Em 13 de setembro de 1983, Júlio de Deus Filho achou no garimpo de Serra Pelada, no Pará, a Pepita Canaã: 60,8 kg brutos e 56,61 kg de ouro, segundo o Banco Central, que a comprou em 1984. É a maior pepita existente, exposta no Museu de Valores, em Brasília
A Pepita Canaã, encontrada pelo garimpeiro Júlio de Deus Filho em Serra Pelada, no Pará, em 1983, é a maior pepita de ouro que ainda existe no mundo: 60,8 quilos de peso bruto, com 56,61 quilos de ouro, segundo o Banco Central, que a mantém em exposição no Museu de Valores, em Brasília. As pepitas maiores já registradas, todas na Austrália no século XIX, foram derretidas ou esmagadas na época, o que deixou a brasileira como a única gigante preservada.
As informações foram publicadas pela Exame em 8 de outubro de 2025, em texto da colaboradora Luanda Moraes, em levantamento das maiores pepitas já encontradas entre 1842 e 1983. Os dados de data exata, teor de ouro, origem da pedra e aquisição vêm do próprio Banco Central do Brasil.
Serra Pelada, 13 de setembro de 1983: o dia do achado

Júlio de Deus Filho encontrou a pepita em 13 de setembro de 1983, no garimpo de Malvina, em Serra Pelada, no Pará, conforme o Banco Central.
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A Exame situa o achado como o mais recente da lista das grandes pepitas, encerrando um ciclo de descobertas que começou em 1842 nos Montes Urais.
60,8 kg brutos e 56,61 kg de ouro: os números do Banco Central
A Pepita Canaã tem 60,8 quilos de peso bruto e 56,61 quilos de ouro contido, segundo o Banco Central. A Exame descreve a peça como tendo 92% de ouro puro.
Pelos números do banco, o teor fica em torno de 93%, uma diferença pequena em relação ao percentual citado pela revista, e que não muda a posição da pedra no ranking.
Pedaço de uma pedra de 150 kg que se quebrou na retirada
Conforme o Banco Central, a Pepita Canaã é parte de uma pepita muito maior, de cerca de 150 quilos, que se partiu durante a extração.
O bloco original, se tivesse saído inteiro, superaria a Holtermann Nugget, de 100 quilos, que a Exame lista como a maior já registrada. O que se preservou foi o pedaço de 60,8 quilos.
Comprada pelo Banco Central em 1984, quando o BC adquiria ouro dos garimpos
A pepita foi incorporada ao acervo do museu em 1984, quando o Banco Central a adquiriu. Na época, segundo a instituição, o banco comprava ouro dos garimpos para compor as reservas internacionais do país.
Em vez de ser fundida como as demais, a Canaã foi mantida em estado natural. A Exame não informa o valor pago a Júlio de Deus Filho.
Museu de Valores, em Brasília: a maior pepita em exposição no mundo

A Pepita Canaã está em exposição no Museu de Valores do Banco Central, em Brasília, onde pode ser vista pelo público, segundo a Exame.
O Banco Central a descreve como a maior pepita em exposição no mundo e a maior já encontrada no Brasil. Ela integra um conjunto de pepitas de Serra Pelada exibidas no museu em estado natural.
Holtermann, 1872: 100 kg com quartzo, 75 kg de ouro, esmagada
Em 1872, Bernhardt Holtermann encontrou em Hill End, na Austrália, a maior pepita já registrada no mundo. O achado pesava cerca de 100 quilos, sendo 75 quilos de ouro puro misturado com quartzo.
A descoberta foi feita em uma veia subterrânea, e o material foi esmagado para extração do ouro. Sobrevivem apenas registros fotográficos.
Welcome Stranger, 1869: 71 kg nas raízes de uma árvore, vendida por £9.400 e derretida
A maior pepita pura já encontrada estava a poucos centímetros da superfície, presa às raízes de uma árvore em Moliagul, em Victoria. John Deason e Richard Oates a descobriram em 1869.
O achado de 71 quilos foi vendido por £9.400 e derretido logo depois. Hoje, réplicas podem ser vistas em museus australianos, como o de Dunolly.
Welcome Nugget, 1858: 69 kg a 55 metros, achada por 22 mineiros
Um grupo de 22 mineiros descobriu a Welcome Nugget em 1858, em Bakery Hill, na região de Ballarat. A pepita de 69 quilos estava a 55 metros de profundidade.
Vendida por £6.000, ela também foi derretida, restando apenas a história nos registros da mineração australiana.
Por que a Canaã é a maior que “ainda existe”: as australianas viraram barras
A Austrália domina a lista das maiores descobertas, com três pepitas gigantes do século XIX. A diferença, segundo a Exame, é que as australianas foram derretidas na época.
A Pepita Canaã, com 60,8 quilos, fica atrás de Holtermann, Welcome Stranger e Welcome Nugget no peso, mas é a maior que sobreviveu intacta. É por isso que ocupa o posto de maior pepita em exposição no mundo.
Great Triangle, 1842, e Hand of Faith, 1980: as outras preservadas
Nikofor Syutkin descobriu em 1842, a 3,5 metros de profundidade em Miass, nos Montes Urais, uma pepita de 36,2 quilos com forma triangular. A Great Triangle está preservada na coleção Diamond Fund do Kremlin, em Moscou.
Em 1980, Kevin Hillier achou com detector de metal, em Kingower, na Austrália, a Hand of Faith, a maior já encontrada com esse equipamento. A Exame cita 27,1 quilos no subtítulo e 27,2 quilos no texto; a pepita foi vendida por US$ 1 milhão e está em exibição no Golden Nugget Casino, em Las Vegas.
Em exposição em Brasília desde 1984, a Canaã segue no acervo do Banco Central
Quando a Exame publicou o levantamento, em 8 de outubro de 2025, em meio a uma alta recorde do ouro, a Pepita Canaã continuava no Museu de Valores do Banco Central, em Brasília, aberta ao público.
Nem a Exame nem o Banco Central informam o que aconteceu com Júlio de Deus Filho depois do achado nem quanto ele recebeu pela pedra. O que está registrado é a data, 13 de setembro de 1983, o peso, 60,8 quilos, e o destino: a vitrine em Brasília.
Na sua opinião, o Banco Central acertou ao preservar a Pepita Canaã em vez de fundi-la para as reservas, ou uma pedra com 56,61 quilos de ouro deveria estar rendendo como ativo em vez de ficar em exposição? Deixe sua opinião nos comentários.
