Relatório oficial revela as causas do apagão que deixou cidades da Península Ibérica no escuro e causou transtornos em três países.
Um apagão de grandes proporções deixou milhões de pessoas sem energia na Península Ibérica no final de abril. O incidente interrompeu o funcionamento de trens, empresas, conexões de internet e redes telefônicas, além de mergulhar cidades inteiras na escuridão.
Agora, um relatório oficial aponta que a causa foi uma “sobretensão” na rede elétrica, que desencadeou uma reação em cadeia.
Sistema sem controle suficiente de voltagem
Segundo a ministra da Transição Ecológica da Espanha, Sara Aagesen, o apagão teve múltiplas causas, mas o fator central foi a incapacidade do sistema de controlar a voltagem naquele dia.
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,Aagesen explicou que houve falhas de programação e deficiência na estrutura de proteção, o que contribuiu para a perda de controle da rede elétrica.
A sobretensão ocorre quando há excesso de energia circulando na rede, o que sobrecarrega os equipamentos. Isso pode ser causado por descargas atmosféricas, falhas de equipamentos de proteção ou excesso de fornecimento.
Quando isso acontece, os sistemas automáticos desligam partes da rede como forma de autoproteção, o que pode resultar em cortes generalizados de energia.
Desconexões indevidas agravaram a crise
Durante o episódio, algumas usinas foram desligadas “de forma inapropriada” por empresas do setor elétrico, segundo o relatório.
A ministra não mencionou os nomes das companhias, mas destacou que as medidas foram tomadas para proteger instalações próprias, sem considerar os impactos sistêmicos.
Esse comportamento, aliado à falha na regulação da voltagem, levou a um colapso em cadeia. Aagesen afirmou que o sistema espanhol, em tese, é robusto o suficiente para enfrentar uma sobretensão. No entanto, naquele dia, não houve tempo hábil para adotar medidas que compensassem o excesso de carga.
Sem julgamento, mas com falhas reconhecidas
A ministra deixou claro que o documento divulgado é uma análise técnica, não um julgamento. O foco é entender o que aconteceu e fazer recomendações para evitar novos colapsos. Ainda assim, o relatório aponta “deficiências” e “vulnerabilidades” na infraestrutura elétrica.
Desde o dia do apagão, ocorrido em 28 de abril, o governo espanhol iniciou uma investigação. A comissão de inquérito, criada pelo primeiro-ministro Pedro Sanchez, já se reuniu três vezes. O governo decidiu antecipar a divulgação dos resultados após pressão pública e da oposição, mesmo com investigações ainda em andamento.
Descartadas hipóteses de ataque cibernético
No início, foram levantadas diferentes possibilidades para o apagão, como ataque cibernético ou excesso de geração de energia renovável. Ambas foram descartadas pela ministra. O governo também rejeitou a tese de que a falta de usinas nucleares teria causado a falha.
Mesmo assim, a oposição de direita voltou a criticar a política energética do governo socialista, que prioriza fontes renováveis e vem reduzindo a presença da energia nuclear na matriz elétrica do país.
Entre as medidas propostas no relatório estão o reforço na supervisão dos operadores, maior rigor nas exigências de conformidade técnica e o aumento da capacidade elétrica da Espanha. Também foi destacada a necessidade de fortalecer as interconexões com países vizinhos.
Atualmente, a rede elétrica espanhola tem baixa integração com os sistemas de Portugal, França e Marrocos. No dia do apagão, o apoio desses países foi fundamental para restaurar parte do fornecimento.
Em resposta ao episódio, o Banco Europeu de Investimento anunciou um aporte de 1,6 bilhão de euros. O valor será destinado à construção de uma nova interconexão entre Espanha e França, que deve quase dobrar a capacidade de troca de energia entre os dois países.
