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Etarismo em alta: jovens de 40 enfrentam deboche nas redes sociais sul-coreanas

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Escrito por Sara Aquino Publicado em 20/01/2026 às 18:16
Conflito geracional ganha força quando jovens de 40 passam a ser ridicularizados em memes na Coreia do Sul.
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Conflito geracional ganha força quando jovens de 40 passam a ser ridicularizados em memes na Coreia do Sul.

O conflito geracional envolvendo os chamados jovens de 40 ganhou destaque recente na cultura pop sul-coreana após memes viralizarem nas redes sociais e ridicularizarem homens de meia-idade que adotam estilos associados à geração Z.

O fenômeno se espalhou sobretudo na Coreia do Sul, impulsionado por caricaturas criadas com inteligência artificial, mudanças no consumo tecnológico e um debate mais amplo sobre etarismo.

No centro da discussão estão profissionais na casa dos 40 anos que, apesar da estabilidade financeira e de carreiras consolidadas, passaram a enfrentar zombarias online por escolhas estéticas e comportamentais.

Um dos rostos mais conhecidos dessa controvérsia é Ji Seung-ryeol, de 41 anos. Ele publica selfies no Instagram vestindo roupas streetwear, tênis Air Jordan e camisetas modernas.

Segundo ele, o julgamento causou surpresa e indignação.

“Simplesmente uso e visto coisas de que gostava há muito tempo, agora que posso pagar por elas”, afirmou à BBC. “Por que preciso ser atacado por isso?”

Redes sociais e memes aceleram o conflito geracional

A viralização de memes nas redes sociais transformou o termo “jovens de 40” em um rótulo sarcástico. As imagens costumam retratar homens de meia-idade com roupas modernas, iPhone na mão e pose confiante.

O humor, no entanto, carrega críticas diretas a essa geração, que muitos jovens acusam de “se recusar a aceitar que o tempo passou”.

Esse padrão não surgiu agora. Anos atrás, piadas semelhantes já miravam os chamados “millennials geriátricos”, frequentemente rotulados como cringe.

Na Coreia do Sul, porém, o impacto cresce por causa da rígida hierarquia etária, na qual até um ano de diferença define relações sociais, linguagem e comportamento.

iPhone, consumo e mudança simbólica

O debate se intensificou após o lançamento do iPhone 17, em setembro do ano passado.

Antes símbolo de juventude, o smartphone passou a representar, para parte da cultura pop sul-coreana, a suposta cafonice dos jovens de 40, marcando uma virada simbólica.

Dados reforçam essa percepção. Uma pesquisa do Gallup mostra que, embora jovens ainda prefiram o iPhone, a participação da Apple caiu 4% entre a geração Z e cresceu 12% entre consumidores na casa dos 40 anos.

Para muitos jovens, esse movimento reforça a sensação de que gerações anteriores ocupam espaços culturais antes considerados exclusivos.

Assim, o conflito deixa de ser apenas estético e passa a refletir disputas simbólicas e econômicas.

Etarismo e hierarquia em choque

O etarismo aparece de forma explícita nesse debate. Expressões como kkondae, usadas para definir pessoas mais velhas vistas como rígidas e condescendentes, voltaram a circular com força. S

egundo o sociólogo Lee Jae-in, da Universidade da Coreia, as plataformas digitais eliminaram fronteiras culturais entre gerações.

“O antigo padrão, em que diferentes gerações consumiam espaços culturais separados, praticamente desapareceu”, explica.

Com isso, jovens e adultos passaram a disputar os mesmos ambientes simbólicos, o que intensificou tensões e julgamentos mútuos.

De alvo do marketing a meme viral

Nos anos 2010, o mercado usava o termo “jovem de 40” de forma positiva, associando-o a consumidores ativos, saudáveis e conectados.

O analista Kim Yong-sup, que ajudou a popularizar a expressão, lembra que essa geração deixou de ser vista como próxima da velhice e passou a ocupar o centro da sociedade.

Com o tempo, no entanto, o rótulo mudou de sentido.

Dados da plataforma SomeTrend indicam que a expressão apareceu mais de 100 mil vezes online no último ano, com maioria das menções em tom negativo.

Privilégio, frustração e ressentimento

Psicólogos apontam que o deboche também reflete desigualdades econômicas.

Para jovens millennials e integrantes da geração Z, os jovens de 40 simbolizam uma geração que alcançou estabilidade antes da disparada dos preços imobiliários e do aumento da competitividade no mercado de trabalho.

“Eles não são vistos apenas como indivíduos com gostos pessoais, mas como símbolos de privilégio e poder”, afirma a psicóloga Oh Eun-kyung.

Ji Seung-ryeol contesta essa leitura.

Ele lembra que ingressou no mercado de trabalho durante a crise financeira asiática dos anos 1990 e precisou enviar cerca de 70 currículos para conseguir emprego.

Hoje, sente-se preso entre duas culturas: uma fortemente hierárquica e outra que questiona regras. “Somos uma geração que vivenciou duas culturas.

Ficamos presos no meio do caminho”, resume.

Juventude como desejo universal

Assim, apesar das críticas, especialistas e entrevistados concordam em um ponto: o desejo de parecer jovem não pertence a uma única geração.

“Conforme você envelhece, buscar a juventude se torna algo totalmente natural.

Querer parecer jovem existe em todas as gerações”, afirma Kang, outro sul-coreano de 41 anos citado no debate.

Assim, o caso dos jovens de 40 vai além da moda ou da tecnologia.

Então ele expõe como conflito geracional, etarismo e redes sociais se entrelaçam, transformando escolhas pessoais em símbolos de disputas sociais mais profundas na Coreia do Sul contemporânea.

Veja mais em: Os ‘jovens de 40’ alvo de chacota da geração Z na Coreia do Sul – BBC News Brasil

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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