1. Início
  2. / Curiosidades
  3. / Europa ergueu uma cerca contra migrantes e acabou cortando uma floresta milenar ao meio, isolando bisões, lobos e linces, transformando a fronteira entre Polônia e Belarus num muro armado que protege países, mas ameaça um dos ecossistemas mais antigos do continente
Tempo de leitura 7 min de leitura Comentários 7 comentários

Europa ergueu uma cerca contra migrantes e acabou cortando uma floresta milenar ao meio, isolando bisões, lobos e linces, transformando a fronteira entre Polônia e Belarus num muro armado que protege países, mas ameaça um dos ecossistemas mais antigos do continente

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 22/01/2026 às 18:35
Assista o vídeoFloresta milenar na Polônia e Belarus é cortada por cerca no Parque Nacional Biarovieja, isolando bisões e colocando em risco um dos ecossistemas mais antigos da Europa
Floresta milenar na Polônia e Belarus é cortada por cerca no Parque Nacional Biarovieja, isolando bisões e colocando em risco um dos ecossistemas mais antigos da Europa
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
  • Reação
100 pessoas reagiram a isso.
Reagir ao artigo

Erguida em 2021 para barrar requerentes de asilo, a cerca da União Europeia atravessa a floresta milenar de Białowieża entre Polônia e Belarus, com 50 km patrulhados por 5.000 guardas, arame farpado, câmeras e dentes de dragão, gerando atropelamentos, lixo e isolamento genético ameaça bisões, lobos e linces em silêncio

A fronteira entre Polônia e Belarus virou um laboratório de tensão permanente, onde a política de segurança se materializa em aço, concreto e patrulhas, e o preço ambiental recai sobre uma floresta milenar que já foi símbolo de continuidade ecológica no continente.

Dentro do Parque Nacional de Białowieża, na parte polonesa, a cerca construída para conter requerentes de asilo passou a redesenhar rotas de animais, alterar áreas de presença de espécies e criar um corredor militarizado que fragmenta a última floresta virgem da Europa, descrita com 100 km² de área.

Onde a União Europeia termina e a floresta começa

Floresta milenar na Polônia e Belarus é cortada por cerca no Parque Nacional Biarovieja, isolando bisões e colocando em risco um dos ecossistemas mais antigos da Europa

O ponto de ruptura está exatamente onde termina a União Europeia e começa a linha de contato com Belarus. A cerca fronteiriça foi construída em 2021 para impedir a entrada de pessoas vindas da Síria, do Afeganistão e da África, que, segundo o relato, apareceram aos milhares na fronteira. O traçado atravessa uma reserva natural e corta a floresta de Białowieża, um maciço descrito como a última floresta virgem da Europa.

A região é mencionada como um espaço onde há gente durante todo o ano na floresta, o que amplia pressão sobre trilhas, clareiras e pontos de passagem. Autoridades polonesas classificam o fenômeno como “guerra híbrida”, atribuindo à Rússia a prática de contrabandear migrantes através de Belarus para desestabilizar o bloco. Nesse ambiente, a floresta milenar deixa de ser apenas um patrimônio natural e vira parte do mecanismo de fronteira.

A floresta milenar de Białowieża e o risco de perder o título UNESCO

Floresta milenar na Polônia e Belarus é cortada por cerca no Parque Nacional Biarovieja, isolando bisões e colocando em risco um dos ecossistemas mais antigos da Europa

Białowieża é descrita como tendo cerca de 10.000 anos e como a floresta mais antiga ainda existente na Europa. Ela fica na Polônia e em Belarus, com a proporção indicada de 2/3 em Belarus. Em 1979, foi declarada patrimônio mundial da UNESCO, e o receio citado é que possa perder esse título no contexto da crise migratória e das intervenções associadas à cerca.

Na parte polonesa, a área do Parque Białowieża citada como estritamente protegida inclui a região norte do Parque Nacional, onde há carvalhos enormes e múltiplas espécies de árvores. O relato reforça que o elemento mais importante para a biodiversidade são as árvores mortas e as que estão morrendo, porque sustentam ciclos de decomposição, abrigo e alimentação para insetos e fungos, além de liberarem minerais no solo ao longo do tempo.

O que a cerca mudou no funcionamento ecológico da floresta

Floresta milenar na Polônia e Belarus é cortada por cerca no Parque Nacional Biarovieja, isolando bisões e colocando em risco um dos ecossistemas mais antigos da Europa

A dinâmica descrita da floresta milenar depende de processos lentos e acumulativos. Uma árvore caída, por exemplo, pode levar cerca de 40 anos para se decompor, permanecendo no ciclo como fonte de minerais no solo e como suporte para organismos que mantêm a cadeia trófica. O musgo é apontado como peça funcional por armazenar umidade e ajudar a prevenir incêndios florestais.

Dentro desse contexto, a cerca não é descrita apenas como uma linha física. Ela vem acompanhada de manutenção contínua, fortificações adicionais e presença de grandes máquinas de construção, mesmo após a estrutura principal ter ficado pronta em julho de 2022. O impacto não é pontual, ele se prolonga no tempo, porque a barreira vira canteiro, estrada, vigilância e rotina operacional.

Máquinas, arame farpado e dentes de dragão na linha de 50 km

Assista o vídeo
Vídeo do YouTube

O trecho destacado é a transformação da cerca em um sistema de barreiras múltiplas. Além do muro e do fechamento, há adição de arame farpado no meio da estrutura, fileiras de “dentes de dragão” e pavimentação de estrada, o que amplia o efeito de fragmentação e aumenta o fluxo de veículos e equipes de manutenção.

Para acessar a cerca de perto, foi necessária autorização especial das autoridades fronteiriças locais. No local, é citado que 5.000 guardas e soldados patrulham os 50 km de cerca que atravessam a floresta. A ampliação também é descrita como recente, com mais arame farpado, mais câmeras e mais vigilância. O número de travessias bem-sucedidas teria caído drasticamente em 2025, ao mesmo tempo em que o governo polonês suspendeu ali o direito a asilo, com migrantes e organizações humanitárias relatando expulsões ilegais para Belarus.

Animais isolados, genética em risco e sinais de desaparecimento

O efeito ecológico mais sensível descrito é a interrupção da circulação biológica. Lobos e linces não conseguiriam mais acasalar com pares de Belarus, o que aumenta o risco de isolamento genético. A bióloga citada documenta árvores destruídas, animais atropelados, lixo plástico e o caso de um bisão separado de sua manada atrás da cerca.

Há também um sinal de mudança espacial: em certos lugares onde se costumava encontrar animais, agora eles teriam sumido, associado ao aumento de presença humana e de migrantes em pontos específicos. Quando a paisagem ganha um obstáculo contínuo, o território deixa de ser contínuo para a fauna, e isso tende a alterar distribuição, reprodução e sobrevivência ao longo das próximas décadas.

Bisão europeu, turismo e um gargalo genético já em curso

A floresta recebe cerca de 200.000 visitantes por ano, e muitos vão para ver o bisão europeu. No final do século XX, a espécie teria ficado praticamente extinta, e a população europeia atual foi recriada a partir de poucos exemplares em Białowieża. O dado associado é direto: um em cada quatro bisões do mundo vem da Polônia.

Na parte polonesa da floresta, hoje seriam 880 bisões europeus. Veterinários e biólogos monitoram saúde e reprodução, e o papel ecológico do bisão é descrito como central, porque o comportamento de pastoreio sustenta a sobrevivência de muitas outras espécies. Ao mesmo tempo, a diversidade genética reduzida é apresentada como um problema estrutural: um macho chamado Pleas teria gerado aproximadamente 36 descendentes, e seu genótipo representaria grande proporção da população, elevando consanguinidade e confirmando um gargalo genético. Com a cerca bloqueando deslocamentos, a chance de recombinação genética diminui ainda mais.

Fronteiras físicas pelo mundo e a escolha polonesa de manter a barreira fechada

O relato conecta o caso a um padrão global: fronteiras físicas restringem movimentação de animais e pessoas em vários lugares. É citada a cerca entre México e Estados Unidos com cerca de 100 km, dividindo um habitat com alta biodiversidade na América do Norte, onde grandes predadores ficam particularmente ameaçados. Também é citada uma cerca na rota dos Bálcãs entre Eslovênia e Croácia, que acabou sendo desmantelada e não teria impedido a migração.

Na Polônia, a conclusão apresentada é que ninguém cogita derrubar a cerca. Passagens construídas para animais selvagens nunca são abertas. A segurança nacional é colocada como prioridade sobre direitos ambientais, e o caminho defendido por especialistas seria ampliar cooperação prática entre guardas de fronteira e ambientalistas, com monitoramento ambiental transparente.

Saúde, patógenos e o atrito entre vida selvagem, pessoas e animais domésticos

Além do bloqueio físico, há um risco indireto descrito: concentrações artificiais de animais e pessoas ao longo da fronteira podem facilitar transmissão de patógenos. A recomendação citada é parar de alimentar animais selvagens nessa faixa, para evitar aglomerações. Soma-se a isso a presença de animais domésticos em postos avançados, com soldados mantendo gatos como companhia, criando encontro entre animais domésticos, animais selvagens e pessoas.

Esse detalhe transforma a cerca em algo maior do que uma linha de metal. Ela vira um sistema vivo de contato, pressão e circulação de agentes biológicos, em uma floresta milenar cujo equilíbrio depende de processos lentos e pouco previsíveis. A própria visão de conservação apresentada é de humildade científica: a floresta está mudando, e ninguém consegue prever como será em décadas ou séculos, porque ela se adapta às condições climáticas futuras, que ainda são desconhecidas.

Você acha aceitável manter uma cerca armada atravessando uma floresta milenar se isso reduzir travessias, mesmo com bisões, lobos e linces pagando o preço ecológico?

Inscreva-se
Notificar de
guest
7 Comentários
Mais recente
Mais antigos Mais votado
Guimarães
Guimarães
24/01/2026 09:19

Não podemos criticar, temos que respeitar a soberania deles.

Fátima zanqueti
Fátima zanqueti
24/01/2026 09:12

Acho inacreditável que animais paguem pelo egoísmo humano.

José Carlos Sousa Barcelos
José Carlos Sousa Barcelos
24/01/2026 08:01

Esse muro reflete a **** **** da homofobia da europa. A civilização que se tornou **** e desumana.

Bruno Teles

Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

Compartilhar em aplicativos
Baixar aplicativo
Ir para o vídeo em destaque
7
0
Adoraríamos sua opnião sobre esse assunto, comente!x