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Gerar energia em 2026 ficará mais caro com aumento da taxa do fio B

Escrito por Paulo H. S. Nogueira
Publicado em 06/01/2026 às 09:21
Gerar energia em 2026 ficará mais caro com aumento da taxa do fio B
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A energia solar no Brasil passará por uma mudança relevante a partir de janeiro de 2026, quando entra em vigor uma nova etapa de cobrança prevista no marco legal do setor. Com o avanço do cronograma da Lei nº 14.300/2022, conhecida como Marco Legal da Geração Distribuída, consumidores que instalaram sistemas fotovoltaicos homologados após 7 de janeiro de 2023 sentirão um aumento direto no custo da própria geração de energia, em razão da ampliação da cobrança do chamado fio B.

Apesar de a energia solar continuar sendo uma alternativa economicamente vantajosa no longo prazo, o novo modelo reduz parte dos créditos compensados na conta de luz. Assim, o debate sobre custos, retorno do investimento e regras regulatórias ganha ainda mais importância.

O que é o fio B e por que ele impacta a energia solar

O fio B representa a parcela da tarifa de energia destinada a remunerar a rede de distribuição. Em outras palavras, trata-se do custo pelo uso da infraestrutura das distribuidoras, como postes, cabos, transformadores e sistemas de manutenção.

Até recentemente, consumidores de energia solar conectados à rede compensavam praticamente toda a energia injetada, sem arcar integralmente com esse custo. No entanto, o marco legal estabeleceu uma transição gradual, justamente para equilibrar o sistema elétrico.

Segundo o texto da Lei nº 14.300/2022, a cobrança do fio B aumenta de forma escalonada ao longo dos anos. Em 2026, essa cobrança atinge um novo patamar, reduzindo o volume de créditos abatidos na fatura.

Quem será afetado a partir de 2026

A nova regra não atinge todos os consumidores da mesma forma. Segundo o governo e a regulamentação do setor elétrico, quem instalou sistemas fotovoltaicos até 6 de janeiro de 2023 mantém regras mais vantajosas, com maior previsibilidade de compensação.

Por outro lado, consumidores que homologaram seus sistemas após 7 de janeiro de 2023 passam a integrar o regime de transição. Esse grupo sentirá, a partir de 2026, o impacto mais evidente da cobrança do fio B.

Assim, o custo da energia gerada aumenta, ainda que a eletricidade produzida continue sendo limpa e renovável.

Por que o custo da geração solar está a mudar

O crescimento acelerado da energia solar distribuída trouxe benefícios ambientais e económicos. No entanto, também gerou desafios para o sistema elétrico.

Segundo o governo federal, a expansão da geração distribuída exige manutenção constante da rede, que continua a ser utilizada pelos consumidores solares. Por isso, a cobrança do fio B busca repartir esses custos de forma mais equilibrada.

Dessa forma, a energia solar deixa de ser totalmente isenta do pagamento pela infraestrutura. O objetivo declarado é garantir sustentabilidade económica ao sistema elétrico como um todo.

O impacto direto na conta de luz

Na prática, o consumidor de energia solar passará a perceber menos créditos compensados na fatura. Isso significa que parte da energia injetada na rede não será abatida integralmente.

Ainda assim, é importante destacar que a conta de luz tende a continuar mais baixa do que a de consumidores sem geração própria. O aumento não elimina os benefícios, mas reduz a economia mensal.

Segundo especialistas do setor elétrico, o retorno do investimento em energia solar pode alongar-se, mas continua a ser positivo, especialmente em regiões com alta incidência solar.

Energia solar e previsibilidade regulatória

O Marco Legal da Geração Distribuída foi criado justamente para oferecer previsibilidade. Antes da Lei nº 14.300/2022, o setor vivia sob risco constante de mudanças abruptas.

Com o novo modelo, o governo estabeleceu um cronograma claro. Assim, consumidores e empresas conseguem planejar investimentos com maior segurança.

Segundo comunicados oficiais do governo, a intenção não é desestimular a energia solar, mas integrá-la de forma equilibrada ao sistema elétrico nacional.

O contexto histórico da geração distribuída no Brasil

A geração distribuída começou a ganhar força no Brasil a partir da década de 2010, impulsionada pela queda no preço dos painéis solares e pelo aumento da tarifa de energia convencional.

Ao longo dos anos, milhões de consumidores aderiram ao modelo. Isso transformou o perfil do setor elétrico brasileiro, que passou a contar com milhares de pequenos produtores de energia.

Nesse contexto, a criação do marco legal surge como resposta à maturidade do setor. O aumento do fio B reflete essa nova fase, em que a energia solar deixa de ser exceção e passa a integrar o sistema de forma estrutural.

O que muda no planejamento do consumidor

Com a nova cobrança, consumidores precisam avaliar melhor o dimensionamento dos sistemas fotovoltaicos. O foco tende a deslocar-se para o autoconsumo, ou seja, utilizar a energia gerada no próprio momento da produção.

Além disso, soluções como baterias e sistemas de gestão energética ganham relevância. Essas tecnologias ajudam a reduzir a dependência da compensação na rede.

Assim, a energia solar evolui para um modelo mais eficiente e alinhado às novas regras.

Energia solar continua vantajosa?

Mesmo com o aumento do fio B, especialistas concordam que a energia solar continua competitiva. O custo da eletricidade convencional segue elevado, e a previsibilidade de geração própria ainda representa proteção contra reajustes futuros.

Além disso, os benefícios ambientais permanecem inalterados. A energia solar reduz emissões, diminui a pressão sobre o sistema elétrico e contribui para a diversificação da matriz energética.

Portanto, o aumento do custo não significa o fim da vantagem, mas sim uma adaptação a um setor mais maduro.

Fontes oficiais e contexto cronológico

Segundo a Lei nº 14.300/2022, sancionada em janeiro de 2022, o cronograma de cobrança do fio B avança progressivamente até 2029. De acordo com o governo federal e órgãos reguladores do setor elétrico, a etapa que entra em vigor em janeiro de 2026 amplia a participação dos consumidores solares nos custos da rede.

Conforme informações divulgadas por instituições do setor energético, a mudança afeta apenas sistemas homologados após 7 de janeiro de 2023. Os demais permanecem sob regras anteriores por um período mais longo.

Dessa forma, gerar energia solar em 2026 ficará mais caro, mas continuará a ser uma escolha estratégica. A mudança marca uma nova fase da energia solar no Brasil, baseada em equilíbrio regulatório, maturidade do mercado e integração definitiva à matriz elétrica nacional.

Paulo H. S. Nogueira

Sou Paulo Nogueira, formado em Eletrotécnica pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), com experiência prática no setor offshore, atuando em plataformas de petróleo, FPSOs e embarcações de apoio. Hoje, dedico-me exclusivamente à divulgação de notícias, análises e tendências do setor energético brasileiro, levando informações confiáveis e atualizadas sobre petróleo, gás, energias renováveis e transição energética.

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