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Fim do operário que carrega peso e faz tudo sozinho na obra: robô de 6 metros solda, corta, faz carpintaria e imprime paredes de concreto no mesmo canteiro sem trocar de equipamento e pode substituir milhões de trabalhadores

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 28/05/2026 às 12:14 Atualizado em 28/05/2026 às 12:21
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RIC Robotics Zyrex/Divulgação
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Zyrex é um robô de construção de 6 metros com 26 graus de liberdade, IA VLA e troca automática de bateria que promete substituir múltiplas equipes no canteiro.

Segundo a RIC Robotics, o Zyrex é o primeiro robô de construção de uso geral projetado para substituir não apenas uma tarefa isolada, mas o conjunto de atividades que hoje exige várias equipes especializadas e diversos equipamentos no canteiro. Desenvolvido pela empresa americana sediada em Fontana, Califórnia, o sistema foi anunciado em 29 de abril de 2025, com previsão de protótipo funcional no início de 2026.

O Zyrex tem 6 metros de altura, 7 metros de envergadura, 26 graus de liberdade, módulo de ferramenta intercambiável e troca autônoma de bateria. Segundo a empresa, ele pode executar solda, corte, carpintaria, manuseio de materiais pesados, impressão 3D de concreto e acabamento externo, com preço estimado de menos de US$ 1 milhão para compra e menos de US$ 20 mil por mês em leasing.

Zyrex aposta em robô de construção gigante porque humanoides não foram feitos para obra

A maior parte dos robôs autônomos que domina o noticiário tem forma humana, com braços, pernas e sensores organizados como um corpo humano.

A lógica é simples: se o mundo foi construído para pessoas, um robô humanoide pode circular e operar nesse ambiente sem grandes adaptações.

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Mas a construção civil não funciona como um ambiente feito para conforto humano. Canteiros são dominados por andaimes, máquinas pesadas, materiais de alto peso, ferramentas de torque elevado, terrenos irregulares e alturas variadas, o que dificulta a atuação eficiente de robôs humanoides em tarefas pesadas de obra.

A proposta da RIC Robotics é resolver isso com outra arquitetura. Em vez de imitar um trabalhador humano, o Zyrex opera como uma estrutura elevada com braços articulados, cobrindo grandes áreas sem precisar mudar a base a cada etapa. Para a empresa, esse desenho torna o sistema mais adequado para força, alcance e precisão em ambientes de obra.

26 graus de liberdade dão ao Zyrex alcance e precisão acima do limite humano

Em robótica, graus de liberdade são os movimentos independentes que uma estrutura mecânica consegue executar.

Um braço humano tem cerca de 7 graus de liberdade, enquanto um braço industrial convencional costuma operar com 6. O Zyrex, segundo a empresa, chega a 26, ampliando muito a capacidade de posicionamento da ferramenta no espaço.

Na prática, isso significa que o robô pode colocar a ferramenta em orientações tridimensionais muito mais variadas, inclusive em posições difíceis ou impossíveis para um trabalhador sustentar por muito tempo.

O comunicado cita como exemplo soldagem acima da linha do ombro por longos períodos e acabamento externo em altura com pressão uniforme, tarefas que exigem esforço extremo quando feitas manualmente.

IA VLA permite que o Zyrex entenda tarefas e aja sem programação manual detalhada

A tecnologia central do Zyrex é o modelo VLA, sigla para Vision Language Action. Esse tipo de sistema integra visão computacional, compreensão de linguagem natural e geração de ação física em uma mesma arquitetura, permitindo que o robô interprete o ambiente e transforme comandos em movimentos concretos.

O robô usa LiDAR e câmeras de alta resolução para criar um mapa tridimensional do canteiro em tempo real.

Quando recebe instruções como soldar uma junção ou aplicar acabamento em uma parede, o VLA localiza o alvo no mapa 3D e calcula a sequência de movimentos necessária, sem que o operador precise programar cada ângulo ou posição individualmente.

Zyrex é um robô de construção de 6 metros com 26 graus de liberdade, IA VLA e troca automática de bateria que promete substituir múltiplas equipes no canteiro.
RIC Robotics Zyrex ilus

Segundo a empresa, a operação será dividida em duas fases. Na Fase 1, o sistema trabalha com supervisão humana por VR e simuladores, enquanto coleta dados reais de execução. Na Fase 2, depois de treinado com esses dados, o Zyrex avançaria para operação autônoma, com monitoramento passivo em vez de supervisão ativa contínua.

Escassez de mão de obra nos EUA abre espaço para robôs de construção como o Zyrex

O apelo do Zyrex não depende apenas da tecnologia. Segundo a Associated Builders and Contractors, a indústria da construção dos Estados Unidos precisa contratar mais de 439 mil trabalhadores qualificados em 2025 para atender à demanda existente, o que mostra o tamanho do gargalo de mão de obra no setor.

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O texto destaca que a força de trabalho da construção americana está envelhecendo, enquanto as gerações mais jovens demonstram menos interesse em profissões manuais.

Ao mesmo tempo, cresce a demanda por centros de dados para IA, habitação, infraestrutura de energia renovável e reconstrução após desastres climáticos, pressionando um mercado que já opera com falta de profissionais.

Há ainda um fator crítico de segurança. Em 2023, a construção registrou 1.075 mortes fatais nos Estados Unidos, mais do que qualquer outro setor da economia americana. Nesse cenário, a automação passa a ser vendida não apenas como solução de produtividade, mas também como resposta à escassez de mão de obra e ao alto risco do trabalho em canteiro.

Preço abaixo de US$ 1 milhão é peça central da estratégia comercial da RIC Robotics

A RIC Robotics desenhou o modelo de negócio do Zyrex para construtoras que não conseguem investir em sistemas industriais de múltiplos milhões de dólares. Segundo a empresa, o robô será oferecido por menos de US$ 20 mil por mês em leasing e por menos de US$ 1 milhão na compra, faixa considerada mais acessível para empresas de médio porte.

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A lógica econômica é direta. Muitas construtoras já gastariam valor parecido com a remuneração mensal de três ou quatro trabalhadores especializados, mas enfrentam dificuldade crescente para encontrar essas equipes no mercado.

O discurso comercial do Zyrex tenta justamente converter esse custo de escassez em argumento para adoção do robô.

Com isso, o robô de construção da RIC Robotics não está sendo posicionado como vitrine futurista para grandes conglomerados, mas como uma máquina potencialmente viável para um mercado mais amplo, desde que prove na prática a confiabilidade prometida pela empresa.

RIC-PRIMUS abriu caminho, mas Zyrex ainda precisa provar que funciona em canteiro real

O Zyrex não surgiu do zero. A própria RIC Robotics já opera o RIC PRIMUS, robô de impressão 3D em concreto com alcance de até 32 pés, quase 10 metros, em canteiros comerciais. Segundo o texto, esse sistema já demonstrou que a empresa consegue levar plataformas robóticas móveis a condições reais de obra.

O novo robô amplia essa base ao sair de uma função única, a impressão 3D de concreto, para uma proposta de múltiplas funções com ferramentas intercambiáveis e IA de decisão. É justamente essa expansão que torna o projeto mais ambicioso, mas também muito mais difícil de validar comercialmente.

O ponto crítico continua sendo o desempenho do modelo VLA em ambientes reais de canteiro, onde poeira, chuva, materiais mudando de lugar e alterações de sequência de obra acontecem o tempo todo. O protótipo previsto para 2026 terá de provar que o Zyrex consegue lidar com essa variabilidade sem perder precisão, segurança e confiabilidade operacional.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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