Empilhadeiras da Carmak sustentam faturamento de R$ 304 milhões com locação, manutenção e frota nacional. Distribuidora Toyota no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, a empresa aposta em contratos de 36 a 60 meses e máquinas autônomas para avançar no mercado nacional competitivo brasileiro.
As empilhadeiras viraram o centro de um negócio de R$ 304 milhões comandado pelo gaúcho Yuri Santos na Carmak, distribuidora Toyota que cresce com locação, manutenção e máquinas autônomas no radar. A história foi publicada pela Exame em 7 de junho de 2026.
Segundo informações publicadas pela Exame, a Carmak atua com locação, venda e manutenção de equipamentos, é distribuidora da Toyota Empilhadeiras no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina e opera uma frota de cerca de 3.800 máquinas. O avanço ocorre enquanto parte da indústria brasileira troca a compra de equipamentos por contratos de aluguel.
Carmak cresceu junto com a demanda por locação industrial

A trajetória da Carmak começou há 34 anos, fundada pelo pai de Yuri Santos. A origem do negócio estava na revenda de veículos, mas a empresa percebeu uma oportunidade quando parceiros passaram a comprar empilhadeiras para alugá-las.
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Naquele momento, segundo a reportagem, havia poucos locadores especializados no país. O mercado era mais dominado por distribuidores que compravam e revendiam equipamentos, enquanto a locação ainda era uma aposta menos consolidada.
A Carmak cresceu em um setor que exige capital, disciplina e visão de longo prazo. Como as máquinas precisam ser compradas antes de gerar receita por anos, a empresa não pode expandir sem controle de caixa.
Hoje, a companhia reúne 450 funcionários e oito unidades de negócio. Mais de 3.500 máquinas da frota estão dentro de clientes em contratos de locação, mostrando como o aluguel virou o eixo principal da operação.
Empilhadeiras deixaram de ser apenas venda e viraram contrato

O faturamento de R$ 304 milhões no último ano revela o peso da mudança no modelo de negócio. A locação responde por cerca de 70% da receita anual da Carmak, enquanto a venda representa 20% e o pós-venda fica com o restante.
Essa divisão mostra que as empilhadeiras passaram a gerar receita recorrente, não apenas resultado pontual na venda. Em vez de comprar uma máquina e assumir manutenção, revenda e gestão, muitas empresas preferem pagar pelo uso.
A lógica atrai companhias que buscam previsibilidade financeira, benefício fiscal e foco na própria operação. Para clientes industriais, terceirizar a gestão da frota pode ser mais simples do que comprar, manter e depois tentar revender equipamentos usados.
O modelo também permite que a Carmak acompanhe o ciclo de vida das máquinas. Uma mesma empilhadeira pode ser alugada, passar por retrofit e voltar ao mercado, estendendo o aproveitamento do ativo por cerca de dez anos.
Contratos de 36 a 60 meses mudam a conta da indústria
Os contratos de locação da Carmak seguem ciclos de 36 e 60 meses. Para empresas que usam equipamentos todos os dias, esse formato transforma uma despesa pesada de compra em uma estrutura mais previsível ao longo do tempo.
A empresa compra cerca de 500 a 560 equipamentos por ano, divididos entre venda e locação. Isso mostra a escala necessária para sustentar o negócio, já que cada máquina exige investimento antes de começar a gerar receita.
O desafio está em equilibrar crescimento e caixa. A compra de equipamentos é intensiva em capital, e qualquer expansão acelerada demais pode pressionar a saúde financeira da locadora.
A comparação feita por Yuri Santos associa a empilhadeira Toyota a um veículo durável, como uma Hilux. A ideia é que o equipamento resista a ciclos longos de uso, desde que receba manutenção e recondicionamento adequados.
Frigoríficos, bebidas e supermercados puxam a demanda
Os clientes da Carmak vêm principalmente da indústria de transformação, com destaque para bebidas, frigoríficos, atacadistas e supermercados. São operações que dependem de movimentação interna de materiais e não podem parar por falta de equipamento.
Em ambientes como frigoríficos, a locação pode fazer ainda mais sentido. Uma máquina adaptada ao frio, por exemplo, pode perder valor de revenda para quem compra, enquanto o aluguel transfere parte dessa gestão para a locadora.
O cliente paga para manter a operação funcionando, não apenas para ter uma máquina no pátio. Por isso, disponibilidade, manutenção e atendimento rápido viram elementos centrais do contrato.
Segundo Yuri, a Carmak trabalha com compromisso de disponibilidade próximo de 98% em operações que podem rodar até 20 ou 22 horas por dia. Esse padrão exige equipe técnica, peças disponíveis e resposta rápida quando uma máquina apresenta problema.
Presença dentro do cliente virou parte do serviço
Em operações maiores, a Carmak não entrega apenas empilhadeiras. Em um cliente com mais de 100 máquinas, por exemplo, a empresa mantém dez pessoas no local somente para cuidar da manutenção da frota.
Esse modelo aproxima a locadora da rotina industrial do cliente. A máquina deixa de ser um item isolado e passa a fazer parte de um serviço completo, com acompanhamento, manutenção e garantia de operação.
Essa presença é importante porque máquina parada custa caro. Em centros de distribuição, frigoríficos e fábricas, a falha de uma empilhadeira pode atrasar carga, descarga, estoque e produção.
Por isso, a decisão de compra ou locação costuma envolver a área de logística das empresas. Coordenadores e gerentes logísticos avaliam marca, produto, disponibilidade e suporte antes de a negociação seguir para suprimentos.
Expansão além do Sul depende de logística e peças
A Carmak nasceu no Rio Grande do Sul, mas sua operação se espalhou pela demanda. As lojas-showroom ficam em São Leopoldo, Itajaí e Sumaré, enquanto filiais menores atendem outros pontos.
A atuação está concentrada no Sul e no Sudeste, incluindo Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Segundo a reportagem, São Paulo já representa 30% do resultado do negócio.
Crescer pelo Brasil, porém, não depende apenas de vender ou alugar mais máquinas. A locação tem limite geográfico, porque o custo para enviar mecânico e peça influencia diretamente o preço final.
Onde a distância é menor, a Carmak consegue atender máquinas de tamanhos variados. Em áreas mais distantes, a conta depende do tamanho do contrato e da capacidade de manter SLA, prazo de atendimento e reposição de peças.
Mão de obra virou gargalo para crescer

Além da logística, a mão de obra aparece como um dos principais desafios da Carmak. Segundo Yuri, falta gente qualificada para a operação, o que levou a empresa a firmar parceria com uma escola técnica para formar profissionais.
A dificuldade faz sentido em um setor que depende de manutenção, atendimento técnico e conhecimento específico sobre equipamentos industriais. Não basta ter as empilhadeiras; é preciso ter pessoas capazes de mantê-las rodando.
Esse gargalo pode pesar ainda mais quando a empresa tenta crescer fora da região de origem. Expandir unidades e contratos exige profissionais treinados, peças disponíveis e processos padronizados.
A Selic elevada também pesou sobre o custo do capital e desacelerou novos negócios nos últimos anos. Mesmo assim, a empresa manteve avanço no faturamento, segundo Yuri, ainda que abaixo do ritmo histórico de crescimento anual entre 10% e 15%.
Máquinas autônomas entram no radar da próxima fase
Para os próximos anos, a Carmak pretende diversificar o portfólio além da empilhadeira tradicional. Yuri cita oportunidades em plataformas e máquinas autônomas, em um setor pressionado pela escassez de operadores.
A leitura é que parte da indústria buscará equipamentos capazes de rodar sem operador humano. Se a falta de mão de obra continuar, a automação pode deixar de ser tendência distante e virar necessidade operacional.
Nesse cenário, as empilhadeiras autônomas podem ganhar espaço em operações padronizadas, centros de distribuição e fábricas com alto fluxo de movimentação. A mudança, porém, exige investimento, adaptação de processos e confiança na tecnologia.
A aposta reforça a transformação da Carmak em uma locadora intralogística, não apenas uma distribuidora de máquinas. O negócio passa a envolver equipamento, serviço, software, manutenção e eficiência operacional.
Mercado de locação ainda tem espaço para avançar
O mercado de locação de máquinas e equipamentos movimenta cerca de R$ 70 bilhões por ano no Brasil, segundo a Associação Nacional dos Locadores de Equipamentos, Máquinas e Ferramentas citada pela Exame.
O setor reúne mais de 50 mil empresas e cerca de 350 mil empregos diretos. Esses números mostram que o aluguel de equipamentos deixou de ser solução pontual e virou parte relevante da economia produtiva.
Para Yuri, muitas empresas ainda não migraram para a locação. O potencial estaria principalmente em regiões em processo de industrialização, onde novas operações precisam crescer sem imobilizar capital em todos os ativos.
A Carmak aposta em setores considerados mais resistentes a crises, como frigorífico, agro e bebidas. A lógica é que essas atividades seguem rodando mesmo em cenários econômicos difíceis, mantendo demanda por movimentação interna.
Aluguel de empilhadeiras mostra nova lógica da indústria
A história da Carmak mostra como um equipamento essencial, mas pouco visível para o consumidor comum, pode sustentar um negócio nacional de centenas de milhões de reais. As empilhadeiras ficam nos bastidores, mas movem fábricas, estoques, supermercados e centros logísticos.
A troca da compra pela locação revela uma mudança maior: empresas querem reduzir imobilização de capital, transferir manutenção e ganhar previsibilidade. No lugar da máquina como patrimônio, cresce a máquina como serviço.
Para a Carmak, o desafio agora é transformar liderança regional em presença nacional, sem perder capacidade de atendimento. Isso exige capital, peças, técnicos, contratos rentáveis e tecnologia para acompanhar a indústria.
E você, acha que empresas devem comprar suas próprias máquinas ou faz mais sentido alugar equipamentos como empilhadeiras e deixar manutenção com especialistas? Deixe sua opinião nos comentários e conte qual modelo parece mais eficiente para a indústria.


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