O fechamento de uma fábrica em Urussanga, no Sul de Santa Catarina, caiu como um choque para trabalhadores, moradores e comerciantes da região. A Dexco, uma das gigantes brasileiras do setor de materiais de construção, decidiu encerrar as atividades da sua unidade de revestimentos cerâmicos na cidade e concentrar a produção em outras duas operações.
A decisão atinge diretamente 159 trabalhadores demitidos, além de outros profissionais que permanecem temporariamente para atividades ligadas ao estoque e funcionários que devem ser transferidos para Criciúma. A produção será concentrada nas unidades de Criciúma, em Santa Catarina, e Botucatu, em São Paulo.
O caso rapidamente ganhou repercussão porque não envolve apenas uma mudança interna de empresa. Para uma cidade com tradição industrial, o encerramento de uma fábrica desse porte levanta uma pergunta incômoda: por que grandes companhias estão preferindo concentrar operações em menos unidades, enquanto cidades menores ficam com o peso das demissões?
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Fechamento atinge trabalhadores e deixa Urussanga em alerta

A unidade de Urussanga fazia parte da operação de revestimentos cerâmicos da Dexco, segmento ligado ao mercado de construção, reformas e acabamento. Com o fechamento, a cidade perde uma estrutura industrial relevante e vê dezenas de famílias serem diretamente impactadas.
De acordo com informações divulgadas por veículos locais, a unidade contava com 213 trabalhadores. Desse total, 159 foram desligados, cerca de 30 permanecem temporariamente para apoiar a comercialização dos produtos em estoque, e 24 devem ser transferidos para Criciúma.
Na prática, o anúncio não mexe apenas com a rotina dos funcionários. Uma fábrica movimenta transporte, alimentação, comércio, serviços terceirizados, fornecedores e pequenas atividades ao redor. Quando uma planta desse tipo fecha as portas, o impacto costuma ser sentido muito além dos portões da empresa.
Empresa fala em eficiência, mas demissões geram desconforto
A Dexco apresentou a decisão como parte de uma reorganização operacional. A empresa informou que pretende adequar sua estrutura industrial, aumentar a eficiência dos ativos, melhorar a produtividade e concentrar a produção em unidades consideradas mais estratégicas.
Esse tipo de justificativa é comum no mundo corporativo, mas costuma gerar desconforto quando vem acompanhado de centenas de pessoas afetadas direta ou indiretamente. Para o mercado, a palavra é eficiência. Para o trabalhador, a realidade é outra: perda de emprego, incerteza e medo do futuro.
A empresa também informou que o fechamento da unidade não deve gerar impacto material nos resultados consolidados. Os custos ligados ao encerramento devem ser tratados como não recorrentes, ou seja, despesas pontuais dentro do processo de reorganização.
Produção vai para Criciúma e Botucatu
Com a saída de Urussanga, a produção será concentrada nas unidades de Criciúma (SC) e Botucatu (SP). A mudança reforça uma tendência cada vez mais visível no setor industrial brasileiro: menos fábricas, mais concentração e busca por maior escala produtiva.
Para a companhia, a estratégia pode representar ganho de competitividade. Para Urussanga, porém, a conta é diferente. A cidade perde postos de trabalho, perde circulação econômica e passa a depender da chegada de novos investidores para reaproveitar a estrutura deixada pela fábrica.
Representantes da empresa se reuniram com a prefeita Stela de Agostin Talamini, e o município passou a articular alternativas para o espaço industrial. A ideia é tentar atrair novas empresas e reduzir o impacto econômico deixado pelo fechamento da unidade.
Custo Brasil entra no centro da discussão

La unidad cerrada en Urussanga formaba parte de la producción de revestimentos cerâmicos, sector que transforma placas como las de la imagen en pisos y acabamentos usados en obras, reformas e imóveis en todo o Brasil; con el cierre, 159 trabalhadores foram demitidos y la producción pasó a ser concentrada en Criciúma e Botucatu.
Embora a Dexco tenha atribuído oficialmente a decisão a uma reorganização operacional, o fechamento acontece em um ambiente de forte debate sobre o custo de produzir no Brasil. Indústrias convivem com juros elevados, pressão sobre margens, custos de energia, carga tributária complexa e incertezas ligadas à transição da reforma tributária.
Esse ponto é o que divide opiniões. De um lado, empresas defendem ajustes para manter rentabilidade e competitividade. Do outro, trabalhadores e cidades pequenas questionam por que a conta quase sempre aparece em forma de demissões, fechamento de unidades e concentração de produção.
A partir de 2026, o país também entra em uma fase importante de adaptação ao novo sistema de impostos sobre consumo, com CBS e IBS. Mesmo sem relação direta confirmada com o fechamento da fábrica, esse ambiente aumenta a pressão sobre empresas que precisam revisar custos, sistemas, operações e planejamento fiscal.
Governo, empresas e trabalhadores: quem paga a conta?
O caso de Urussanga coloca na mesa uma discussão maior e desconfortável. Quando o ambiente econômico aperta, quem deve pagar a conta: o governo, as empresas ou os trabalhadores?
Para muitos empresários, o Brasil ainda é um país caro para produzir, com burocracia, instabilidade tributária e crédito caro. Para trabalhadores, porém, esse discurso não reduz o impacto de perder o emprego de um dia para o outro, especialmente em cidades onde uma fábrica tem peso relevante na economia local.
É justamente essa tensão que transforma o fechamento da unidade da Dexco em um caso que vai além de Santa Catarina. A decisão revela o choque entre a lógica empresarial de eficiência e a realidade social de municípios que dependem da indústria para manter renda, consumo e estabilidade.

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