A Stellantis confirmou que a unidade de El Palomar, em Buenos Aires, passará a operar com apenas um turno a partir de maio. Demissões voluntárias serão oferecidas ao quadro de funcionários em meio à queda acentuada nas exportações para o mercado brasileiro.
A multinacional Stellantis anunciou um pacote de medidas que inclui demissões voluntárias e redução drástica da produção em sua fábrica localizada em El Palomar, na província de Buenos Aires. A decisão atinge diretamente a linha de montagem dos veículos Peugeot e Citroën produzidos na Argentina e tem como pano de fundo a retração das vendas para o Brasil, maior parceiro comercial da indústria automotiva do país vizinho.
A planta emprega atualmente mais de 2 mil trabalhadores, e o programa de demissões voluntárias deve ser formalizado em abril, com execução prevista para maio. A empresa ainda não divulgou quantos funcionários poderão aderir ao plano, mas a redução de um turno inteiro de operação sinaliza um encolhimento significativo da força de trabalho e da capacidade produtiva da unidade.
O que muda na fábrica de El Palomar
A principal medida anunciada pela Stellantis é o encerramento de um dos turnos de operação, o que na prática corta pela metade o volume de veículos produzidos na fábrica. A unidade passará a funcionar com apenas um turno, uma mudança que reflete a queda na demanda pelos modelos fabricados no local.
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Além da redução produtiva, a montadora confirmou a implementação de um programa de demissões voluntárias.
Na prática, trata-se de uma estratégia em que a empresa oferece incentivos financeiros e benefícios adicionais para que funcionários aceitem encerrar seus contratos de trabalho por conta própria. Esse modelo é utilizado por grandes corporações quando precisam reduzir custos e equipes sem recorrer a cortes forçados, que costumam gerar maior desgaste jurídico e sindical.
Quais modelos são produzidos na fábrica
A unidade de El Palomar é responsável pela montagem de quatro modelos das marcas Peugeot e Citroën: o Citroën Berlingo, o Peugeot 208, o Peugeot 2008 e o Peugeot Partner. Alguns desses veículos mantêm desempenho relevante dentro do mercado interno argentino, mas o volume de vendas domésticas não tem sido suficiente para compensar o tombo nas exportações.
O problema central é que a fábrica foi dimensionada para atender também e principalmente a demanda externa. Com a queda das compras brasileiras, a equação financeira da operação deixou de fechar, e a Stellantis se viu obrigada a ajustar a produção à nova realidade de mercado.
Por que o Brasil é peça-chave nessa crise
O Brasil é, historicamente, o maior comprador de veículos fabricados na Argentina. A relação comercial entre os dois países no setor automotivo é regida por acordos bilaterais que facilitam o fluxo de exportações e importações.
Quando o mercado brasileiro desacelera ou reduz suas compras, o impacto sobre as fábricas argentinas é imediato e severo.
Nos primeiros meses de 2026, os dados do setor mostram uma retração expressiva nos emplacamentos de modelos argentinos no Brasil.
O Peugeot 208 registrou queda de aproximadamente 30% entre janeiro e fevereiro, saindo da lista dos 50 carros mais vendidos no país.
Já o Peugeot 2008 apresentou recuo de 17% no mesmo intervalo, com desempenho ainda pior na comparação anual. Esses números ajudam a entender por que a Stellantis decidiu agir de forma tão contundente com as demissões e o corte de produção.
Sinais de crise já vinham se acumulando
O anúncio das demissões e da redução de turno não chegou de surpresa para quem acompanha o setor. Nos meses anteriores, a Stellantis já vinha adotando medidas paliativas para tentar equilibrar a operação em El Palomar.
Entre as ações estavam paradas técnicas na linha de produção, antecipação de férias coletivas e redução gradual do ritmo industrial.
Essas providências, embora menos drásticas, já indicavam que a fábrica enfrentava dificuldades para manter o nível de atividade anterior.
A formalização do programa de demissões voluntárias e o corte de um turno representam a admissão de que ajustes pontuais não foram suficientes para conter os efeitos da retração nas exportações.
O que esperar daqui para frente
A situação da fábrica de El Palomar pode servir de termômetro para o restante da indústria automotiva argentina, que depende fortemente do mercado brasileiro. Se a demanda por veículos argentinos no Brasil não se recuperar nos próximos meses, novas rodadas de demissões e ajustes produtivos podem atingir outras montadoras que operam no país vizinho.
Para os mais de 2 mil trabalhadores da unidade, o cenário é de incerteza. O programa de demissões voluntárias oferece uma saída negociada, mas quem optar por permanecer enfrentará um ambiente de trabalho reduzido e sem garantias de que a produção voltará ao patamar anterior no curto prazo.
A decisão da Stellantis evidencia como a interdependência entre os mercados automotivos do Brasil e da Argentina pode transformar uma queda de demanda em crise real de emprego.
Com informações do portal NDMAIS.
E você, o que pensa sobre a situação? Acredita que a indústria automotiva argentina consegue se recuperar ou a dependência do mercado brasileiro é grande demais? Deixe sua opinião nos comentários.

Todo dia quebra fábrica na Argentina e milhares são demitidos. Já era ruim antes do Milei, e com ele ficou muito mas muito pior
Essa Maria Heloísa Barbosa escreve de uma forma que dá preguiça de ler. Muito prolixa e nada atraente.
Uma matéria desse tamanho só pra dizer que os brasileiros não querem mais comprar os carros Citroen e Peugeot dos argentinos.