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Trabalhador de Rio Grande vê sair do papel nesta quarta o terminal de celulose de R$ 1,3 bilhão que promete 1.200 vagas diretas, dentro do Projeto Natureza, o maior investimento privado já anunciado no Rio Grande do Sul

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 08/09/2026 às 00:33 Atualizado em 08/09/2026 às 01:00
Navios atracados e guindastes no Porto de Rio Grande, onde será construído o terminal de celulose da CMPC; imagem ilustrativa
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O trabalhador de Rio Grande vê nesta quarta-feira sair do papel o terminal de celulose de um bilhão e trezentos milhões de reais que promete mais de mil e duzentas vagas diretas, dentro do maior investimento privado já anunciado na história do Rio Grande do Sul.

A assinatura do contrato está marcada para 9 de setembro, às 9h, na planta industrial da companhia em Guaíba, conforme o Jornal do Comércio.

A cerimônia terá a presença da ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, além de visita às instalações e entrevista coletiva.

Não é anúncio de intenção.

É a formalização da concessão, ou seja, o documento que transfere à empresa o direito de usar a área do porto e, em troca, fixa prazo, obrigação de investir e contrapartida ao poder público.

R$ 1,3 bilhão no porto, e uma outorga que não se confunde com investimento

O terminal de celulose no Porto de Rio Grande recebe aporte previsto de R$ 1,3 bilhão.

Um número menor aparece na mesma notícia e costuma confundir. São R$ 2,14 milhões de outorga por uma área de 412 mil metros quadrados, ou seja, o valor pago pelo direito de usar o terreno, não o valor da obra.

Há ainda R$ 140 milhões destinados à dragagem do canal de acesso do porto.

Fardos de celulose sendo embarcados em navio graneleiro no cais, com caminhões ao lado; imagem ilustrativa

Sem dragagem, terminal novo não resolve nada

Essa linha de R$ 140 milhões costuma passar despercebida e é justamente a que decide se o projeto funciona.

Navio de celulose sai carregado e com calado profundo. Se o canal não acompanha a profundidade exigida, o terminal existe, porém o navio embarca menos carga ou espera a maré, e o custo por tonelada sobe.

Quem trabalha em porto sabe que berço novo sem canal fundo é obra pela metade.

Além disso, dragagem não é serviço que se faz uma vez. O canal assoreia, o sedimento volta e a manutenção vira despesa recorrente, o que costuma aparecer no contrato como obrigação de longo prazo.

O terminal é a ponta de um projeto de R$ 27 bilhões

O contrato assinado na quarta faz parte do chamado Projeto Natureza, que inclui a construção de uma nova fábrica de celulose em Barra do Ribeiro.

Somados, os aportes do projeto passam de R$ 27 bilhões, o que o coloca como o maior investimento privado já anunciado no Rio Grande do Sul.

A lógica é direta: a fábrica produz, o terminal escoa. Sem o segundo, o primeiro fica sem saída pelo mar.

Celulose brasileira é produto de exportação quase integral. O mercado interno absorve pouco, portanto qualquer fábrica nova nasce amarrada a uma solução portuária definida antes da primeira tonelada sair da linha.

Mais de 1.200 empregos diretos, e o que isso significa numa cidade portuária

A previsão é de mais de 1.200 postos diretos ligados ao empreendimento.

Em Rio Grande, esse número tem peso próprio. A cidade viveu o ciclo da construção naval, viu o estaleiro encolher e desde então convive com uma economia que depende do movimento do cais para reagir.

Emprego direto de terminal é o tipo de vaga que puxa outras atrás: transporte, manutenção, alimentação, serviço de apoio.

Por outro lado, convém separar as fases. A obra emprega muito e por pouco tempo; a operação emprega menos e para sempre. São dois números diferentes que costumam ser somados na hora do anúncio.

Terminal portuário da CMPC em Guaíba, no Rio Grande do Sul, registrado pela autoridade portuária do estado

O porto já vinha acumulando anúncios

O terminal da celulose não chega sozinho ao Porto de Rio Grande. O Ministério de Portos e Aeroportos já havia registrado que o complexo receberia cifras bilionárias em investimentos ligados a celulose e logística de exportação.

O movimento acompanha uma tendência clara na costa brasileira, com terminais privados sendo desenhados para produtos específicos, em vez de cais genérico que serve para tudo e não serve bem para nada.

Movimento parecido apareceu recentemente no Paraná, quando Paranaguá preparou mais de R$ 500 milhões em obras nos acessos ao porto.

Por que celulose e não contêiner

Celulose é carga de volume alto e valor médio, embarcada em fardos, que exige armazém coberto, esteira e berço dedicado.

Ela não disputa espaço com contêiner nem com grão. Por isso o desenho de terminal exclusivo faz sentido econômico: cada tipo de carga tem um ritmo de embarque e um equipamento próprio.

O Rio Grande do Sul, além disso, já concentra base florestal plantada, o que encurta a distância entre a fábrica e o cais.

Esse encurtamento é o que torna o projeto competitivo. Numa cadeia em que o frete pesa muito no custo final, cada quilômetro a menos entre o eucalipto e o navio aparece direto na margem.

O que a assinatura de quarta ainda não resolve

Contrato assinado não é obra entregue. Não há, nas informações divulgadas, cronograma público de início e conclusão das obras do terminal.

Também não foi detalhado quantos dos 1.200 empregos são da fase de construção e quantos ficam na operação, distinção que muda bastante o efeito de longo prazo na cidade.

A reportagem do Jornal do Comércio está atrás de assinatura, portanto os números acima foram conferidos em fontes complementares e são apresentados aqui com essa ressalva.

O calendário que interessa a quem mora lá

A data a marcar é quarta-feira. É quando a concessão deixa de ser processo e vira contrato, com prazo, obrigação e contrapartida definidos.

Depois disso, o que vale acompanhar é o edital de contratação das obras e o início efetivo da dragagem, porque são esses dois passos que costumam atrasar projeto portuário no Brasil.

Dá pra entender o otimismo na cidade. Também dá pra entender a cautela de quem já viu anúncio grande virar canteiro parado.

Vale acompanhar também o efeito sobre a mão de obra local. Rio Grande tem escola técnica e histórico de formação naval, portanto parte da qualificação exigida já existe na cidade e não precisa ser importada de fora.

Esse é o tipo de detalhe que separa investimento que fixa emprego de investimento que traz equipe pronta e vai embora quando a obra acaba.

O detalhamento da cerimônia e dos valores está na reportagem do Jornal do Comércio, e o contexto dos investimentos no porto está no registro do Ministério de Portos e Aeroportos.

Você confia que um terminal desse porte sai do papel no prazo, ou aposta em atraso na dragagem?

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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