Modernização de blindados avança na Europa com plataformas médias, canhões de 120 mm e sistemas digitais que interessam a programas militares em diferentes países, enquanto a Romênia amplia investimentos e fabricantes disputam espaço em um mercado pressionado por novas exigências operacionais.
Veículos blindados sobre lagartas, torres digitais, canhões de médio e grande calibre e soluções voltadas à guerra em rede recolocaram a modernização das forças terrestres no centro das feiras de defesa realizadas em maio na Romênia e na Eslováquia.
Para o setor de defesa brasileiro, esse movimento tem interesse direto porque parte das plataformas exibidas na Europa também aparece em discussões ligadas à futura família de blindados sobre lagartas do Exército Brasileiro.
Dentro desse programa, a Força busca reunir mobilidade, modularidade, proteção e integração digital em uma mesma base operacional, sem perder de vista custos logísticos, adaptação ao território nacional e capacidade de modernização ao longo do ciclo de vida.
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Na Romênia, o debate ganhou peso adicional depois que o Parlamento aprovou contratos de defesa estimados em € 8,33 bilhões no âmbito do instrumento europeu SAFE, criado para financiar capacidades militares por meio de empréstimos de longo prazo.
Além desse pacote específico, a Comissão Europeia informou que a alocação provisória destinada a Bucareste chega a cerca de € 16,68 bilhões, valor que amplia a margem romena para programas de reequipamento e fortalecimento industrial.

Entre os projetos de maior visibilidade está a aquisição de viaturas blindadas de combate de fuzileiros, apontada como uma das prioridades do país em meio à substituição gradual de equipamentos de origem soviética.
Segundo a imprensa especializada internacional, o Ministério da Defesa romeno selecionou o Lynx KF41, da Rheinmetall, para substituir os MLI-84, embora a execução do programa ainda dependa de etapas contratuais, industriais e administrativas.
Blindados médios ganham espaço na Romênia
Realizada em Bucareste entre 13 e 15 de maio, a 10ª edição da Black Sea Defense & Aerospace, a BSDA 2026, reuniu fabricantes que disputam espaço em um mercado pressionado pela guerra na Ucrânia.
Esse ambiente também reflete a necessidade de reforço da defesa no flanco leste da Otan, onde países próximos ao conflito aceleram compras, revisam estoques e buscam maior autonomia para sustentar operações prolongadas.
Entre os destaques da feira esteve o TULPAR, da turca Otokar, apresentado na configuração de viatura blindada de combate de fuzileiros com torre Mizrak e canhão Mk44 Bushmaster II de 30 mm.
Projetada para receber diferentes configurações, a plataforma usa arquitetura modular e pode ser adaptada a missões distintas, o que permite ao usuário ajustar proteção, armamento e sistemas embarcados conforme o perfil operacional exigido.
Essa proposta segue uma tendência observada em vários exércitos, que buscam utilizar um mesmo chassi para reduzir a complexidade logística e ampliar a disponibilidade de versões especializadas em uma única família de veículos.
Com essa base comum, tornam-se possíveis versões de transporte de tropa, apoio de fogo, comando, engenharia, ambulância ou recuperação, de acordo com a necessidade operacional definida pelo usuário e com a doutrina de emprego adotada.
Também presente na BSDA 2026, a Rheinmetall exibiu o Lynx KF41 equipado com torre Lance, canhão automático MK30-2/ABM de 30 mm e estação Main Sensor Slaved Armament.
De acordo com a empresa, a viatura integrou um portfólio mais amplo, que incluiu soluções de defesa aérea, munições e sistemas eletrônicos voltados a diferentes camadas de combate terrestre.
A presença do Lynx teve peso político e comercial porque a Romênia busca ampliar a produção local de equipamentos militares, transferir tecnologia e fortalecer sua base industrial em meio ao aumento dos gastos de defesa.

Nos planos associados ao programa, estão previstas centenas de viaturas, com parte dos recursos vinculada ao SAFE e outra parcela dependente de fontes orçamentárias complementares para sustentar a aquisição.
No mesmo ambiente competitivo, a espanhola GDELS Santa Bárbara Sistemas apareceu vinculada à família ASCOD, uma das plataformas europeias citadas entre alternativas para forças que procuram blindados sobre lagartas modulares.
Essa linha de veículos é apresentada no mercado como opção para usuários que buscam capacidade de modernização ao longo do ciclo de vida, integração de novos sensores e adaptação a diferentes missões terrestres.
Eslováquia mira carros de combate mais leves
Em Bratislava, a IDEB Defence & Security 2026 ocorreu entre 14 e 16 de maio, no centro de exposições Incheba, e abriu espaço para propostas de carros de combate médios voltados a novas demandas operacionais.
Essas soluções interessam a países que procuram poder de fogo elevado, mas não pretendem adotar necessariamente viaturas pesadas de cerca de 70 toneladas, cuja operação pode impor restrições logísticas e de infraestrutura.
No caso eslovaco, a discussão ganhou força porque as Forças Armadas operam um número limitado de carros Leopard 2A4 recebidos da Alemanha e ainda avaliam como substituir ou complementar capacidades herdadas de plataformas mais antigas.
Essa avaliação ocorre em um cenário no qual exigências logísticas, limitações de infraestrutura terrestre e necessidade de mobilidade estratégica aumentam o interesse por viaturas com menor massa e alto poder de fogo.
A BAE Systems apresentou o conceito do CV90120, derivado da família CV90, com canhão de 120 mm e proposta de combinar poder de fogo de carro de combate com massa menor.
Na versão MkIV divulgada pela empresa, a plataforma prevê peso de até 38 toneladas, motor de até 1.000 hp e carregador automático, características associadas a maior mobilidade estratégica e menor pressão logística.
Outro lançamento de destaque veio da turca FNSS e do grupo tcheco CSG, que apresentaram o CFL-120 Karpat como carro de combate médio baseado no Kaplan MT.

O veículo foi exibido com a torre HITFACT MkII, da Leonardo, armada com canhão de 120 mm, em uma configuração voltada a usuários que buscam maior poder de fogo sem recorrer a plataformas pesadas tradicionais.
Concebida para integrar armamentos de 105 mm ou 120 mm em plataformas blindadas médias, a HITFACT MkII combina arquitetura digital, sensores modernos e foco em consciência situacional.
A Leonardo descreve a torre como uma solução de grande calibre desenvolvida para veículos de menor massa em comparação com carros de combate tradicionais, mantendo capacidade ofensiva relevante em cenários de alta intensidade.
Guerra em rede orienta novos projetos
As apresentações em Bucareste e Bratislava refletem uma mudança de prioridade nas forças terrestres europeias, que passaram a dar mais atenção à mobilidade, aos sensores, à integração de dados e à operação em rede.
Nessa lógica, a proteção blindada continua relevante, mas deixa de ser o único parâmetro de comparação entre plataformas destinadas a operar em ambientes marcados por drones, munições guiadas e sensores distribuídos.
A sobrevivência no campo de batalha passa a depender também de sistemas de alerta, proteção ativa, compartilhamento de informações, consciência situacional e capacidade de engajamento coordenado com tropas, drones, artilharia e postos de comando.
Do ponto de vista logístico, a busca por famílias de veículos sobre uma mesma plataforma responde a uma preocupação prática, especialmente em forças que precisam sustentar operações por longos períodos e em diferentes teatros.
Quanto maior a padronização de componentes, motores, esteiras, transmissão e sistemas eletrônicos, menor tende a ser a pressão sobre manutenção, treinamento, estoque de peças e transporte estratégico.
Esse conceito se aproxima do que o Exército Brasileiro avalia para sua nova família de blindados sobre lagartas, em um programa que também exige equilíbrio entre desempenho, custo de ciclo de vida e participação industrial nacional.
No Brasil, o desafio inclui fatores próprios, como dimensões continentais, infraestrutura rodoviária e ferroviária irregular, diversidade de biomas e necessidade de adaptar plataformas militares a cenários muito diferentes entre si.
Com a Eurosatory prevista para ocorrer em Paris entre 15 e 19 de junho de 2026, novas apresentações de blindados médios, torres de grande calibre e sistemas digitais devem ampliar a disputa entre fabricantes.
Esse mercado seguirá atento a programas de modernização na Europa, na América Latina e em outras regiões, onde mobilidade, integração digital e capacidade de atualização tecnológica passaram a pesar mais nas decisões de compra.

Acho que o exercito devia testar em simuladores com warthunder os blindado
Eu joselito acho que é difícil pra nós brasileiros que sabemos que temos condições de fazer as nossas próprias armas bélicas trazer este tipo de armas já ultrapassado.
É uma vergonha que o Exército Brasileiro queira comprar este tipo de armamento de países como Eslováquia e Romênia! Por que não voltarmos a desenvolver nossa própria indústria bélica? Quanto os lobistas vão faturar com estas aquisições?