As estudantes brasileiras do IFRS desenvolveram um absorvente biodegradável de baixo custo feito com resíduos naturais, conquistaram um prêmio internacional na Suécia e colocaram no centro do debate uma solução que une sustentabilidade, ciência e impacto social.
As estudantes brasileiras Laura Drebes e Camily Pereira transformaram um problema silencioso e urgente em uma inovação com potencial de alcance global. Ao criarem um absorvente biodegradável com custo estimado de apenas R$ 0,02 por unidade, elas chamaram atenção não só pela inventividade do projeto, mas também pela capacidade de propor uma resposta concreta à pobreza menstrual.
O trabalho das estudantes brasileiras foi desenvolvido no Instituto Federal do Rio Grande do Sul, em Osório, e ganhou projeção internacional ao vencer o Stockholm Junior Water Prize, na Suécia. A conquista reforça a força da pesquisa feita ainda no ambiente escolar e mostra como soluções simples podem enfrentar ao mesmo tempo um problema social e um desafio ambiental.
Como surgiu a ideia das estudantes brasileiras

A trajetória das estudantes brasileiras começou ainda no ensino médio, dentro de um ambiente de incentivo à pesquisa científica no IFRS.
-
Estudante de graduação monta em quatro meses um robô que mata erva daninha com choque elétrico sem veneno, vence 95 equipes, leva US$ 50 mil e vira a própria startup
-
A Fervo Energy usou técnica de petróleo para criar um geotérmico que funciona em qualquer lugar do planeta
-
Hidroesponja de juta criada por jovem de 18 anos nos EUA remove 80% do poluente de pneu que mata o salmão e leva US$ 75 mil em feira de ciências
-
A Nova Zelândia perfurou um poço geotérmico tão quente que o vapor sai acima de 400 graus — e pode mudar o jogo da energia limpa
Sob orientação da professora Flávia Twardowski, Laura e Camily passaram a investigar materiais biodegradáveis que pudessem ser aplicados na criação de um produto menstrual mais acessível.
A proposta amadureceu até chegar a um absorvente sustentável produzido com pseudocaule de bananeira, fibras de açaí jussara e coberturas feitas com sobras de tecidos de costureiras locais.
A combinação de resíduos naturais e industriais deu forma a uma solução barata, funcional e alinhada com a demanda por menor impacto ambiental.
O prêmio mundial que colocou o projeto em evidência
O reconhecimento internacional veio depois de um percurso que começou no Brasil. Em 2022, as estudantes brasileiras venceram a etapa nacional do Prêmio Jovem da Água de Estocolmo, organizado no país pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental.
Na final mundial, realizada na Suécia, o projeto conquistou destaque entre jovens pesquisadores de diferentes lugares do mundo.
As estudantes brasileiras receberam o reconhecimento internacional e consolidaram a iniciativa como uma das propostas mais promissoras no cruzamento entre sustentabilidade e inovação social.
Não se trata apenas de uma vitória acadêmica, mas de uma validação global para uma ideia nascida da realidade brasileira.
Um absorvente de baixo custo com forte impacto social
O valor estimado de R$ 0,02 por unidade ajuda a explicar por que a criação das estudantes brasileiras tem despertado tanta atenção.
O projeto foi pensado para enfrentar a pobreza menstrual, uma realidade que afeta milhões de mulheres e meninas que não conseguem acessar produtos adequados de higiene durante o período menstrual.
A motivação para a pesquisa também nasceu de uma vivência concreta. Camily teve a ideia de produzir absorventes baratos ao descobrir que sua mãe, na juventude, enfrentou dificuldades para ter acesso a absorventes convencionais.
Esse ponto dá ao projeto uma dimensão humana muito forte, porque mostra que a ciência, nesse caso, não surgiu de uma abstração, mas de uma necessidade real.
A resposta ambiental ao uso de produtos com plástico
Além do impacto social, o trabalho das estudantes brasileiras também propõe uma alternativa ao problema ambiental associado aos absorventes convencionais.
Segundo a base apresentada, uma mulher pode usar cerca de 10 mil absorventes ao longo da vida, muitos deles compostos por plástico e aditivos químicos que levam de 100 a 500 anos para se decompor.
Nesse cenário, o absorvente biodegradável criado pelas estudantes brasileiras ganha relevância por substituir materiais de alto impacto ambiental por componentes naturais e reaproveitados.
A força do projeto está justamente em enfrentar dois problemas de uma só vez, reduzindo o custo para populações vulneráveis e diminuindo o peso ambiental do descarte em larga escala.
Ciência escolar com potencial de transformação
A história de Laura e Camily também ajuda a iluminar a importância da educação científica ainda na escola. O projeto não nasceu em um grande laboratório internacional, mas dentro de uma instituição pública de ensino, com orientação acadêmica e espaço para experimentação.
Isso reforça uma mensagem poderosa: quando há incentivo à pesquisa, jovens podem criar soluções relevantes para desafios globais. As estudantes brasileiras mostram que a escola pode ser um terreno fértil para inovação de alto impacto, especialmente quando conhecimento técnico encontra sensibilidade social.
Reconhecimento que vai além do prêmio
O destaque conquistado pelas estudantes brasileiras não ficou restrito ao prêmio na Suécia. O projeto ganhou projeção por seu potencial transformador e também levou Laura Nedel Drebes e Camily Pereira dos Santos a serem reconhecidas pela Forbes na categoria de jovens com até 30 anos que se destacam em suas áreas de atuação.
Esse reconhecimento amplia o alcance simbólico da iniciativa. Mais do que premiar uma invenção específica, ele evidencia o valor de projetos que unem sustentabilidade, inclusão e aplicabilidade.
É um tipo de inovação que não impressiona apenas pela técnica, mas pela capacidade de melhorar a vida de quem mais precisa.
O que essa inovação pode representar no futuro
O absorvente criado pelas estudantes brasileiras ainda é lembrado, antes de tudo, como uma ideia nascida da pesquisa e reconhecida internacionalmente.
Mas o potencial da iniciativa vai além do prêmio. Ao reunir baixo custo, materiais biodegradáveis e foco social, o projeto aponta para um caminho possível no combate à pobreza menstrual.
Em um contexto em que produtos menstruais ainda pesam no orçamento de muitas famílias e geram impacto ambiental duradouro, soluções como essa ganham importância estratégica.
As estudantes brasileiras provaram que inovação não precisa ser cara para ser revolucionária, e que uma resposta simples pode abrir discussões profundas sobre dignidade, acesso e sustentabilidade.
Você acredita que iniciativas como a dessas estudantes brasileiras podem mudar de verdade o combate à pobreza menstrual no Brasil?
