A Gold Coast estuda ampliar suas defesas costeiras com novos recifes artificiais e outras estruturas para reduzir a erosão que ameaça algumas das praias mais famosas da Austrália.
A Gold Coast, no estado australiano de Queensland, abriga cerca de 57 quilômetros de praias que atraem milhões de visitantes todos os anos. Mas esse cartão-postal enfrenta um desafio crescente: tempestades cada vez mais intensas, ressacas frequentes e a perda contínua de areia têm acelerado a erosão em diversos trechos do litoral.
Após os impactos provocados pelo ex-ciclone tropical Alfred em 2025, que removeu milhões de metros cúbicos de areia da faixa costeira, autoridades locais passaram a discutir novas soluções de engenharia para proteger as praias no longo prazo. Segundo o portal ABC News Australia, entre as alternativas analisadas estão a construção de novos recifes artificiais submersos, estruturas que reduzem a energia das ondas antes que elas atinjam a costa, além da possibilidade de obras permanentes de maior porte em alguns pontos críticos.
Tempestade removeu cerca de 4 milhões de metros cúbicos de areia
Em março de 2025, o ex-ciclone tropical Alfred provocou um dos episódios de erosão mais severos registrados recentemente na Gold Coast. Segundo a prefeitura da cidade, aproximadamente 4 milhões de metros cúbicos de areia foram deslocados pelas ondas, danificando acessos às praias, dunas e parte da infraestrutura costeira.
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A recuperação começou com operações de dragagem e bombeamento de areia para reconstruir a faixa de praia, mas os próprios técnicos municipais afirmaram que a recuperação completa poderá levar até três anos, dependendo das condições do mar.
A ideia é reduzir a força das ondas antes que elas alcancem a praia
Em vez de depender apenas da reposição periódica de areia, engenheiros defendem ampliar o uso de estruturas submersas. Esses recifes artificiais são construídos a certa distância da praia e permanecem abaixo da superfície da água durante a maior parte do tempo.
Sua função principal é fazer com que parte das ondas perca energia antes de chegar à faixa de areia, reduzindo a erosão durante ressacas e tempestades. Como permanecem praticamente invisíveis para quem observa a praia, o impacto visual é muito menor do que o de paredões de concreto ou quebra-mares tradicionais.
Palm Beach já recebeu um recife artificial com 60 mil toneladas de rochas
A Gold Coast já possui um exemplo desse tipo de solução. Entre 2019 e 2020 foi concluído o Palm Beach Shoreline Project, considerado o maior projeto de alimentação artificial de praias e proteção costeira já executado pela cidade. A obra incluiu:
- Construção de um recife artificial com aproximadamente 60 mil toneladas de rochas;
- Reposição de grandes volumes de areia na praia;
- Reforço das estruturas costeiras existentes;
- Modelagem da obra para preservar também a qualidade das ondas para o surfe.
O recife foi instalado cerca de 330 metros da costa e possui aproximadamente 144 metros de largura. Segundo os responsáveis pelo projeto, sua função é aumentar a retenção de areia e diminuir os efeitos da erosão durante grandes tempestades.

Autoridades estudam novas estruturas para proteger outras praias
Os danos provocados pelo ex-ciclone Alfred reacenderam o debate sobre novas obras permanentes. Entre as alternativas discutidas estão novos recifes artificiais em outros trechos da Gold Coast e estruturas costeiras de maior porte para reduzir a vulnerabilidade de áreas como Surfers Paradise e Main Beach.
O prefeito Tom Tate também defendeu estudos para uma grande estrutura costeira permanente em pontos mais vulneráveis, argumentando que intervenções desse tipo poderiam reduzir a necessidade de sucessivas operações de reposição de areia após grandes tempestades. Até o momento, diferentes propostas continuam em fase de avaliação e discussão técnica.
O recife de Palm Beach já enfrentou uma das maiores tempestades dos últimos anos
Após a passagem do ex-ciclone Alfred, o recife artificial de Palm Beach passou por sua maior prova desde a inauguração. Segundo a City of Gold Coast, a estrutura ajudou a preservar parte da largura da praia durante o evento extremo. Relatórios divulgados após a tempestade indicaram que, sem o recife, a erosão teria atingido diretamente o muro de contenção em diversos trechos da orla.

Embora outras praias tenham sofrido perdas significativas de areia, Palm Beach apresentou desempenho considerado positivo pelas equipes responsáveis pelo monitoramento costeiro.
A engenharia costeira tenta trabalhar com o mar, e não contra ele
Especialistas explicam que a estratégia australiana difere dos antigos modelos baseados apenas em grandes muros costeiros. A combinação entre recifes artificiais, reposição periódica de areia e monitoramento contínuo procura manter o funcionamento natural das praias, reduzindo a intensidade das ondas sem impedir completamente o transporte de sedimentos.
Segundo a City of Gold Coast, essas soluções fazem parte de uma estratégia de adaptação de longo prazo para enfrentar eventos extremos e proteger tanto a infraestrutura quanto um dos principais patrimônios naturais e turísticos da Austrália.

