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Fóssil de 250 milhões de anos revelou um embrião enrolado dentro de um ovo e provou que os ancestrais de todos os mamíferos — incluindo os humanos — se reproduziam como répteis

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 20/04/2026 às 06:15
Fóssil de embrião de 250 milhões de anos dentro de ovo encontrado na Bacia de Karoo, África do Sul
Embrião de Lystrosaurus preservado dentro de ovo de casca mole — primeira evidência direta de que ancestrais de mamíferos botavam ovos
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Fóssil encontrado na África do Sul em 2008 só pôde ser analisado agora graças a raios X mais intensos que o Sol — e revelou um embrião de 250 milhões de anos enrolado dentro de um ovo de casca mole, provando que nossos ancestrais mais antigos se reproduziam como répteis

Por mais de um século, paleontólogos debateram como os ancestrais dos mamíferos se reproduziam. Agora, um fóssil de 250 milhões de anos encontrado na região de Karoo, na África do Sul, entregou a resposta. Dentro da rocha, pesquisadores encontraram um embrião enrolado dentro de um ovo — a primeira evidência direta de que ancestrais de mamíferos botavam ovos.

O estudo foi publicado na revista científica PLOS One. E a descoberta muda o que se sabia sobre a história da reprodução dos mamíferos — incluindo a dos humanos.

O animal é um Lystrosaurus, um herbívoro que viveu durante o Triássico Inferior, logo após a maior extinção em massa da história da Terra.

Um embrião de 250 milhões de anos escondido dentro da rocha

O fóssil foi encontrado em 2008 pelo paleontólogo John Nyaphuli na Bacia de Karoo, uma das regiões mais ricas em fósseis do mundo.

Na época, os cientistas suspeitavam que havia algo dentro da rocha. Mas a tecnologia disponível não era suficiente para confirmar.

Só em 2026, com o uso de tomografia computadorizada de alta resolução e análise em síncrotron — um acelerador de partículas que gera raios X mais intensos que o Sol —, a equipe conseguiu enxergar o embrião.

O exame foi feito na Instalação Europeia de Radiação Sincrotrônica, em Grenoble, na França.

O que os raios revelaram surpreendeu até os pesquisadores mais experientes.

O embrião estava enrolado dentro de um ovo de casca mole e coriácea. Suas mandíbulas ainda não estavam completamente fundidas — uma característica que só aparece em embriões dentro de ovos, como os de aves e tartarugas modernas.

Lystrosaurus herbívoro em paisagem do Triássico

O animal que sobreviveu à maior catástrofe da história

O Lystrosaurus não era um réptil qualquer. Era um sinapsídeo, o grupo de animais que eventualmente deu origem a todos os mamíferos.

Ele viveu há cerca de 250 milhões de anos, logo após o fim do Período Permiano, quando a Grande Extinção eliminou aproximadamente 90% de todos os seres vivos do planeta.

Aquecimento global extremo, seca, chuvas ácidas e oceanos envenenados devastaram a vida na Terra.

Mesmo assim, o Lystrosaurus não apenas sobreviveu — ele dominou os ecossistemas pós-extinção.

E o ovo pode explicar por quê.

Segundo os pesquisadores, os ovos do Lystrosaurus eram relativamente grandes em proporção ao seu corpo. Continham mais gema, o que permitia ao embrião se desenvolver de forma independente, sem precisar de alimentação dos pais após a eclosão.

Essa estratégia de reprodução rápida e independente pode ter sido decisiva para colonizar um mundo devastado.

Nossos ancestrais se reproduziam como répteis — e a prova está no ovo

“Esta é a primeira vez que podemos afirmar, com confiança, que ancestrais de mamíferos como o Lystrosaurus punham ovos”, disse Julien Benoit, professor associado do Instituto de Estudos Evolutivos da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul.

Segundo ele, a descoberta “representa um verdadeiro marco na área.”

Steve Brusatte, autor do livro “A Ascensão e o Reinado dos Mamíferos”, foi mais direto.

“Esta é uma prova concreta de que alguns dos nossos ancestrais mamíferos mais próximos ainda punham ovos e se reproduziam como répteis, e não davam à luz filhotes vivos nem os alimentavam com leite.”

A descoberta confirma que a viviparidade — dar à luz filhotes vivos — e a lactação vieram depois na evolução dos mamíferos.

Os pesquisadores estimam que a lactação evoluiu entre o início e o fim do Triássico, entre 252 e 201 milhões de anos atrás.

O ornitorrinco: o último mamífero que ainda bota ovo

Hoje, apenas dois grupos de mamíferos ainda põem ovos: o ornitorrinco e as equidnas, ambos da Austrália.

Eles pertencem ao grupo dos monotremados, considerados os mamíferos mais primitivos que existem.

Assim como o Lystrosaurus de 250 milhões de anos, o ornitorrinco produz ovos de casca mole. Mas há uma diferença fundamental: o ornitorrinco já possui glândulas mamárias e alimenta seus filhotes com leite após a eclosão.

O Lystrosaurus, pelo que os fósseis indicam, não fazia isso. Seus filhotes dependiam exclusivamente da gema do ovo para se desenvolver.

Isso mostra que a evolução dos mamíferos foi um processo gradual:

  • Primeiro vieram os ovos de casca mole, como os do Lystrosaurus (250 milhões de anos atrás)
  • Depois surgiu a lactação, já no período Triássico
  • Cascas duras só evoluíram pelo menos 50 milhões de anos depois
  • O nascimento vivo veio por último, quando a maioria dos mamíferos abandonou os ovos
Síncrotron ESRF em Grenoble usado para analisar fóssil

A tecnologia que levou 18 anos para alcançar o fóssil

Um dos aspectos mais fascinantes da descoberta é o papel da tecnologia.

O fóssil foi encontrado em 2008. Os ossos do embrião eram tão pequenos e delicados que nenhum equipamento da época conseguia visualizá-los dentro da rocha sem destruir a amostra.

Foram necessários 18 anos até que a resolução dos síncrotrons europeus fosse suficiente para confirmar o que os paleontólogos suspeitavam.

A Instalação Europeia de Radiação Sincrotrônica em Grenoble usa um feixe de raios X milhões de vezes mais intenso que um raio X hospitalar.

Graças a isso, os pesquisadores conseguiram ver cada osso do embrião sem abrir o fóssil.

Ornitorrinco nadando em rio australiano

O que uma extinção de 250 milhões de anos ensina sobre o clima de hoje

O professor Benoit destacou que a descoberta vai além da paleontologia.

“Compreender como os organismos do passado sobreviveram a catástrofes globais ajuda os cientistas a prever melhor como as espécies podem responder ao stress ambiental atual.”

A estratégia do Lystrosaurus — reprodução rápida, independência precoce dos filhotes, baixa dependência parental — foi o que permitiu a ele dominar um planeta destruído.

Ironicamente, os mamíferos modernos evoluíram para o oposto: gestação longa, poucos filhotes, alta dependência parental.

Se uma catástrofe global acontecesse hoje, as espécies que se reproduzem rápido e de forma independente — insetos, répteis, peixes — teriam vantagem. Os mamíferos, com sua reprodução lenta, estariam entre os mais vulneráveis.

Porém, os próprios pesquisadores alertam que casca mole raramente fossiliza. A preservação deste embrião é excepcional, e debates sobre a exata posição do Lystrosaurus na árvore evolutiva dos mamíferos continuam em aberto.

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Mauro
Mauro
25/04/2026 06:53

Adao himem e eva era uma galinha

Lobita Purpura
Lobita Purpura
24/04/2026 21:13

Meu Deus
Éramos uma largatixinha então 🤔

Mazinho Campeiro
Mazinho Campeiro
Em resposta a  Lobita Purpura
24/04/2026 21:15

Aqui na roça onde moro, pessoas que nem vc tem outro nome 😅😆

Sr Comedor
Sr Comedor
Em resposta a  Mazinho Campeiro
24/04/2026 21:16

Eu adoro largatixa 😏😋🤤😏

Azulão Dopado
Azulão Dopado
Em resposta a  Sr Comedor
24/04/2026 21:17

E cada comentário, depois eu que tô dopado 😏🤔🙄

Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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