Escavação em Søften, perto de Aarhus, revela um complexo artesanal com produção de tecidos em grande escala, divisão de trabalho e conexão com antigas rotas comerciais
Uma fábrica têxtil viking com cerca de mil anos foi descoberta em Søften, na Dinamarca, perto de Aarhus, e está ajudando arqueólogos a rever a imagem tradicional dos vikings como apenas guerreiros.
No local, foram identificadas 82 casas de fossas, estruturas semi-enterradas que, segundo os pesquisadores, provavelmente funcionavam como oficinas têxteis especializadas.
O sítio arqueológico ocupa cerca de 100 mil metros quadrados e data de um período entre os séculos VII e X, em plena formação da chamada Era Viking.
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Complexo artesanal indica produção organizada
De acordo com o Museu Moesgaard, responsável pelas pesquisas, a área descoberta em Søften apresenta dimensões incomuns para um assentamento artesanal.
Além disso, a quantidade de oficinas parecidas sugere que havia vários postos de trabalho funcionando ao mesmo tempo.
Por isso, os arqueólogos acreditam que o local pode ter contado com divisão de tarefas e algum tipo de coordenação na produção.
A descoberta reforça que os vikings não viviam apenas de expedições, guerras e saques. Pelo contrário, também mantinham atividades econômicas estruturadas.
Achados mostram cadeia completa de produção têxtil
Durante as escavações, foram encontrados pesos de tear, fusaiolas e contas de vidro.
Esses materiais indicam que a comunidade produzia tecidos em quantidade muito superior às necessidades locais.
Além disso, os vestígios apontam para uma cadeia produtiva completa, desde o tratamento das fibras até a elaboração do tecido final.
Assim, Søften pode ter funcionado como um centro de fabricação têxtil voltado também para circulação comercial.
Moedas antigas revelam comércio de longa distância
Outro ponto que chamou atenção foi a presença de moedas árabes vindas do Oriente Médio.
Também foram encontrados exemplares cunhados em regiões que hoje correspondem à França e à Alemanha.
Com isso, os artefatos indicam que os habitantes de Søften estavam conectados a redes comerciais amplas.
Essas rotas, segundo os pesquisadores, podiam alcançar regiões distantes da Ásia.
A localização ajudava nesse processo. Afinal, Søften ficava próxima de Aros, antigo centro comercial ligado à atual Aarhus.
Dessa forma, os bens produzidos no complexo podiam ser transportados e negociados com mais eficiência.
Descoberta amplia entendimento sobre os vikings
Para o historiador Kasper H. Andersen, do Museu Moesgaard, o achado mostra que a Era Viking foi mais complexa do que a ideia de um período apenas bárbaro e atrasado.
Segundo os pesquisadores, o conjunto de oficinas e artefatos comprova uma economia viking desenvolvida, com produção especializada e comércio organizado.
Portanto, a descoberta em Søften ajuda a mostrar uma sociedade com artesanato, planejamento produtivo e contato internacional.
Artefatos ainda passam por análise
Apesar da importância do achado, os estudos ainda não foram concluídos.
A análise dos materiais encontrados pode levar meses ou até anos, conforme informaram os pesquisadores.
Ainda não há uma data definida para a exposição pública dos artefatos.
No entanto, eles podem ser apresentados futuramente no Museu Moesgaard ou em outros espaços ligados à arqueologia dinamarquesa.
E você, imaginava que os vikings também tinham uma produção têxtil tão organizada e conectada ao comércio internacional?
