Empresas chinesas ampliam o uso de robôs humanoides em linhas de produção para executar tarefas repetitivas e enfrentar a escassez de mão de obra.
A indústria chinesa está acelerando a adoção de robôs humanoides em fábricas, mas não para substituir todos os trabalhadores de uma vez. O foco inicial está nas tarefas repetitivas, fisicamente exigentes e consideradas pouco atrativas, como inspeção de peças, movimentação de componentes, abastecimento de linhas de produção e montagem de produtos eletrônicos.
Uma das empresas que lidera esse movimento é a AgiBot, fabricante de robôs humanoides fundada em 2023 por ex-engenheiros da Huawei. Nos últimos meses, a companhia passou a demonstrar seus robôs trabalhando em linhas de produção reais e anunciou que já ultrapassou a marca de 15 mil robôs produzidos, ampliando sua capacidade de fabricação para atender empresas industriais.
A meta é automatizar tarefas repetitivas, e não substituir todas as profissões
Segundo William Shi, presidente da AgiBot para Europa e Américas, o objetivo da empresa é utilizar robôs humanoides principalmente em atividades consideradas perigosas, repetitivas ou pouco desejadas pelos trabalhadores.
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Esses robôs estão sendo desenvolvidos para executar funções como transportar peças, alimentar máquinas, realizar inspeções visuais e auxiliar em processos de montagem dentro de fábricas.
A empresa afirma que, no futuro, os humanoides poderão atuar também em outras áreas, mas o foco atual permanece no mercado industrial.
Robôs já trabalham em linhas de produção de eletrônicos
Uma das demonstrações mais recentes ocorreu em uma fábrica da Longcheer Technology, fabricante chinesa de produtos eletrônicos.
Durante uma transmissão ao vivo realizada pela AgiBot, os robôs humanoides permaneceram em operação por mais de 64 horas, executando diferentes etapas da linha de produção.
Segundo a empresa, eles participaram de mais de quatro fluxos industriais, realizaram 64.828 tarefas, contribuíram para a fabricação de 17.625 tablets e atingiram uma taxa de sucesso informada de 99,99% nas atividades executadas. Esses números foram divulgados pela própria AgiBot e representam resultados internos da demonstração.
A China aposta nos robôs para enfrentar a falta de mão de obra
A expansão da robótica ocorre em meio ao envelhecimento da população chinesa e à redução gradual da oferta de trabalhadores em idade ativa.
Segundo a Reuters, o governo chinês investe bilhões de dólares para estimular o desenvolvimento de robôs humanoides como parte da estratégia nacional de modernização industrial.
Ao mesmo tempo, empresas buscam aumentar a produtividade e reduzir a dependência de atividades manuais repetitivas, principalmente em setores como eletrônicos, automóveis e logística.
Ainda existem limitações importantes
Apesar dos avanços, especialistas afirmam que os robôs humanoides ainda estão longe de substituir trabalhadores em larga escala.
A Reuters destaca que a maior parte dos equipamentos continua operando em ambientes altamente controlados, onde as tarefas são previsíveis e repetitivas.
Problemas relacionados à destreza das mãos, autonomia, custo e confiabilidade ainda limitam a adoção em muitas atividades mais complexas. Em 2025, por exemplo, apenas cerca de 12 mil robôs humanoides foram vendidos na China, grande parte destinada a pesquisa e testes industriais.
A corrida envolve dezenas de empresas
A AgiBot não está sozinha nessa disputa. Diversas empresas chinesas vêm investindo em robôs humanoides para aplicações industriais, impulsionadas por uma cadeia de suprimentos fortalecida pela indústria de veículos elétricos e pelos avanços recentes em inteligência artificial.
Além do hardware, um dos principais desafios está no desenvolvimento de sistemas capazes de ensinar os robôs a manipular objetos com precisão semelhante à humana, especialmente utilizando mãos robóticas mais sofisticadas.
O futuro da automação deve começar pelas tarefas mais repetitivas
Especialistas ouvidos por veículos internacionais destacam que os primeiros impactos da robótica humanoide devem ocorrer justamente em funções repetitivas dentro de fábricas e centros logísticos.

Em vez de substituir completamente profissões inteiras, a tendência observada atualmente é a automação gradual de atividades específicas, permitindo que trabalhadores sejam deslocados para funções de supervisão, manutenção, programação e controle dos próprios sistemas automatizados.
As demonstrações realizadas pela AgiBot indicam que essa transição já começou em algumas linhas de produção chinesas, embora a adoção em larga escala ainda dependa da evolução tecnológica e da redução dos custos dos equipamentos.

