Andréa Westphal, de 43 anos, Luciano Westphal, de 47, e os filhos Leah e Ian, de 7 e 5, deixaram Guarujá, partiram de Grenada em agosto de 2022 no veleiro Liberdade e passaram por Caribe, Panamá, Galápagos, Polinésia Francesa e Nova Zelândia. Hoje estão em Fiji, sem data de volta
Uma família de Guarujá, no litoral de São Paulo, vive há quatro anos a bordo do veleiro Liberdade dando a volta ao mundo: Andréa Ruber de Freitas Westphal, de 43 anos, o marido, Luciano Westphal, de 47, e os filhos Leah e Ian, de 7 e 5 anos. Eles partiram de Grenada, no Caribe, em agosto de 2022, e ainda não sabem quando vão retornar ao Brasil.
As informações foram publicadas pelo g1 Santos em 8 de setembro de 2026, em reportagem de Natália Brito e Gyovanna Soares, com declarações de Andréa e do casal ao portal.
Sonho de Luciano, barco na Flórida e três anos de férias nas Bahamas

Antes de transformar o veleiro Liberdade em casa, Luciano, que já havia trabalhado na área náutica, tinha o sonho de navegar pelo mundo.
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Leah em 2018, novo veleiro e um plano adiado pela pandemia
Em 2018 nasceu a primeira filha, Leah. Na época, os dois compraram outro veleiro e planejavam iniciar a volta ao mundo quando a menina completasse um ano.
A pandemia de Covid-19 adiou os planos. Nesse período, o casal decidiu ter o segundo filho e aproveitar a facilidade de ainda estar em terra.
Ian em 2021 e a partida de Grenada em agosto de 2022
Ian nasceu em 2021, e os pais esperaram até que ele completasse um ano para finalmente partir.
A família deixou Grenada, no Caribe, em agosto de 2022. O plano inicial, segundo Andréa, era concluir o percurso em três ou quatro anos.
Bonaire a Cartagena, Canal do Panamá e Galápagos: a rota
Desde então, a família passou pelo Caribe, pela Colômbia, pelo Panamá e por diferentes ilhas do Pacífico.
O percurso incluiu Bonaire, Curaçao, Aruba, Cartagena, Bocas del Toro, a travessia do Canal do Panamá, as Ilhas Galápagos, as Marquesas, a Polinésia Francesa, Niue, Tonga, Fiji e Nova Zelândia.
Um ano na Polinésia Francesa, seis meses na Nova Zelândia e Fiji de novo
Em alguns destinos, a permanência foi mais longa: cerca de um ano na Polinésia Francesa e seis meses na Nova Zelândia.
Atualmente, a família está novamente em Fiji, na Oceania, conforme o g1.
Currículo americano e escolas em Grenada, Panamá, Polinésia e Nova Zelândia
Leah e Ian seguem um currículo americano e, sempre que possível, estudam presencialmente durante as paradas.
Desde o início da jornada, já frequentaram escolas em Grenada, no Panamá, na Polinésia Francesa e na Nova Zelândia.
“Geografia nas navegações, história nas culturas, biologia no mar”

No veleiro, o aprendizado também faz parte da rotina, e as experiências da viagem servem como oportunidade de estudo, segundo Andréa.
“Geografia aparece durante as navegações, história no contato com diferentes culturas e biologia nas experiências com animais e ambientes marinhos”, relatou.
“Uma infância mais vivida”: a escolha dos pais

Para os pais, estar constantemente ao lado dos filhos é uma das principais vantagens da escolha, que permite acompanhar de perto as descobertas das crianças, mas significa abrir mão de uma infância mais convencional.
“Quando decidimos viver dessa maneira, sabíamos que estávamos escolhendo para elas uma infância diferente da convencional. Não queríamos necessariamente que elas tivessem uma infância mais fácil, mas uma infância mais vivida”, relatou o casal.
YouTube, consultoria náutica e investimentos: de onde vem a renda
Andréa edita vídeos para o YouTube e administra as redes sociais. Luciano, com experiência na área náutica, passou a fazer consultorias e trabalhos de manutenção de motores durante a viagem.
Segundo eles, a principal fonte de renda da família vem de investimentos.
Manutenção, refeições e travessias: a rotina no Liberdade
Os dias são divididos entre estudos, trabalho, preparo das refeições, planejamento das próximas etapas e manutenção do veleiro. A alimentação exige planejamento antes de travessias longas ou da chegada a regiões remotas, e o barco precisa estar abastecido e em condições de seguir.
“Inicialmente foi muito difícil, porque a sensação que tínhamos era de realmente estar deixando tudo para trás. Com o passar dos anos, percebemos que agora só precisamos ter com a gente coisas que realmente importam”, afirmou o casal sobre deixar objetos, casa e rotina no Brasil.
“Não é férias permanentes”: cansaço, medo e responsabilidades
Depois de quatro anos, a família conhece o lado menos romântico da vida no mar: travessias difíceis, problemas no barco, preocupações com o clima e tarefas que precisam ser resolvidas antes de qualquer passeio.
“A vida a bordo não é uma vida perfeita e muito menos férias permanentes. É uma vida real, com cansaço, responsabilidades, medo, trabalho e problemas, só que é uma vida única, incrível em todos os sentidos”, disse Andréa. Os quatro cuidam da casa, da segurança, da alimentação, do trabalho, dos estudos e do barco, e as decisões são tomadas em família.
Plano de três ou quatro anos virou modo de vida, e Fiji é a parada de setembro de 2026
Em 8 de setembro de 2026, a família estava em Fiji, quatro anos depois da partida de Grenada, sem data para voltar ao Brasil. “Depois de quatro anos, estamos percebendo que a nossa volta ao mundo deixou de ser apenas uma viagem para se tornar a nossa própria maneira de viver”, disse Andréa.
“Hoje, não sentimos que estamos vivendo ‘longe do mundo’. Sentimos justamente o contrário. Estamos vivendo o mundo”, finalizou.
Na sua opinião, uma infância em um veleiro, com escolas em quatro países e aulas de geografia nas travessias, é mais rica ou mais arriscada do que a infância convencional que Leah e Ian teriam em Guarujá? Deixe sua opinião nos comentários.
