Pesquisadores da USP desenvolvem fertilizante de vidro com liberação lenta de nutrientes. Inovação promete aumentar o rendimento agrícola e diminuir uso de produtos importados.
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) de São Carlos criaram um fertilizante de vidro inovador, que promete aumentar o rendimento agrícola de forma sustentável. O material, desenvolvido desde 2018 no Instituto de Química (IQSC), pode ser uma alternativa nacional à dependência de fertilizantes importados, que hoje representam cerca de 90% do consumo no Brasil.
A novidade alia tecnologia vítrea com cápsulas de hidrogel, criando uma solução de liberação lenta e altamente eficiente.
A pesquisa, coordenada pelo professor Danilo Manzani, nasceu da pergunta: seria possível transformar vidro em fertilizante?
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A resposta, após anos de estudo, foi positiva — e os primeiros resultados empolgam. O composto reúne os nutrientes essenciais ao crescimento das plantas: fósforo e potássio no vidro, e nitrogênio no hidrogel.
Fertilizante de vidro mostrou até 93% mais rendimento agrícola
Os testes do fertilizante de vidro foram realizados em estufas com braquiária (capim Piatã), comparando o crescimento de plantas que receberam ou não o material.
Os resultados chamaram atenção: o grupo que utilizou o novo fertilizante apresentou rendimento agrícola médio 70% superior, com picos de até 93,71% em solos argilosos.

Os experimentos foram conduzidos por um grupo multidisciplinar da USP, Embrapa Pecuária Sudeste e UFSCar.
Eles avaliaram a eficiência do fertilizante em diferentes tipos de solo: arenoso, médio e argiloso. A tecnologia demonstrou adaptação e desempenho superiores em todos os cenários testados.
Liberação lenta e eficiente dos nutrientes
Uma das grandes inovações do fertilizante de vidro está na sua liberação lenta de nutrientes. Ao contrário dos fertilizantes comuns, que exigem reaplicações frequentes, o composto vítreo se dissolve gradualmente no solo, liberando nutrientes conforme a necessidade da planta.
Essa liberação é controlada tanto pela composição do vidro quanto pelo uso de hidrogéis, polímeros que armazenam e liberam água e nitrogênio.
Segundo o pesquisador José Hermeson da Silva Soares, essa combinação garante uma nutrição mais eficiente, adaptável ao pH e às condições específicas de cada solo.

Além de aumentar o rendimento agrícola, o fertilizante de vidro tem outro papel estratégico: contribuir para a autossuficiência brasileira em fertilizantes.
O país tem reservas de rochas fosfáticas, mas sua exploração ainda é limitada. A nova tecnologia oferece uma alternativa viável para atender à crescente demanda da produção agrícola.
“Precisamos desenvolver alternativas, já que a produção agrícola continuará se expandindo”, afirmou Danilo Manzani.
Já Silva, que atua no doutorado com o tema, destacou que os estudos também comprovaram que o vidro não é tóxico para as plantas — algo até então pouco documentado na literatura científica.
Próximos passos: testes em campo e redução de custos
A equipe agora se prepara para testes em condições reais de cultivo. O objetivo é adaptar o processo para reduzir os custos de produção, tornando o fertilizante acessível aos agricultores brasileiros.
O potencial da tecnologia também pode abrir caminho para novas aplicações na agricultura, tornando o vidro um aliado cada vez mais presente no campo.
Com a inovação, o fertilizante de vidro surge como uma solução promissora para impulsionar o rendimento agrícola nacional, promover sustentabilidade e reduzir a dependência do Brasil por produtos estrangeiros.
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