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Falha de San Andreas atinge a “maior tensão em 1000 anos” e reacende o medo do “Big One”, mas um novo estudo mostra que não existe previsão de terremoto com dia e hora, e sim uma zona-chave a nordeste de Los Angeles que decide o tamanho da ruptura

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Escrito por Bruno Teles Publicado em 07/07/2026 às 15:39 Atualizado em 07/07/2026 às 15:41
Assista o vídeoFalha de San Andreas atinge a maior tensão em 1000 anos e reacende o medo do Big One, mas o estudo não prevê terremoto; entenda o portão sísmico de Cajon Pass
Falha de San Andreas atinge a maior tensão em 1000 anos e reacende o medo do Big One, mas o estudo não prevê terremoto; entenda o portão sísmico de Cajon Pass
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O geólogo brasileiro Leandro Ribeiro destrincha o artigo publicado na Journal of Geophysical Research, explica a tensão de Coulomb medida em 2025, o “portão sísmico” de Cajon Pass e por que a manchete assustadora não é uma previsão de terremoto

A notícia de que a falha de San Andreas chegou ao maior nível de tensão em 1000 anos correu o mundo e reacendeu o pânico do lendário “Big One”, mas a explicação real é mais interessante que o susto. Segundo o canal Professor Leandro Ribeiro, em vídeo publicado em junho de 2026, o geólogo brasileiro Leandro Ribeiro esmiúça o estudo por trás da manchete e crava: isso não é uma previsão de terremoto com dia, hora, local e magnitude, porque isso simplesmente não existe.

O ponto central é separar ciência de clickbait. A notícia se baseia num estudo científico real, publicado na revista Journal of Geophysical Research, que analisou o sistema de San Andreas e San Jacinto no sul da Califórnia e concluiu que o sistema está numa condição criticamente carregada, mas em nenhum momento marca a data de um grande terremoto, conforme o Professor Leandro Ribeiro explica. Quem transforma isso em “o grande terremoto está marcado” não entendeu o estudo ou está usando a manchete para assustar.

O que o estudo realmente diz, e o que não diz

Primeiro é preciso entender o que foi medido. Segundo o Professor Leandro Ribeiro, ninguém instalou um medidor na falha de San Andreas na Idade Média: os pesquisadores construíram um modelo físico do ciclo sísmico usando cerca de 1000 anos de registros paleossísmicos, evidências de terremotos antigos guardadas em rochas, sedimentos, datação por radiocarbono e até anéis de árvores.

Com esse modelo, dá para acompanhar a energia acumulada. O modelo simula como a tensão se acumulou e foi liberada ao longo de 1000 anos nos principais segmentos de San Andreas e San Jacinto, mostrando que um terremoto num trecho pode aliviar a tensão ali e ao mesmo tempo transferir carga para os segmentos vizinhos, conforme o Professor Leandro Ribeiro detalha. As rochas são elásticas, acumulam deformação como uma régua entortada, e liberam tudo de uma vez quando a resistência é vencida.

Por que não existe previsão de terremoto com dia e hora

Falha de San Andreas atinge a maior tensão em 1000 anos e reacende o medo do Big One, mas o estudo não prevê terremoto; entenda o portão sísmico de Cajon Pass
O traço da falha cortando o terreno da Califórnia, ao lado da estrada.

Aqui está a diferença que quase toda manchete ignora. Segundo o Professor Leandro Ribeiro, os geofísicos buscam sem parar uma forma de prever terremotos como se prevê uma tempestade, mas até hoje não existe: não dá para cravar dia, hora, local exato e magnitude de um tremor.

O que existe é outra coisa, e ela salva vidas. O que a ciência faz é a avaliação de perigo sísmico, uma estimativa de probabilidade com modelagem de cenários e planejamento de risco, que responde se a região tem falhas ativas, qual o histórico de rupturas e quanta tensão está acumulada, sem nunca marcar a hora do evento, conforme o Professor Leandro Ribeiro reforça. Prever é dizer o dia e a hora, e isso não sabemos fazer; avaliar o risco é dizer que a área precisa se preparar, e isso já salva muita gente.

O “portão sísmico” de Cajon Pass que decide o tamanho do tremor

O coração do estudo é uma passagem geológica a nordeste de Los Angeles. Segundo o Professor Leandro Ribeiro, a região de Cajon Pass é uma junção complexa entre o sistema de San Andreas e o de San Jacinto, que o artigo chama de “earthquake gate”, um portão sísmico que funciona como uma bifurcação de estrada.

É esse portão que define se o terremoto será grande ou gigante. Em alguns eventos, a ruptura chega ao portão sísmico e para ali; em outros, ela atravessa a junção e segue por outro sistema de falhas, e como a área rompida determina a magnitude e a duração da sacudida, o portão sísmico aberto ou fechado decide o tamanho do estrago, conforme o Professor Leandro Ribeiro mostra. Quando duas falhas importantes se conectam num mesmo evento, o problema é multiplicado.

Os números de tensão de 2025 na falha de San Andreas

Falha de San Andreas atinge a maior tensão em 1000 anos e reacende o medo do Big One, mas o estudo não prevê terremoto; entenda o portão sísmico de Cajon Pass
O esquema de um prédio com tecnologia antissísmica, mostrado no vídeo.

O estudo põe números na tensão acumulada. Segundo o Professor Leandro Ribeiro, em 2025 a chamada tensão de Coulomb chegou a cerca de 2,8 megapascais no segmento Mojave Sul da falha de San Andreas, cerca de 1,8 megapascal no segmento norte de San Bernardino e cerca de 3,6 megapascais no segmento San Jacinto San Bernardino.

Mas nem o próprio artigo crava um número fatídico. A tensão de Coulomb avalia se uma falha ficou mais ou menos favorável a escorregar, e o risco de a ruptura saltar de uma falha para outra depende de como as tensões estão distribuídas e alinhadas entre os segmentos, sem existir um valor universal que garanta “passou daqui, o terremoto acontece”, conforme o Professor Leandro Ribeiro pondera. O comportamento de uma falha depende da geometria, do atrito, da pressão de fluidos e da história de tremores anteriores, um sistema interligado e complexo.

1812 e 1857: o portão aberto e o portão fechado

A história dá dois exemplos claros do mecanismo. Segundo o Professor Leandro Ribeiro, o terremoto de 1812, o Wrightwood, provavelmente rompeu atravessando o portão sísmico e envolveu segmentos de San Andreas e de San Jacinto, o exemplo do portão aberto.

O contraexemplo veio décadas depois. O terremoto de Fort Tejon, em 1857, de magnitude aproximada de 7,9, rompeu uma grande parte de San Andreas mas parou em Cajon, ou seja, o portão sísmico funcionou como barreira e estava fechado, conforme o canal Professor Leandro Ribeiro no YouTube compara. Para efeito de escala, o maior terremoto já registrado foi o de Valdívia, no Chile, em 1960, de magnitude 9,5 a 9,6, perto do limite prático de cerca de 9,8 da Terra.

Preparação não é pânico: código de obra e reforço de ponte

O recado prático do vídeo é o oposto do desespero. Segundo o Professor Leandro Ribeiro, tratar o cenário como plausível não é entrar em pânico, e sim investir em código de construção adequado, reforço de pontes, plano de emergência, rotas de evacuação e treinamento da população desde a escola.

O risco humano depende mais da preparação do que da falha. Um grande terremoto na região poderia afetar Los Angeles, San Bernardino, Riverside e o Vale de Coachella, além de rodovias, ferrovias e corredores de energia, e o tamanho do desastre depende da qualidade das construções, do tipo de solo e da resposta de emergência, não de um apocalipse de cinema, conforme o Professor Leandro Ribeiro frisa. A Califórnia não vai cair no mar, ao contrário do que mostram os filmes: o que ocorre é o deslocamento lateral do terreno ao longo da falha.

O que muda para o Brasil, que quase não treme

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Vídeo do YouTube

Para o leitor brasileiro, a notícia é aula, não alarme. O Brasil fica no meio da placa Sul-Americana, longe de bordas como a de San Andreas, e por isso tem sismicidade baixa, com tremores em geral fracos, o que não elimina a existência de falhas locais nem a necessidade de norma técnica em obras.

A lição vale como cultura sísmica. Terremotos acontecem desde que a Terra formou as placas tectônicas há bilhões de anos, e a taxa sísmica de hoje é parecida com a de milhares de anos atrás, então o trabalho não é prever o impossível, e sim construir cidades que convivam com o risco, um contexto científico consolidado. Do sul da Califórnia ao interior do Brasil, a ciência não controla a natureza, mas ler as pistas geológicas reduz a surpresa, e reduzir a surpresa em área de risco salva vidas.

O vídeo destrincha o estudo da falha de San Andreas, o portão sísmico de Cajon Pass, os números da tensão de Coulomb e a diferença entre prever e avaliar o risco de um terremoto.

A explicação do geólogo brasileiro mostra que a geologia real já é impressionante o bastante, sem precisar inventar apocalipse. Conta pra gente nos comentários: tu achavas que dava para prever um terremoto com dia e hora?

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Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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