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Fim do gesso comum? Nova placa com material de mudança de fase ganha espaço na construção civil por armazenar calor, suavizar picos de temperatura e melhorar o conforto térmico sem ocupar mais espaço nas paredes internas

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 16/06/2026 às 21:34
Atualizado em 16/06/2026 às 22:05
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Tecnologia incorporada ao gesso transforma paredes internas em aliadas do conforto térmico ao armazenar e liberar calor conforme a temperatura muda, mantendo a aparência convencional do acabamento e ampliando o debate sobre eficiência energética em edifícios residenciais, comerciais e reformas de interiores.

Placas de gesso com material de mudança de fase, conhecido pela sigla PCM, vêm sendo estudadas na construção civil como alternativa para ampliar o conforto térmico em ambientes internos sem aumentar a espessura de paredes, forros e divisórias.

Em vez de substituir automaticamente o gesso comum, a proposta acrescenta ao acabamento uma função passiva de armazenamento e liberação de calor, mantendo um sistema visualmente parecido com soluções já usadas em obras residenciais e comerciais.

A tecnologia funciona de modo diferente do isolamento convencional, que atua principalmente como barreira para reduzir a transferência de calor entre ambientes internos e externos.

No caso dos PCMs, o material trabalha como um reservatório térmico incorporado à parede, absorvendo energia quando a temperatura sobe e liberando parte desse calor quando o ambiente esfria.

Durante a mudança de fase, processo que ocorre em uma faixa de temperatura definida, o PCM consegue absorver ou devolver energia térmica sem exigir motores, compressores ou consumo direto de eletricidade.

Com essa dinâmica, a aplicação em placas de gesso busca suavizar picos térmicos e reduzir variações bruscas dentro dos imóveis, especialmente em construções leves e áreas expostas a oscilações ao longo do dia.

Como funciona a placa de gesso com PCM

Em 2024, um estudo publicado na revista científica Buildings avaliou a Comfortboard23, placa comercial de gesso da Knauf que incorpora PCM microencapsulado à matriz do material.

A pesquisa identificou a presença das microcápsulas na estrutura da placa e mediu indicadores como valor U, condutividade térmica, capacidade de armazenamento de calor e resposta dinâmica sob variações de temperatura.

Nos testes comparativos, a incorporação do PCM reduziu o valor U em 2% em relação às placas de gesso padrão analisadas pelos pesquisadores.

Além dessa redução, o estudo registrou aumento de cerca de 45% na capacidade de armazenamento de calor, acompanhado de mudanças no atraso térmico e no comportamento da placa durante ciclos de aquecimento e resfriamento.

Placa de gesso com PCM armazena calor, reduz variações térmicas e amplia o conforto interno sem aumentar paredes.
Placa de gesso com PCM armazena calor, reduz variações térmicas e amplia o conforto interno sem aumentar paredes.

O valor U indica a quantidade de calor que atravessa um componente construtivo em determinadas condições de avaliação.

Quanto menor esse indicador, menor tende a ser a transferência térmica pelo material analisado, embora o desempenho real de uma parede também dependa da instalação, das camadas associadas e das características do edifício.

Armazenamento de calor sem aumentar a parede

Em sistemas internos leves, a baixa inércia térmica costuma ser uma limitação importante para o conforto dos ocupantes.

Paredes secas, divisórias finas e forros podem aquecer ou esfriar rapidamente, aumentando a percepção de variação térmica em determinados horários do dia.

Ao receber material de mudança de fase, a placa de gesso passa a armazenar energia térmica por calor latente, sem exigir uma parede mais espessa ou pesada.

Quando a temperatura interna se eleva, parte do calor é absorvida durante a mudança de fase; no resfriamento do ambiente, essa energia pode ser liberada de maneira gradual.

Para tornar essa aplicação viável, a microencapsulação exerce papel central na formulação da placa.

Pequenas partículas de PCM ficam envolvidas por cápsulas microscópicas, o que permite misturá-las ao gesso e reduz o risco de vazamento durante ciclos repetidos de aquecimento e resfriamento.

Do ponto de vista visual, a solução preserva aparência semelhante à de uma placa de acabamento tradicional.

A diferença está na função adicionada ao componente, que deixa de atuar apenas como superfície interna e passa a participar do controle térmico passivo do ambiente.

Eficiência energética depende do projeto

Outra revisão científica sobre a incorporação de PCMs em edifícios, também publicada em 2024, aponta que esses materiais podem moderar temperaturas internas ao absorver e liberar calor durante transições de fase.

Apesar do potencial, a análise ressalta que desempenho, custo-benefício, durabilidade e compatibilidade com outros materiais continuam sendo fatores decisivos para a adoção em larga escala.

Esse cuidado técnico é necessário porque o resultado não depende apenas da presença do PCM dentro da placa.

A faixa de temperatura de mudança de fase precisa estar alinhada ao clima local, ao uso do ambiente, à ventilação, à exposição solar, à orientação da edificação e ao sistema de climatização existente.

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Na literatura técnica, também aparecem como fatores relevantes a posição do PCM na envoltória do edifício, a espessura da camada aplicada e a temperatura de fusão escolhida.

Esses parâmetros influenciam diretamente a capacidade do material de absorver e devolver calor no momento em que a troca térmica contribui de forma mais efetiva para o conforto interno.

Por esse motivo, a placa de gesso com PCM não deve ser tratada como solução isolada para todos os problemas de conforto térmico.

Seu uso pode complementar ventilação, sombreamento, isolamento, orientação solar adequada e sistemas de climatização, desde que faça parte de um projeto arquitetônico bem dimensionado.

Onde a tecnologia pode ganhar espaço

Para a construção civil, o interesse está em melhorar o desempenho térmico por meio de um elemento já familiar em obras residenciais e comerciais.

O gesso aparece em paredes internas, forros e divisórias por ser leve, moldável e relativamente simples de instalar, o que facilita a integração de novas funções ao sistema construtivo.

Em edifícios com alta demanda de climatização, materiais capazes de reduzir oscilações internas podem contribuir para o conforto dos ocupantes e para uma operação mais eficiente.

Ainda assim, os ganhos energéticos variam conforme o clima, o padrão de uso, a qualidade do projeto e o conjunto de soluções adotadas em cada edificação.

Quartos, salas, escritórios, escolas, hospitais e áreas comerciais estão entre os ambientes que podem ser considerados para esse tipo de tecnologia quando há necessidade de maior estabilidade térmica.

Nas reformas internas, a solução também pode encontrar espaço por manter proximidade com sistemas de paredes secas e acabamentos tradicionais, sem exigir alterações visuais profundas no projeto.

A adoção em escala comercial, porém, depende de uma combinação de fatores técnicos e econômicos.

Além do desempenho térmico, fabricantes e projetistas precisam considerar resistência mecânica, estabilidade da matriz de gesso, comportamento em ciclos repetidos e custo em comparação com placas convencionais.

O gesso comum segue relevante por preço, disponibilidade e ampla cadeia de instalação, especialmente em obras que priorizam custo e execução rápida.

As placas com PCM ampliam o papel do acabamento interno, mas tendem a avançar primeiro em projetos que buscam desempenho térmico mensurável e conseguem justificar o investimento.

Com essa tecnologia, elementos internos da construção civil passam a assumir uma função que vai além da divisão de ambientes.

A parede deixa de ser apenas uma superfície de acabamento e passa a integrar estratégias de controle térmico passivo, desde que especificação, instalação e contexto climático estejam alinhados ao desempenho esperado.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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