento, o projeto passou a concentrar ações voltadas à execução operacional das unidades habitacionais.

Seja o primeiro a reagir!