Alta da gasolina reacende cálculo nos postos e exige atenção ao consumo real dos veículos, enquanto regra dos 70% segue como principal referência para decidir entre etanol e gasolina, com variações conforme eficiência do carro e diferenças regionais de preços.
A alta dos combustíveis recolocou no centro da decisão do motorista uma conta antiga, mas ainda decisiva.
Em carros flex, o etanol só tende a compensar quando custa até 70% do valor da gasolina, embora veículos mais modernos possam ampliar essa margem para algo próximo de 75%, a depender da eficiência do conjunto mecânico.
Na Bahia, onde a gasolina se aproxima de R$ 8 em alguns pontos e Salvador registrou média de R$ 6,99 na semana de 15 a 21 de março de 2026, a escolha passou a exigir comparação mais frequente entre preço de bomba e consumo real do veículo.
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Regra dos 70% ainda define a escolha
Na prática, a chamada regra dos 70% segue como referência mais segura para a maioria dos motoristas, porque o etanol hidratado entrega menos energia por litro.
Por isso, costuma render menos quilômetros que a gasolina nos modelos flex vendidos no país.
O cálculo é direto.
Basta dividir o preço do etanol pelo da gasolina. Se o resultado ficar abaixo de 0,70, a tendência é de vantagem financeira para o biocombustível.
Isso significa que, com a gasolina a R$ 7,50, o etanol passa a ser competitivo em torno de R$ 5,25 ou menos.
Já num cenário em que a gasolina encosta em R$ 8, o teto sobe para R$ 5,60. A lógica é a mesma em qualquer cidade.
Mas o resultado final muda conforme o preço cobrado em cada posto. Sobretudo, conforme a diferença de consumo observada no carro de cada motorista.
Preços na Bahia reduzem competitividade do etanol
Ao avaliar o quadro baiano, o economista Edval Landulfo afirma que o etanol ainda não aparece como escolha financeiramente vantajosa na maior parte dos casos.
Isso ocorre porque os preços praticados em muitos postos permanecem acima da faixa considerada competitiva.
Em declaração publicada pelo Correio, ele afirma que, na maioria dos postos de Salvador e da Região Metropolitana, o biocombustível “ainda não vale a pena financeiramente”.
Ele também ressalta que a conta deve ser feita sempre com base no valor efetivo encontrado na bomba.
Os números mais recentes ajudam a explicar essa cautela. Na semana de 15 a 21 de março de 2026, a ANP registrou média nacional de R$ 6,32 para a gasolina comum.
No mesmo período, o etanol hidratado ficou em R$ 4,70.
Na Bahia, levantamentos apontaram gasolina próxima de R$ 7,99 e etanol em torno de R$ 5,89 em parte do estado.
Nessa relação, o etanol ultrapassa com folga o limite de 70%. Com isso, perde apelo econômico para grande parte da frota flex.
Consumo do veículo influencia mais que o preço
Embora a conta do posto ajude a decidir em poucos segundos, ela não elimina um fator central.
O desempenho específico do automóvel. O consultor financeiro Raphael Carneiro reforça que o motorista precisa considerar o consumo maior do etanol.
Ele também destaca sua evaporação mais elevada. Por isso, a referência dos 70% continua sendo, para ele, a mais prudente antes de trocar um combustível pelo outro.
Essa diferença de rendimento sustenta a cautela dos especialistas.
Em termos gerais, o etanol costuma exigir mais litros para percorrer a mesma distância.
Parte do mercado trabalha com a noção de perda próxima de 30% em comparação com a gasolina.
Ainda assim, essa distância varia conforme modelo, motor, peso do carro e tipo de uso. Por isso, a conta mais precisa continua sendo o custo por quilômetro rodado. Não apenas a comparação direta entre preços na bomba.
Quando o etanol pode valer até 75% da gasolina
A exceção aparece nos carros flex mais recentes. Especialmente em motores mais eficientes com etanol.
Nesses casos, a paridade pode subir para perto de 75%. Sem que o biocombustível deixe de ser competitivo.
Isso ocorre porque alguns conjuntos mecânicos aproveitam melhor a combustão do etanol.
Ainda assim, essa não é uma regra universal. Exige teste prático do próprio veículo. O cenário também ganhou uma camada nova desde a adoção da gasolina E30.
Com 30% de etanol anidro na mistura obrigatória. Essa mudança reduziu levemente a energia disponível por litro da gasolina. E reacendeu o debate sobre a rigidez da regra dos 70%.
Mesmo assim, o parâmetro segue útil como referência rápida para o consumidor.
Variação de preços exige atenção constante
Outro ponto que pesa na rotina do motorista é a velocidade com que os preços variam.
Na Bahia, a pressão recente ocorreu ao mesmo tempo em que o governo estadual adiou para 1º de junho de 2026 a mudança no ICMS do etanol.
A medida foi apresentada como forma de evitar pressão adicional sobre o preço.
Mesmo com esse adiamento, a diferença observada entre etanol e gasolina em muitos postos ainda não devolveu competitividade ampla ao biocombustível.
Por isso, a recomendação prática permanece baseada em cálculo. Antes de abastecer, vale comparar os preços do posto.
Aplicar a divisão entre etanol e gasolina. Sempre que possível, confrontar com o consumo médio do próprio carro.
Em um mercado sujeito a oscilações semanais, a vantagem pode desaparecer de um tanque para outro sem aviso.

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