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Fuga de indústrias brasileiras para o Paraguai já muda a logística do Sul, pressiona a BR-277, desloca cargas entre portos e acende alerta sobre competitividade no país

Publicado em 29/05/2026 às 20:23
Atualizado em 29/05/2026 às 20:26
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Imagem: Ilustração artística
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Com 223 indústrias brasileiras no regime de maquila em 2024, o Paraguai amplia exportações, desloca fluxos logísticos, pressiona a BR-277 e aumenta a concorrência entre portos do Sul por cargas internacionais

O avanço da maquila no Paraguai, com 223 indústrias brasileiras entre as 332 empresas enquadradas no regime em 2024, já muda a logística do Sul do Brasil. O crescimento das fábricas instaladas no país vizinho amplia o fluxo de cargas na fronteira, pressiona a BR-277 e aumenta a disputa entre portos como Paranaguá, Itajaí, Navegantes e Itapoá.

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Maquila no Paraguai atrai empresas brasileiras e muda o fluxo de cargas

O Paraguai se consolidou nos últimos anos como destino de empresas brasileiras interessadas em reduzir custos tributários, despesas operacionais e burocracia.

Esse movimento ocorre principalmente por meio do regime de maquila, modelo industrial criado para atrair companhias estrangeiras com incentivos fiscais e operacionais.

Na prática, o sistema permite importar insumos, componentes e matérias-primas com tributação reduzida ou suspensa. Depois, a industrialização é feita no Paraguai e os produtos acabados são exportados.

O modelo tem atraído empresas dos setores de autopeças, têxtil, eletroeletrônicos, alimentos e bens de consumo.

Segundo dados do Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai, 223 das 332 indústrias enquadradas no regime em 2024 têm origem brasileira, o equivalente a 69% do total.

O impacto também aparece nas exportações. O regime registrou recorde histórico em 2025, superando US$ 1,3 bilhão.

O Brasil absorveu 67% das vendas externas do programa, o que reforça a ligação direta entre a expansão industrial paraguaia e a logística brasileira.

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BR-277 vira eixo central e concentra gargalos no Paraná

O aumento das operações ligadas à maquila no Paraguai tem ampliado a demanda por rotas entre o país vizinho, a fronteira e os portos do Sul.

A BR-277 aparece como principal corredor desse fluxo, por ligar o Porto de Paranaguá à fronteira com o Paraguai.

A rodovia, no entanto, enfrenta problemas em um momento de maior circulação de veículos pesados. Dados da Pesquisa CNT de Rodovias 2025 mostram que 42,5% das estradas paranaenses estão em condição regular e 8,3% foram classificadas como ruins.

Segundo a CNT, as condições das rodovias elevam em 24% o custo operacional do frete no Paraná. O problema afeta diretamente a competitividade das operações que dependem de transporte rodoviário, prazos previsíveis e acesso eficiente aos portos.

Levantamento do SETCEPAR aponta que a BR-277 concentrou 28% dos acidentes e 25% das mortes registradas nas rodovias federais do Paraná em 2025.

Para Jean Carlos Rocha, CEO da ELO, empresa de logística sediada em Itajaí, a BR-277 é uma das principais artérias desse corredor, mas já opera com limitações relevantes.

Ele cita gargalos em trechos urbanos, restrições em períodos de alta demanda e desgaste estrutural causado pelo fluxo intenso de veículos pesados.

Portos do Sul entram na disputa por cargas paraguaias

A reorganização das rotas também amplia a concorrência entre os portos do Sul do país. Com mais cargas ligadas ao Paraguai, terminais com maior eficiência operacional e melhor conexão rodoviária tendem a ganhar importância.

Na avaliação de Rocha, Itajaí pode se beneficiar pela localização e pela agilidade. Navegantes e Itapoá também ganham relevância pela eficiência operacional e pela forte atuação no segmento de contêineres.

Paranaguá, por sua vez, mantém posição estratégica pela escala operacional e pela ligação com o agronegócio e o comércio exterior.

O corredor da BR-277 reforça esse papel, mas também expõe a dependência da infraestrutura rodoviária para manter o fluxo competitivo.

Para o executivo, porto competitivo hoje não depende apenas do cais. A eficiência passa por toda a cadeia logística, com previsibilidade, velocidade e capacidade de atender à nova dinâmica regional.

Esse cenário também reforça a importância dos corredores bioceânicos e da integração logística sul-americana em operações voltadas ao Pacífico e ao mercado asiático.

Transportadoras ampliam atuação internacional e aduaneira

O crescimento das maquilas paraguaias muda a estratégia de transportadoras brasileiras que atuam no Sul. Empresas do setor ampliam operações ligadas ao transporte internacional rodoviário, armazenagem e distribuição regional.

Operadores logísticos também observam aumento da procura por serviços aduaneiros e estruturas voltadas ao comércio exterior.

O avanço das operações cross-border leva empresas a reforçar presença próxima à fronteira e a revisar formas de transporte e distribuição.

Rocha afirma que a logística deixa de ser apenas nacional e passa a ser mais integrada regionalmente. Isso exige planejamento, inteligência operacional e maior coordenação entre os países do Mercosul.

Segundo ele, filas em praças de pedágio, acidentes e paralisações geram impactos imediatos em toda a cadeia. Em rotas mais pressionadas, qualquer interrupção pode afetar prazos, custos e previsibilidade.

Perda industrial acende alerta sobre competitividade

O avanço industrial do Paraguai também expõe dificuldades do ambiente de negócios brasileiro. Na avaliação de Rocha, as empresas consideram carga tributária, custo de energia, burocracia, legislação trabalhista e previsibilidade antes de investir.

Além da carga tributária, operadores do setor apontam custo energético menor e maior previsibilidade regulatória entre os fatores que ampliam a atratividade do Paraguai.

Para o CEO da ELO, a perda de operações industriais reduz movimentação logística, empregos e competitividade.

O deslocamento de fábricas também desloca fluxos estratégicos de transporte, armazenagem, distribuição e comércio exterior.

O executivo defende investimentos em infraestrutura rodoviária, acessos portuários e digitalização dos processos logísticos e aduaneiros. Segundo ele, logística cara reduz a competitividade de toda a economia.

Esta matéria foi elaborada com base em informações do Ministério da Indústria e Comércio do Paraguai, da Pesquisa CNT de Rodovias 2025, do SETCEPAR e em declarações de Jean Carlos Rocha, CEO da ELO, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.

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Sandro Oliveira
Sandro Oliveira
01/06/2026 20:54

Conveniência e oportunismo (…!)

Romário Pereira de Carvalho

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