Uso do FGTS volta ao centro das discussões em 2026 enquanto endividamento cresce e especialistas apontam riscos estruturais e comportamentais
O endividamento das famílias brasileiras atinge níveis recordes, enquanto a inadimplência avança de forma contínua no país.
Segundo dados divulgados pela Serasa Experian em 2026, cerca de 67% dos trabalhadores brasileiros conseguem manter suas despesas por apenas um mês sem salário, o que evidencia um cenário de vulnerabilidade financeira.
Além disso, a inadimplência cresce em um contexto de forte pressão econômica, especialmente diante das eleições previstas para outubro de 2026, quando políticas fiscais ganham maior relevância.
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Nesse cenário, o governo amplia a política fiscal expansionista, com gastos públicos acima da arrecadação, além de estímulos ao consumo por meio de auxílios e emendas parlamentares.
Como consequência, os preços sobem, enquanto o Banco Central eleva a taxa Selic, o que encarece o crédito no país.
Atualmente, os juros do cartão de crédito rotativo chegam a 424% ao ano, enquanto o cheque especial ultrapassa 300% ao ano, conforme dados mencionados no debate econômico recente.
Diante desse cenário, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) volta ao centro das discussões como alternativa para aliviar o endividamento das famílias.
Proposta de uso do FGTS ganha força em meio à crise
A proposta em análise prevê reeditar o programa Desenrola, permitindo que trabalhadores utilizem recursos do FGTS para quitar dívidas.
Essa alternativa surge como solução imediata para milhões de brasileiros que enfrentam dificuldades para equilibrar o orçamento mensal.
Em 25 de março de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reconhecem publicamente a gravidade da situação.
De acordo com as declarações, cerca de 100 milhões de brasileiros enfrentam juros superiores a 100% ao ano, o que compromete a capacidade de pagamento e amplia o ciclo de endividamento.
Apesar disso, especialistas destacam que a medida não resolve a raiz do problema, que envolve diretamente a falta de educação financeira.

Hábitos financeiros continuam sendo desafio estrutural
A ausência de práticas básicas de organização financeira ainda impulsiona o retorno das dívidas.
Entre os comportamentos recomendados, destacam-se o controle do orçamento com propósito, a criação de reservas automáticas e o adiamento de compras impulsivas.
Além disso, a regra das 24 a 48 horas reduz decisões financeiras precipitadas e ajuda no controle do consumo.
Estudos indicam que cerca de 70% das pessoas que renegociam dívidas voltam a se endividar em até 12 meses, principalmente pela ausência de planejamento financeiro.
Esse dado reforça a importância de construir uma reserva de emergência, que deve cobrir entre seis e doze meses de despesas, preferencialmente em renda fixa.
Impactos do uso do FGTS geram preocupação
O uso do FGTS para quitar dívidas levanta preocupações relevantes sobre o futuro financeiro dos trabalhadores.
Isso acontece porque o fundo, destinado à segurança em momentos específicos, passa a funcionar como solução imediata para problemas financeiros.
Sem mudança de comportamento, o ciclo de endividamento tende a se repetir, mesmo após a quitação das dívidas.
Além disso, a inflação continua pressionando, enquanto os juros permanecem elevados, o que mantém o ambiente econômico desafiador.
Outro ponto relevante envolve o ambiente de trabalho.
Segundo a Serasa Experian, 39% dos trabalhadores relatam insônia causada por estresse financeiro, o que reduz a produtividade e aumenta o absenteísmo nas empresas.
Educação financeira é apontada como solução principal
Especialistas apontam a educação financeira estruturada como principal ferramenta para romper o ciclo de endividamento.
Entre as práticas essenciais estão o controle rigoroso do orçamento, a priorização de dívidas com juros mais altos e a construção de reservas financeiras.
Além disso, o adiamento de gratificações imediatas fortalece a estabilidade no longo prazo.
Sem essas mudanças, programas como o Desenrola com uso do FGTS funcionam apenas como soluções temporárias.
Dessa forma, o debate segue aberto sobre a eficácia da medida no cenário econômico atual .
Diante desse contexto, surge a questão central: utilizar o FGTS para quitar dívidas representa uma solução definitiva ou apenas um alívio momentâneo diante de um problema estrutural?

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