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Mecânico de 43 anos que avisou que a gaiola estava mal travada nos garfos da empilhadeira antes de subir vai receber R$ 200 mil da rede atacadista, seis anos depois, por decisão da Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho

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Escrito por Douglas Avila Publicado em 09/09/2026 às 04:14 Atualizado em 09/09/2026 às 04:50
Empilhadeira movimenta uma caixa sobre palete em galpão de distribuição, cena semelhante à do processo julgado pela Sexta Turma do TST
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Um mecânico de 43 anos olhou para a gaiola em que ia subir, viu que ela estava apoiada num palete sem o travamento correto nos garfos da empilhadeira e questionou a operadora. Ouviu que o equipamento estava seguro. Seis anos depois, a indenização a mecânico foi confirmada pela Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho em R$ 200 mil.

O episódio é de outubro de 2020, numa rede atacadista. Ele precisava consertar um vazamento de água na área superior do estabelecimento.

O protocolo de segurança da empresa previa o uso de uma gaiola acoplada à empilhadeira para chegar lá em cima, e foi esse equipamento que ele foi usar naquele dia.

Ele viu o defeito antes de subir e falou em voz alta

Este é o detalhe que sustenta o processo inteiro.

O mecânico percebeu que a operadora da empilhadeira havia posicionado a gaiola inadequadamente sobre um palete, sem o travamento correto nos garfos da máquina, e em vez de subir calado ele questionou a operadora sobre a segurança da operação.

A resposta que recebeu foi que o equipamento estava seguro.

Durante o procedimento, a gaiola se desprendeu e caiu.

Corredor de galpão logístico com paletes empilhados em estruturas metálicas

A empresa apontou o cinto de segurança e anexou o vídeo

A defesa construiu a tese em cima de uma omissão do trabalhador. Segundo a empresa, ele não cumpriu o protocolo de segurança porque não usou o cinto.

Mais que isso, a empresa sustentou que a verificação do cinto era responsabilidade do próprio trabalhador, e não da operadora da empilhadeira que montou o conjunto.

Para provar o ponto, anexou ao processo o vídeo do episódio.

O Tribunal Regional disse que o cinto não foi o que causou a queda

O argumento não sobreviveu à análise técnica.

O Tribunal Regional do Trabalho salientou que a não utilização do cinto de segurança não foi determinante para o que aconteceu, e que o fator decisivo foi a gaiola ter se soltado, exatamente o risco que o mecânico havia apontado antes de subir.

É uma distinção importante e nem sempre óbvia. Uma coisa é descumprir uma regra, outra é essa regra descumprida ser a causa do dano.

O laudo pericial listou sequelas que mudaram a vida do trabalhador

O impacto deixou marcas permanentes, e a perícia as descreveu uma a uma.

Houve perda de mobilidade do braço direito, incapacidade de carregar pesos, diferença de 3 centímetros no quadril e de 2 centímetros no calcanhar, dores crônicas, desgaste emocional e disfunção sexual, além do fim de um casamento de 15 anos.

Ele passou por 16 cirurgias.

A perícia confirmou politraumatismo, múltiplas fraturas, sequelas funcionais e estéticas em grau moderado e invalidez parcial permanente para trabalhos braçais, que eram justamente os que ele fazia.

Vista interna de centro de distribuição com paletes e caixas organizados

A primeira instância registrou que não era caso isolado na empresa

O juízo de origem constatou a responsabilidade da empregadora e acrescentou uma informação que pesa muito na leitura do caso.

A sentença destacou que não se tratava de episódio isolado, porque outro empregado havia perdido a vida em situação similar dentro da mesma operação.

Com esse quadro, a primeira instância fixou R$ 100 mil por dano moral e R$ 70 mil por danos estéticos.

O capital social da empresa entrou na conta do aumento

O Tribunal Regional elevou uma das parcelas, e o critério merece atenção de quem acompanha esse tipo de julgamento.

Considerando o capital social de R$ 18 milhões da empresa, o regional aumentou a indenização por danos estéticos de R$ 70 mil para R$ 100 mil, igualando as duas parcelas.

O total passou a ser R$ 200 mil, somando dano moral e dano estético.

Operador de empilhadeira movimenta paletes em galpão de distribuição

No TST, a discussão foi só sobre proporcionalidade

O relator na Sexta Turma foi o ministro Augusto César. Ele explicou o filtro que o tribunal usa nesses recursos.

Indenizações por dano moral só são revisáveis em recurso de revista quando os valores se mostram desproporcionais, e não sempre que a parte discorda do montante fixado nas instâncias anteriores.

Ao olhar as sequelas atestadas no laudo pericial, incluindo a disfunção sexual, o relator considerou que R$ 100 mil para cada tipo de dano não é desproporcional.

A decisão foi unânime.

Dano moral e dano estético são coisas diferentes, e por isso somam

Quem lê a manchete estranha a soma, então convém explicar a separação que o processo faz.

O dano moral responde pelo sofrimento, pela dor e pelo abalo de quem foi atingido, enquanto o dano estético responde pela alteração permanente e visível do corpo, e por isso as duas parcelas coexistem sem que uma anule a outra.

No caso do mecânico, a perícia atestou as duas frentes ao mesmo tempo: sequelas funcionais que limitam o movimento e sequelas estéticas em grau moderado, além das diferenças de altura entre um lado e outro do corpo.

Foi por isso que a conta chegou a duzentos mil reais somando as duas rubricas.

A cronologia mostra quanto tempo esse tipo de processo consome

Vale colocar as datas em fila, porque elas dizem algo que os valores não dizem.

A operação com a gaiola aconteceu em outubro de 2020, e a decisão final da Sexta Turma do Tribunal Superior do Trabalho só foi divulgada em 8 de setembro de 2026, quase seis anos depois, com passagem por primeira instância, Tribunal Regional e recurso de revista.

Nesse intervalo o trabalhador passou pelas dezesseis cirurgias, perdeu a capacidade para o serviço braçal e viu o casamento acabar.

O que fica de prático para quem trabalha em altura

Vou ser honesto sobre o que mais me chamou atenção aqui, e não é o valor.

É o fato de o trabalhador ter enxergado o risco, dito em voz alta que a gaiola estava mal travada, recebido uma garantia verbal de que estava tudo bem e subido assim mesmo, porque era o que se esperava dele naquele momento.

A decisão não pune quem perguntou. Ela responsabiliza quem respondeu que estava seguro sem que estivesse.

O relato completo do julgamento, com os valores e o fundamento do relator, está publicado no portal do Tribunal Superior do Trabalho.

Quem trabalha com empilhadeira e gaiola sabe que essa cena se repete todo dia em algum galpão do país. Conta nos comentários se você já subiu num equipamento que sabia estar mal montado.

Se o colega garantisse que o equipamento está seguro, você subiria mesmo vendo que o travamento está errado?

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Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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