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Filmada a 3.000 metros de profundidade, uma lula com tentáculos que se curvam como braços surpreende biólogos com uma estratégia de caça minimalista e quase imóvel

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 15/01/2026 às 17:24
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Filmada a 3.000 metros de profundidade, uma lula com tentáculos que se curvam como braços surpreende biólogos com uma estratégia de caça minimalista e quase imóvel
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Lula Magnapinna é filmada a 3.000 m com tentáculos dobrados em ângulo e comportamento de caça quase imóvel que intriga biólogos marinhos.

Pouca gente sabe, mas algumas das criaturas mais estranhas do planeta vivem em um lugar que quase nunca vemos: o oceano profundo, abaixo da zona onde a luz solar ainda consegue penetrar. É nesse ambiente gelado, escuro e cheio de pressão que foi filmada uma das lulas mais enigmáticas já registradas pela ciência moderna. Trata-se do Magnapinna, também chamado de bigfin squid, um cefalópode cujos tentáculos podem ultrapassar vários metros e que, em vez de nadar freneticamente, assume uma postura rígida e minimalista, como se esperasse pacientemente que o próprio oceano trouxesse alimento até ele.

As imagens gravadas por veículos operados remotamente (ROVs) mostraram a lula a cerca de 3.000 metros de profundidade, com os tentáculos estendidos para baixo e curvados em ângulo quase perfeito, lembrando “braços” dobrados. Esse padrão chamou atenção de biólogos marinhos não pela extravagância visual, mas pela estratégia comportamental: poucos movimentos, baixa energia e uma postura que sugere um método de caça diferente do que vemos em lulas costeiras.

A zona profunda: escuridão, frio e economia de energia

Para entender o Magnapinna, é importante compreender o cenário onde ele vive. A partir dos 1.000 metros de profundidade, começamos a entrar na chamada zona batial, e por volta dos 3.000 metros, já nos aproximamos de áreas abissais. Nesses níveis:

  • não há luz solar,
  • a temperatura fica próxima de 2 °C,
  • a pressão pode ser centenas de vezes maior que na superfície,
  • a disponibilidade de alimento é extremamente baixa.
Assista o vídeo
https://www.youtube.com/watch?v=6hBd36nAQnQ

Isso significa que qualquer animal encontrado ali precisa ser energeticamente eficiente. Diferente de lulas costeiras, que perseguem ativamente cardumes, o Magnapinna parece apostar na estratégia oposta: reduzir ao máximo o gasto energético.

A postura imóvel observada em vários registros sugere que ele pode simplesmente esperar que presas pequenas se aproximem de seus tentáculos.

Tentáculos longos, curvados e articulados: a anatomia do comportamento

O que torna o Magnapinna tão reconhecível é sua morfologia. Ao contrário da lúmia, da loligo ou de lulas usadas como referência comercial, essa espécie possui braços e tentáculos extremamente finos e compridos, com comprimentos que podem chegar a vários metros. Eles não se estendem para frente ou para os lados, como em outras lulas, e sim para baixo, muitas vezes formando ângulos retos.

Em câmeras de alta resolução, esse padrão se repete:

  • o corpo da lula permanece quase estático,
  • os tentáculos descem verticalmente,
  • as pontas fazem pequenas mudanças de orientação,
  • os braços parecem articulados ao longo do comprimento.

Biólogos marinhos já especularam que esses tentáculos são cobertos por estruturas adesivas ou células sensoriais capazes de detectar micro-organismos, pequenos crustáceos e partículas biológicas. Isso faz sentido no mar profundo: é mais vantajoso “filtrar” o que passa do que gastar energia perseguindo presas.

Essa ideia, embora plausível, ainda não é consenso, porque nunca houve um estudo anatômico completo de um Magnapinna em perfeito estado. A maior parte do que sabemos vem de registros visuais observados à distância.

ROVs, câmeras e o avanço da filmagem subaquática

As filmagens que tornaram o Magnapinna conhecido foram realizadas por ROVs (Remotely Operated Vehicles) ligados a cabos e operados por cientistas em navios de pesquisa.

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

Esses equipamentos conseguem descer a milhares de metros sem serem esmagados pela pressão, filmando, coletando dados químicos e mapeando o fundo do mar.

Antes dos ROVs, o mar profundo era estudado principalmente com redes de arrasto. O problema é que animais gelatinosos e delicados, como o Magnapinna, não resistem ao contato físico, perdendo tentáculos e ficando irreconhecíveis antes mesmo de chegarem à superfície. Isso explica a falta de amostras intactas em coleções científicas.

É por isso que, hoje, grande parte das informações sobre o Magnapinna vem de:

  • vídeos de ROVs em expedições científicas,
  • imagens militares desclassificadas de submarinos,
  • registros de companhias petrolíferas em plataformas oceânicas.

Essa combinação de fontes permitiu descobrir que o Magnapinna não é um caso isolado, mas um grupo de espécies pouco documentadas.

Isso levou cientistas a especularem que ele use uma estratégia comparável a uma “linha de pesca invertida”, onde cada tentáculo funciona como uma vara extremamente longa esperando contato com alimento.

Essa interpretação faz sentido em ambientes de baixa energia, mas não há consenso definitivo, porque nenhuma observação direta mostrou o momento da captura. O que temos são indícios comportamentais e hipóteses baseadas em comparação com outros organismos do mar profundo.

Raridade, mistério e lacunas científicas

Apesar da fama recente, o Magnapinna continua envolto em lacunas científicas. Entre as perguntas abertas estão:

  • Quantas espécies existem realmente?
  • Qual o tamanho máximo dos tentáculos?
  • Como se reproduzem?
  • Qual é a dieta exata?
  • Onde ficam as áreas de maior concentração?

As respostas são difíceis porque:

  • o mar profundo é imenso,
  • o acesso depende de tecnologia cara,
  • os animais são frágeis e raramente encontrados,
  • não há como mantê-los vivos em laboratório.

Muitos registros vêm do Golfo do México, do Pacífico e de áreas oceânicas australianas, mas não há “mapas de distribuição” completos.

Por que a descoberta importa para a ciência

Encontrar e filmar animais como o Magnapinna não serve apenas para curiosidade visual — ele ajuda a entender:

  • como a vida evolui sob pressão extrema,
  • quais estratégias energéticas são possíveis em ambientes escuros,
  • como cadeias alimentares funcionam sem luz solar,
  • quais adaptações morfológicas o oceano profundo permite.

Há também uma implicação maior: o mar profundo é o maior bioma do planeta, mas o menos estudado. A cada expedição, novos organismos são encontrados, e muitos deles não se encaixam em classificações familiares.

O Magnapinna lembra que a natureza não segue apenas os modelos de animais costeiros ou terrestres — ela experimenta morfologias e comportamentos que só fazem sentido em contextos extremos.

No fim, a imagem de uma lula imóvel com tentáculos dobrados a 3.000 metros provoca uma pergunta simples: se essa criatura existe e quase ninguém conhece, quantas outras ainda aguardam na escuridão do oceano profundo? E essa é justamente a razão pela qual a ciência continua voltando ao fundo do mar.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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