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Estudo encontra pistas de como a Grande Pirâmide de Gizé resiste a terremotos há 4.500 anos

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 28/05/2026 às 16:23
Atualizado em 28/05/2026 às 16:33
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Pesquisa publicada na Scientific Reports sugere que a Grande Pirâmide foi pensada para espalhar a energia sísmica e evitar o efeito dos tremores, o que ajuda a explicar por que a estrutura segue firme até hoje.

As Pirâmides de Gizé seguem de pé depois de 4.500 anos, mesmo em uma região que já enfrentou terremotos fortes o bastante para destruir construções modernas. Agora, um novo estudo trouxe uma pista importante para explicar essa resistência: a Grande Pirâmide parece ter sido projetada para distribuir a energia sísmica em vez de concentrá-la.

Os pesquisadores apontam que a estrutura apresenta características geotécnicas avançadas para a época. Na prática, isso ajuda a entender por que a pirâmide continua firme enquanto tantos edifícios mais recentes não resistem aos tremores da mesma forma.

O estudo foi publicado em 21 de maio no periódico Scientific Reports e analisou como a pirâmide reage a vibrações naturais do ambiente. A conclusão é que a construção não apenas resistiu ao tempo, mas também parece ter um comportamento pensado para lidar com terremotos.

Uma estrutura antiga que continua desafiando os tremores

As Pirâmides de Gizé resistem há 4.500 anos e agora um estudo sugere que sua própria estrutura pode ajudar a espalhar a força dos tremores.
As Pirâmides de Gizé resistem há 4.500 anos e agora um estudo sugere que sua própria estrutura pode ajudar a espalhar a força dos tremores.

As Pirâmides de Gizé ficam na região metropolitana do Cairo e formam um dos conjuntos mais conhecidos do Antigo Egito. A maior delas, a Grande Pirâmide, chegou a ter cerca de 146 metros de altura e hoje mede aproximadamente 137 metros, depois de séculos de desgaste e perda de revestimento.

Mesmo assim, a estrutura sobreviveu a eventos sísmicos marcantes. Em 1847, um forte terremoto atingiu o Cairo, deixou mortos e destruiu centenas de edifícios. As pirâmides permaneceram de pé, com perdas principalmente nas pedras externas. Outro tremor importante ocorreu em outubro de 1922, quando pedras de revestimento caíram do topo da pirâmide.

Esse histórico sempre alimentou a curiosidade de cientistas e arquitetos. O formato piramidal, a base reforçada e as juntas entre os blocos já eram vistos como fatores que ajudavam na estabilidade. Mas ainda faltava entender melhor como a estrutura se comporta diante das ondas sísmicas.

O que os pesquisadores encontraram dentro da Grande Pirâmide

Para investigar o monumento, os cientistas usaram o Método de Nakamura, também conhecido como HVSR, uma técnica de análise de vibrações usada para estudar o comportamento sísmico de estruturas e do solo. As medições foram feitas em 37 pontos da Grande Pirâmide, incluindo câmaras internas, poços de ventilação, passagens, blocos de construção e áreas ao redor.

O resultado chamou atenção: dentro da pirâmide, as vibrações ficaram muito próximas umas das outras, variando entre 2 e 2,6 hertz. Isso indica uma estrutura extremamente homogênea, sem diferenças bruscas que costumam enfraquecer edifícios durante um terremoto.

Em construções comuns, podem surgir as chamadas “zonas frágeis”, locais onde a vibração se concentra e aumenta o risco de rachaduras ou colapso. No caso da Grande Pirâmide, o estudo não encontrou esse tipo de ponto crítico, o que reforça a ideia de uma engenharia muito mais sofisticada do que se imaginava para a época.

A diferença entre a vibração da pirâmide e a do solo ajuda na resistência

Outro dado importante veio do terreno ao redor. O solo apresentou vibrações próximas de 0,6 hertz, bem abaixo da média registrada dentro da pirâmide. Essa diferença é decisiva porque evita o efeito de ressonância, quando a frequência do solo e a da construção se aproximam e fazem a energia sísmica crescer.

Quando isso acontece, o impacto do tremor pode aumentar bastante. Como a frequência da pirâmide é muito diferente da do terreno, esse efeito não ocorre com a mesma força. Para os pesquisadores, essa separação entre as vibrações ajuda a explicar parte da estabilidade da estrutura.

O estudo também identificou como a energia sísmica se espalha

A pesquisa ainda analisou a chamada amplificação sísmica, que acontece quando ondas passam por camadas geológicas diferentes e podem ganhar amplitude. Na Grande Pirâmide, essa amplificação aumenta conforme a altura cresce, mas depois de cerca de 48 metros começa a cair gradualmente.

Esse comportamento sugere mais uma camada de proteção natural da construção. Em vez de deixar a energia se acumular de forma perigosa, a pirâmide parece conduzi-la de maneira mais controlada ao longo da estrutura.

Os resultados reforçam a imagem das Pirâmides de Gizé como muito mais do que monumentos históricos. Elas seguem em pé como prova de um conhecimento arquitetônico e geotécnico que continua surpreendendo até hoje. Se esse tipo de estudo também te impressiona, compartilhe a matéria e conte o que mais te chamou atenção nas pirâmides do Egito.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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