Equipamento de alvenaria trabalha a partir de projetos digitais, posiciona blocos com sensores e pode usar espuma adesiva no lugar da argamassa tradicional. Apesar da produtividade atribuída ao sistema, a operação ainda exige profissionais para supervisão, abastecimento e tarefas manuais.
O WLTR, robô de assentamento de alvenaria apresentado no Reino Unido, automatiza uma das tarefas mais repetitivas de uma obra: levantar paredes. Em demonstração registrada pela Reuters, o empresário Jan Telensky afirmou que a máquina produz, em uma hora, o equivalente ao trabalho de cinco pedreiros e um ajudante, com operação humana.
A comparação de produtividade não significa um canteiro sem trabalhadores. A documentação técnica do WLTR informa que o sistema trabalha com um operador e um profissional de apoio, responsável pelo abastecimento dos materiais e por atividades que permanecem fora do alcance da máquina.
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A ficha técnica do WLTR registra produtividade média de 7,5 metros quadrados de alvenaria por hora, com pico de 10 metros quadrados, e alcance de até 3,5 metros de altura. O equipamento segue um modelo digital da parede, usa sensores para alinhamento e posiciona os blocos conforme o projeto carregado no sistema.
Telensky também afirmou à Reuters que a tolerância da parede chega a dois milímetros e que o equipamento pode trabalhar sob diferentes condições climáticas sem andaimes. A declaração foi feita durante uma apresentação do WLTR em Londres, quando o desenvolvedor demonstrou o sistema assentando blocos em uma parede de teste.
Como o WLTR constrói a parede

Antes do assentamento, o robô utiliza referência a laser para localizar a parede e acompanhar seu alinhamento. O braço mecânico retira as peças do palete, aplica o material de união e repete o ciclo conforme o modelo digital definido para a estrutura.
A automação de paredes diretamente no canteiro já aparece em outros projetos de robótica para construção, mas o WLTR utiliza blocos preparados para esse tipo de operação. Sensores permitem verificar as peças durante o processo, enquanto o mecanismo de captura depende de formatos compatíveis com o equipamento.
Quando chega ao limite da área em que está trabalhando, o WLTR pode se deslocar ao longo da parede por meio de um sistema hidráulico integrado. Para outras movimentações dentro do mesmo pavimento, a máquina e os paletes precisam ser reposicionados com equipamentos apropriados de movimentação de carga.
Uma diferença importante está no material usado entre os blocos. O sistema pode aplicar espuma adesiva Porotherm Dryfix, distribuída automaticamente sobre as peças, substituindo a argamassa convencional nessa configuração de alvenaria.
A própria documentação do WLTR prevê, porém, outro método de união: a argamassa de camada fina Porotherm Profi. Por isso, a formulação de que o sistema usa cola no lugar do cimento descreve uma possibilidade efetivamente oferecida pela máquina, mas não uma regra aplicável a qualquer parede, bloco ou projeto.
O trabalho humano que permanece

O abastecimento continua sob responsabilidade de pessoas. Quando um palete termina, o profissional de apoio retira a estrutura vazia e coloca outro conjunto de blocos na posição necessária, além de realizar tarefas que a máquina não executa durante o levantamento da parede.
Entre essas atividades estão cortes de peças, preparação de aberturas e instalação de elementos de ancoragem. A automação de tarefas físicas repetitivas na construção concentra parte do esforço mecânico nas máquinas, enquanto supervisão, logística, preparação e intervenções específicas continuam integradas ao trabalho da equipe.
Essa divisão também delimita o alcance da comparação com cinco pedreiros e um ajudante. A afirmação de Telensky se refere à capacidade produtiva do robô no assentamento de alvenaria, e não à substituição de todos os profissionais necessários para construir uma edificação.
A escassez de trabalhadores qualificados aparece entre os argumentos usados para apresentar o equipamento no mercado britânico. Telensky disse à Reuters que uma pesquisa feita por ele apontou idade média de 46 anos entre pedreiros no Reino Unido e relacionou esse dado à dificuldade de renovação da profissão.
O empresário também afirmou que a função de operador de robô despertou interesse entre jovens consultados por sua empresa. Na avaliação dele, a mudança de uma função predominantemente manual para uma atividade de controle de equipamentos pode ajudar a tornar esse tipo de trabalho mais atraente para novos profissionais.
Mais de 1 milhão de moradias entram no contexto
A apresentação do WLTR foi associada ao plano britânico de ampliar a oferta habitacional, que prevê mais de 1 milhão de novas moradias. A tecnologia aparece nesse contexto como uma ferramenta para elevar a capacidade de execução de uma etapa da obra diante da pressão por produtividade e mão de obra.
Não há indicação de que o WLTR tenha sido contratado para construir diretamente esse volume de casas. A relação com a meta habitacional está no potencial atribuído à automação para acelerar o assentamento de paredes em projetos que adotem materiais, planejamento digital e montagem automatizada compatíveis com esse tipo de sistema.
A operação exige projeto digital adequado, blocos preparados para automação, energia, água e espaço para movimentação, além da equipe responsável pelo acompanhamento do robô. Esses requisitos constam da documentação técnica e condicionam o uso do equipamento nos diferentes tipos de obra.
O próprio desenho do sistema mantém etapas humanas dentro da alvenaria: o WLTR executa o ciclo repetitivo de pegar, aplicar o material de união e posicionar blocos, enquanto profissionais continuam responsáveis pela preparação, pelo abastecimento, pela supervisão e pelas intervenções que permanecem manuais.

