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Estudo de cientistas brasileiros identifica microplásticos e poluentes persistentes em áreas profundas do oceano nacional, ampliando preocupação global com resíduos invisíveis que resistem por décadas no ambiente marinho e ameaçam espécies estratégicas da biodiversidade do Atlântico

Escrito por Hilton Libório
Publicado em 21/05/2026 às 10:25
Atualizado em 21/05/2026 às 10:27
Assista o vídeoTartaruga marinha nada entre microplásticos e resíduos no oceano brasileiro, em cenário que evidencia o avanço da poluição oceânica próximo ao litoral urbano.
Microplásticos no oceano brasileiro ameaçam vida marinha e ampliam alerta sobre poluição oceânica
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Cientistas brasileiros detectam microplásticos no Brasil em águas profundas, revelando avanço da poluição oceânica no Atlântico Sul. 

A presença de microplásticos no Brasil ganhou um novo capítulo após pesquisadores identificarem resíduos plásticos e poluentes químicos em organismos e sedimentos coletados entre 400 e 1.500 metros de profundidade na Bacia de Santos, localizada a cerca de 140 quilômetros da costa brasileira. Segundo dados publicados pelo IPEN no dia 20 de maio de 2026, o estudo reforça o avanço da poluição oceânica em áreas antes consideradas pouco impactadas pela atividade humana.

A pesquisa foi publicada na revista científica Marine Pollution Bulletin e conduzida por cientistas brasileiros do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP) e do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen). O trabalho amplia a preocupação sobre os efeitos de contaminantes invisíveis em águas profundas do Atlântico Sul.

Microplásticos no Brasil chegam ao fundo do oceano Atlântico

Os pesquisadores analisaram sedimentos, peixes e invertebrados coletados durante dois cruzeiros científicos realizados em setembro e novembro de 2019 pelo navio oceanográfico Alpha Crucis, da USP.

O levantamento encontrou microplásticos no Brasil em espécies marinhas que vivem em águas profundas, além de substâncias classificadas como poluentes orgânicos persistentes, conhecidos internacionalmente como POPs.

Entre os compostos identificados estavam:

  • PCBs, utilizados historicamente como isolantes elétricos;
  • PBDEs, usados como retardantes de chamas;
  • fibras plásticas ligadas à indústria têxtil;
  • polímeros resistentes aplicados em estruturas industriais.

O pesquisador Gabriel Stefanelli-Silva, primeiro autor do estudo, participou da investigação durante seu doutorado no IO-USP com apoio da FAPESP. Já a coordenação científica teve participação de Paulo Sumida, responsável pelo Laboratório de Ecologia e Evolução de Mar Profundo do instituto.

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Poluição oceânica avança até regiões entre 400 e 1.500 metros

Os resultados mostram que a poluição oceânica já alcança regiões extremamente profundas do ambiente marinho. O mar profundo começa a partir de 200 metros abaixo da superfície, mas as análises foram além, atingindo áreas entre 400 e 1.500 metros.

Nos sedimentos marinhos, os cientistas brasileiros encontraram PCBs. Já nos peixes analisados, apareceram tanto PCBs quanto PBDEs, indicando a presença contínua de contaminantes químicos no ecossistema oceânico.

Entre as espécies estudadas estavam:

  • Parasudis truculenta;
  • Hoplostethus occidentalis;
  • Coelorinchus marinii;
  • Neoscopelus macrolepidotus.

Segundo os pesquisadores, esses poluentes conseguem percorrer longas distâncias pela atmosfera e pelas correntes marítimas antes de atingir as águas profundas.

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Cientistas brasileiros investigam relação entre resíduos e indústria offshore

O estudo também levanta hipóteses sobre possíveis fontes da contaminação encontrada na Bacia de Santos.

Entre os materiais detectados estavam poliamida e poliacrilonitrila, utilizadas principalmente pela indústria têxtil. Os pesquisadores ainda identificaram poliestireno, poliariletercetona e polissulfeto, materiais usados em aplicações industriais resistentes.

Os cientistas brasileiros apontam que parte desses resíduos pode estar relacionada às atividades offshore na região. Atualmente, cinco plataformas operam na área e outras seis estão previstas para entrar em funcionamento até 2027.

Embora o estudo não estabeleça uma relação direta definitiva, os dados reforçam a necessidade de ampliar o monitoramento ambiental nas áreas de exploração marítima.

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Microplásticos no Brasil afetam organismos que vivem em águas profundas

A pesquisa revelou que organismos detritívoros e filtradores estão entre os mais vulneráveis à ingestão de resíduos plásticos.

Entre as nove espécies de invertebrados analisadas, o pepino-do-mar Deima validum apresentou a maior concentração de microplásticos no sistema digestório.

Esse tipo de organismo vive diretamente sobre os sedimentos marinhos e se alimenta de partículas depositadas no fundo oceânico. Por isso, acaba funcionando como um indicador importante da poluição oceânica em águas profundas.

Os pesquisadores alertam que os impactos podem incluir:

  • alterações fisiológicas;
  • prejuízos reprodutivos;
  • acúmulo de substâncias tóxicas;
  • desequilíbrios na cadeia alimentar marinha.

A preocupação aumenta porque muitos poluentes persistentes permanecem ativos no ambiente por décadas.

Controle rigoroso evitou contaminação das amostras analisadas

Para garantir a precisão dos resultados, os cientistas brasileiros seguiram protocolos rigorosos durante todas as etapas do estudo.

As equipes utilizaram roupas sem fibras sintéticas, além de instrumentos específicos para evitar interferências externas. Também foram feitos controles constantes do ar e das superfícies dos laboratórios.

Esse cuidado foi considerado essencial porque partículas microscópicas de plástico podem contaminar amostras com facilidade, comprometendo análises científicas em pesquisas sobre microplásticos no Brasil.

O estudo integra ainda o projeto “Diversidade e evolução de peixes de oceano profundo (DEEP-OCEAN)”, coordenado pelo professor Marcelo Roberto Souto de Melo dentro do Programa Biota, financiado pela FAPESP.

Poluição oceânica já havia sido identificada até na Antártica

A equipe responsável pela pesquisa também participou de análises anteriores envolvendo organismos coletados na Antártica entre 1984 e 2016.

Em um dos trabalhos, os pesquisadores encontraram o registro mais antigo conhecido de microplásticos na região antártica. O material identificado era uma fibra de pouco mais de 2 milímetros localizada nas vísceras de um pequeno crustáceo coletado em 1986.

A descoberta mostra como a poluição oceânica se espalhou globalmente ao longo das últimas décadas, atingindo ambientes considerados extremamente remotos.

Para os especialistas, o avanço desses resíduos invisíveis demonstra que as atividades humanas possuem impactos muito mais amplos do que se imaginava anos atrás.

Águas profundas exigem pesquisas complexas e monitoramento constante

Estudar águas profundas continua sendo um dos maiores desafios da ciência marinha. As expedições exigem navios especializados, equipamentos avançados e investimentos elevados.

Mesmo assim, os cientistas brasileiros reforçam que o monitoramento contínuo dessas áreas é fundamental para compreender os efeitos ambientais causados pelos microplásticos no Brasil e pelos poluentes persistentes.

Segundo Paulo Sumida, o mar profundo ainda é pouco conhecido, mas possui enorme importância ecológica para o equilíbrio dos oceanos.

Os pesquisadores destacam que compreender a origem dos contaminantes e seus impactos sobre a biodiversidade será essencial para o desenvolvimento de estratégias futuras de preservação ambiental.

Contaminação invisível amplia alerta global sobre o futuro dos oceanos

A descoberta de resíduos plásticos e compostos tóxicos em águas profundas brasileiras reforça o alerta internacional sobre o avanço silencioso da poluição oceânica.

O estudo mostra que microplásticos no Brasil já alcançam regiões extremamente distantes da costa, afetando espécies marinhas e ecossistemas estratégicos do Atlântico Sul.

Além de ampliar o conhecimento científico sobre o tema, a pesquisa conduzida por cientistas brasileiros evidencia a necessidade de fortalecer políticas ambientais, ampliar programas de monitoramento e reduzir a emissão de resíduos que permanecem ativos no ambiente por décadas.

À medida que novos estudos avançam, cresce também a percepção de que os impactos humanos sobre os oceanos são muito mais profundos e duradouros do que se imaginava até poucos anos atrás.

Com informações do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN)

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Hilton Libório

Hilton Fonseca Liborio é redator, com experiência em produção de conteúdo digital e habilidade em SEO. Atua na criação de textos otimizados para diferentes públicos e plataformas, buscando unir qualidade, relevância e resultados. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras, Energias Renováveis, Mineração e outros temas.

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