Projeto de Graham Dunning transforma toca-discos em sequenciador mecânico, usa esferas metálicas para acionar sons e cria ritmos complexos em apenas um compasso
O músico, criador e artista sonoro Graham Dunning desenvolveu em Londres um toca-discos que funciona como sequenciador de bateria, projeto ligado à London South Bank University e pensado para organizar sons em uma grade física sobre o disco, com aplicação prática e limitações próprias.
Projeto transforma toca-discos em sequenciador
O dispositivo foi criado por Graham Dunning, que se descreve como músico, criador e artista sonoro. O projeto integra sua tese de doutorado na London South Bank University, intitulada Mechanical Techno: Extended Turntable as Live Assemblage.
A proposta combina funções de toca-discos e sequenciador. Em vez de operar como um equipamento convencional, o aparelho organiza sons em uma grade quantizada, na qual cada linha horizontal representa um som diferente.
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Cada coluna da grade corresponde a um intervalo de tempo definido. A diferença central é que, nesse caso, essa grade não aparece em uma tela nem em um software, mas diretamente na superfície do disco.
Como a grade sonora funciona no disco
Em um sequenciador comum, o usuário posiciona sons dentro de uma estrutura temporal predefinida. No toca-discos criado por Dunning, essa mesma lógica é mantida, mas adaptada ao movimento circular do prato.
Essa adaptação impõe uma limitação importante ao tamanho do padrão rítmico. Enquanto a maioria dos sequenciadores permite loops de quatro compassos, o equipamento desenvolvido por Dunning comporta apenas um compasso.
A tese explica que, como o toca-discos gira a 33 1/3 RPM, um ciclo de quatro tempos produz andamento de 133,333 BPM. Comprimir dois compassos no mesmo espaço levaria esse valor a 266,666 BPM.
Esse nível ficaria além até mesmo do território do gabber. Por isso, a estrutura do aparelho se concentra em um único compasso, mantendo a organização do tempo dentro desse limite físico.
Limite de um compasso ainda permite complexidade
Mesmo restrito a um compasso, o sistema ainda abre espaço para combinações rítmicas complexas. Cada batida é dividida em colcheias, o que permite montar levadas intrincadas e excêntricas dentro da mesma volta do disco.
O exemplo citado destaca o bumbo. Ele dispara na primeira batida e depois reaparece em intervalos diferentes nas batidas seguintes, criando uma estrutura menos previsível dentro da grade quantizada.
Assim, o toca-discos não amplia o comprimento do padrão, mas aumenta as possibilidades internas de organização sonora. A limitação espacial acaba convivendo com um alto grau de variação rítmica.
Esferas de metal acionam os sons
Como não se trata de um LP convencional, a agulha permanece travada e protegida. As notas são definidas pela colocação de uma esfera de metal na ranhura correspondente da grade marcada no disco.
Do outro lado do toca-discos, fica suspensa uma série de sensores semelhantes aos alvos giratórios de uma máquina de pinball. Cada vez que uma esfera passa sob a aba certa, o sistema dispara o som programado.
Esses sons são acionados em uma bateria eletrônica conectada ao equipamento. O processo substitui a leitura tradicional da agulha e transfere a execução para um mecanismo físico baseado em posição e passagem.
Uso prático e apelo visual do dispositivo
O projeto parece mais próximo de um exercício acadêmico do que de um instrumento para uso cotidiano.
Ainda asim, o aparelho pode ser usado na prática para criar uma base simples e facilmente modificável.
Uma possibilidade citada é usar o toca-discos como fundmaento para um set de DJ. Além disso, a representação visual da batida pode ajudar quem ainda encontra dificuldade para sincronizar dois discos manualmente.
Com informações de Gizmodo.


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