loilo inicia construção da maior dessalinizadora das Filipinas, com 66,5 milhões de litros por dia, abastecimento para 50 mil domicílios e operação prevista para 2027.
Segundo a SUEZ, a construção da maior dessalinizadora de osmose inversa de água do mar das Filipinas começou em 7 de abril de 2025 no bairro de La Paz, em Iloilo City, na ilha de Panay. O projeto reúne a SUEZ, a construtora filipina JEMCO e a Metro Pacific Water, braço de infraestrutura hídrica do grupo Metro Pacific Investments Corp.
A planta terá capacidade para produzir 66.500 metros cúbicos de água por dia, o equivalente a 66,5 milhões de litros diários. Desse total, mais de 97% serão destinados ao abastecimento de cerca de 50 mil domicílios da região metropolitana de Iloilo, enquanto os 3% restantes irão para a produção de água desmineralizada usada em uma usina de energia vizinha. A obra tem prazo de 24 meses e entrada em operação projetada para o início de 2027.
Dessalinizadora de Iloilo surge porque a cidade ficou sem margem para expandir fontes convencionais de água
Iloilo City tem cerca de 460 mil habitantes e mais de 1 milhão na região metropolitana. É uma das principais cidades das Visayas Ocidentais, mas enfrenta um problema estrutural que poucas cidades desse porte conseguem ignorar por muito tempo: não possui um grande rio capaz de sustentar sozinho o abastecimento urbano.
-
China não encontrou caminhão elétrico adequado para mineração, encomendou um do zero, lançou veículo de 140 toneladas com bateria de 770 kWh trocável em 4 minutos e já opera 290 unidades na maior mina de zinco de Xinjiang
-
Meta prepara o Arena, novo aplicativo de previsões que pode usar pontos, aproveitar 3,56 bilhões de usuários e entrar na disputa direta com Polymarket e Kalshi
-
Cientista desafia uma das teorias mais famosas sobre a evolução humana e afirma que o Homo sapiens não passou por uma revolução repentina, mas por milhares de anos de mudanças graduais
-
Aos 15 anos, uma americana construiu um gerador oceânico com cano de PVC e hélice de impressora 3D por R$ 61, ganhou um prêmio nacional, apresentou o projeto na Casa Branca e entrou na lista Forbes 30 Under 30
O Rio Iloilo é pequeno, sofre com variações sazonais e já foi pressionado pelo crescimento urbano e pela salinização das áreas mais baixas.
Os aquíferos costeiros também foram explorados acima da capacidade natural de recarga, enquanto a intrusão salina avançou sobre o lençol freático, tornando parte da água subterrânea imprópria para consumo antes mesmo do tratamento.
Com a expansão econômica de Iloilo como polo de tecnologia da informação, serviços médicos e turismo, a demanda por água cresceu mais rápido do que as fontes tradicionais conseguiam acompanhar.
A própria SUEZ resumiu a situação ao afirmar que as fontes de água doce da região ficaram severamente tensionadas e já não atendem mais à demanda crescente.
Osmose inversa vai transformar água do mar em água potável para 50 mil domicílios
A tecnologia escolhida para a planta de Iloilo é a osmose inversa de água do mar, conhecida pela sigla SWRO. Esse sistema se tornou a base da dessalinização moderna porque reduziu drasticamente o custo de produção de água potável a partir do mar nas últimas décadas.
O processo funciona com bombas de alta pressão que forçam a água salgada a atravessar uma membrana semipermeável na direção oposta à osmose natural.
Essa membrana tem poros extremamente pequenos, capazes de reter praticamente todos os sais dissolvidos, além de vírus, bactérias e contaminantes orgânicos. A água tratada sai com concentração de sal inferior a 0,5 grama por litro, abaixo do limiar de 1 grama por litro citado no texto como referência para água potável.
A eficiência energética melhorou muito com os sistemas de recuperação de energia, que reaproveitam a pressão residual da água rejeitada. Segundo a empresa, esses sistemas reduziram o consumo elétrico de até 7 kWh por metro cúbico nos anos 1990 para cerca de 2 a 3 kWh por metro cúbico nos projetos modernos.
Em uma planta do porte de Iloilo, essa diferença representa economia de dezenas de milhões de dólares ao longo da vida útil.
SUEZ entra em Iloilo com 50 anos de experiência e mais de 260 plantas de dessalinização
A SUEZ chega ao projeto com um histórico pesado no setor. O texto do comunicado oficial afirma que a empresa acumula 50 anos de experiência em dessalinização e mais de 260 plantas projetadas e construídas em mais de 30 países, o que dá à companhia um peso técnico incomum para uma obra desse tipo nas Filipinas.
Nas Filipinas, a empresa entra com o modelo DBO, sigla para Design, Build, Operate, que reúne projeto, construção e operação.
Isso significa que a SUEZ não apenas entrega a infraestrutura, mas também passa a operar a planta depois da conclusão, ficando responsável pela qualidade da água produzida e pelo desempenho do sistema ao longo do contrato.
A JEMCO entra como parceira local de construção, levando experiência com logística de obra em ambiente insular, fornecimento regional e condições típicas do arquipélago filipino, onde umidade extrema, ciclones e transporte marítimo de materiais pesados fazem parte da realidade de qualquer grande projeto.
66,5 milhões de litros por dia mostram o tamanho real da planta de dessalinização de Iloilo
A produção diária de 66.500 metros cúbicos equivale a 66,5 milhões de litros de água por dia. Esse volume ajuda a mostrar a escala da planta e o quanto ela pode alterar o abastecimento da região metropolitana de Iloilo.
O texto usa como referência o consumo de uma família de quatro pessoas no Brasil, entre 600 e 800 litros por dia para todos os usos.
Nessa comparação, os 66,5 milhões de litros produzidos poderiam abastecer entre 80 mil e 110 mil famílias diariamente. A própria SUEZ, porém, especifica que cerca de 64.500 m³/dia irão diretamente para aproximadamente 50 mil domicílios, o que sugere um padrão local de consumo mais alto.
Outro ponto central é a confiabilidade. A planta vai operar de forma contínua, 24 horas por dia e 365 dias por ano, sem depender de chuva ou nível de rio. Em um arquipélago sujeito a secas sazonais e avanço da água salgada sobre os aquíferos costeiros, essa estabilidade operacional vira um dos maiores ativos estratégicos do projeto.
Maior dessalinizadora das Filipinas pode virar modelo para outras ilhas do arquipélago
As Filipinas têm mais de 7.600 ilhas, e boa parte das cerca de 2.000 habitadas não possui grandes rios, nem aquíferos abundantes, nem segurança hídrica suficiente para depender apenas de chuva e poços. O modelo convencional de abastecimento funciona nas ilhas maiores e mais úmidas, mas se torna frágil em áreas costeiras densamente povoadas e vulneráveis à intrusão salina.
A planta de Iloilo não é a primeira dessalinizadora do país, mas é a maior das Filipinas e representa a entrada da dessalinização em grande escala em um mercado que ainda operava principalmente com unidades menores. Se o projeto provar viabilidade operacional e econômica depois da construção e nas primeiras temporadas de uso, ele pode abrir caminho para que outras cidades médias do arquipélago adotem o mesmo modelo.
A cerimônia de início das obras ocorreu em 7 de abril de 2025, com a presença do prefeito Jerry Treñas. O CEO da Metro Pacific Water, Christopher Pangilinan, descreveu a infraestrutura como a solução de longo prazo para os desafios hídricos de Iloilo. Quando a planta entrar em operação no início de 2027, a água que chegar a milhares de casas terá sido produzida a partir do Mar de Visayas por membranas de osmose inversa.

