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China libera três frigoríficos brasileiros que estavam suspensos desde março de 2025 para retomar embarques de carne bovina, entre eles está a unidade da JBS em Mozarlândia, maior processadora de carne do mundo, que voltou a exportar após mais de um ano

Publicado em 20/05/2026 às 14:29
Atualizado em 20/05/2026 às 14:33
China libera três frigoríficos brasileiros para exportação de carne bovina. Unidade da JBS em Mozarlândia volta a embarcar após mais de um ano.
China libera três frigoríficos brasileiros para exportação de carne bovina. Unidade da JBS em Mozarlândia volta a embarcar após mais de um ano.
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A China autorizou três frigoríficos brasileiros a retomar as exportações de carne bovina após suspensão iniciada em março de 2025. Entre os liberados está a unidade da JBS em Mozarlândia, em Goiás, a maior processadora de carne do mundo. Segundo o G1, a decisão coincide com a visita do ministro da Agricultura a Pequim, onde o Brasil pediu a habilitação de 33 novos frigoríficos para exportação ao mercado chinês.

A China reabilitou nesta quarta-feira (20) três frigoríficos brasileiros que estavam impedidos de embarcar carne bovina desde março de 2025. A decisão foi confirmada pela Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes após reunião entre autoridades dos dois países em Pequim. As plantas liberadas são a JBS de Mozarlândia, em Goiás, a maior processadora de carne do mundo, a Frisa Frigorífico Rio Doce, de Nanuque, em Minas Gerais, e a Bon-Mart Frigorífico, de Presidente Prudente, em São Paulo. A reabilitação foi registrada na plataforma de registro de empresas importadoras de alimentos da China, a CIFER, com data de retomada em 19 de maio.

A liberação acontece em um momento crítico para a relação comercial entre os dois países. A China impôs para 2026 uma cota de 1,106 milhão de toneladas de carne bovina brasileira isenta da tarifa adicional de 55% e o volume já está perto de ser atingido após exportações recordes nos primeiros meses do ano. O presidente da Abiec, Roberto Perosa, alertou que a produção destinada à China pode parar por volta de junho, quando a cota for preenchida. A reabilitação dos três frigoríficos é lida pelo setor como um sinal positivo, mas o cenário de curto prazo permanece tenso.

Por que os frigoríficos foram suspensos pela China

imagem: ilustrativa
imagem: ilustrativa

A suspensão das três plantas aconteceu em março de 2025 por determinação da Administração-Geral de Aduanas da China, conhecida pela sigla GACC. O órgão alegou “não conformidade” em relação aos requisitos chineses para registro de estabelecimentos estrangeiros, mas não detalhou publicamente quais critérios específicos teriam sido descumpridos.

A ausência de transparência sobre os motivos da suspensão gerou desconforto no setor exportador brasileiro. A China já utilizou mecanismos semelhantes em outros momentos, como em 2021, quando suspendeu importações de carne bovina brasileira após dois casos atípicos de encefalopatia espongiforme bovina. A prática de suspender e depois reabilitar plantas é recorrente na relação entre os dois países e funciona tanto como instrumento sanitário quanto como ferramenta de pressão comercial. A reabilitação da JBS em Mozarlândia, a planta mais relevante entre as três por volume de processamento, reforça essa leitura.

A dimensão do mercado chinês para a carne brasileira

Os números ajudam a entender por que a reabilitação importa tanto. A China é o principal destino da carne bovina brasileira e respondeu por 48,5% de toda a receita do setor nos primeiros quatro meses de 2026. Entre janeiro e abril, o Brasil exportou 474.220 toneladas de carne bovina ao mercado chinês, alta de 20,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, com receita de 2,693 bilhões de dólares crescimento de 42,9%.

Em 2025, o ano recorde, o Brasil exportou 3,09 milhões de toneladas de carne bovina no total, com faturamento de 16,61 bilhões de dólares. A China levou 1,7 milhão dessas toneladas. Perosa foi direto ao dizer que não há mercado no mundo capaz de substituir a demanda chinesa. Atualmente, 66 frigoríficos brasileiros estão habilitados a exportar carne bovina para a China, e o Ministério da Agricultura acaba de solicitar a habilitação de mais 33.

Os 33 novos frigoríficos na fila de habilitação

Além da reabilitação dos três frigoríficos suspensos, o Brasil aproveitou as negociações em Pequim para ampliar o acesso ao mercado chinês. O secretário de comércio e relações internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua, solicitou ao governo da China a habilitação de 33 novos frigoríficos para exportação: 20 de carne bovina, 11 de aves e dois de suínos.

O pedido é estratégico. Com a cota de 1,106 milhão de toneladas se esgotando rapidamente, ampliar o número de plantas habilitadas é uma forma de preparar o terreno para quando a China eventualmente revisar os limites. O ministro da Agricultura, André de Paula, nomeado no fim de março, está pessoalmente em Pequim conduzindo as negociações. A Abiec classificou a reabilitação dos três frigoríficos como “uma importante conquista que reforça a confiança da China no sistema sanitário brasileiro e na qualidade da carne bovina produzida no país”.

A cota chinesa e o risco de parada em junho

O principal fator de tensão entre os dois países em 2026 não é a suspensão de plantas, mas a cota tarifária imposta pela China para proteger sua pecuária interna. A regra estabelece que até 1,106 milhão de toneladas de carne bovina brasileira podem entrar sem tarifa adicional; acima desse volume, incide alíquota de 55%, patamar que inviabiliza economicamente a exportação.

O problema é que os exportadores brasileiros correram para embarcar o máximo possível nos primeiros meses do ano, antes que a cota se esgotasse. Com 474 mil toneladas já enviadas até abril e volumes adicionais despachados no final de 2025 que entraram na contagem de 2026, a margem restante é estreita. Perosa estimou que a produção destinada à China pode ser interrompida por volta de junho, o que obrigaria frigoríficos como a JBS a redirecionar a carne para o mercado interno ou para outros destinos menos rentáveis. A queda projetada nas exportações totais do ano chega a 10%.

O que a liberação dos frigoríficos significa no quadro maior

A reabilitação dos três frigoríficos acontece no mesmo momento em que Putin visita Pequim para assinar 40 acordos bilaterais com Xi Jinping, e poucos dias depois de Trump ter saído da capital chinesa sem grandes conquistas. O Brasil compete com diversos países pelo acesso ao mercado de proteína animal da China, e grandes empresas como a JBS dependem desse canal para manter os volumes de processamento de suas plantas.

Para o setor, a mensagem é dupla: o sistema sanitário brasileiro segue sendo reconhecido pela China, mas a relação comercial entre os dois países está cada vez mais condicionada a instrumentos tarifários e cotas que limitam o crescimento das exportações. A liberação dos frigoríficos é positiva, mas não resolve o problema estrutural de uma cota que pode travar os embarques em questão de semanas.

Você acha que a China vai ampliar a cota para a carne brasileira, ou o país está deliberadamente freando as importações para proteger sua pecuária? O que mais preocupa: a cota de 55%, a suspensão de frigoríficos ou a dependência de um único mercado? Conta nos comentários.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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