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Estrutura flutuante colossal de 100 metros e até 5 mil toneladas percorre incríveis 17 mil km, cruza dois oceanos a menos de 15 km/h e vira porto na na Antártica

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Escrito por Romário Pereira de Carvalho Publicado em 11/03/2026 às 16:22
Estrutura flutuante
Imagem: TradeWinds Towing
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Após viagem de 17 mil quilômetros desde os Estados Unidos, estrutura flutuante chega à base McMurdo e cria o primeiro porto permanente da Antártica

Nos primeiros dias de dezembro do ano passado, um rebocador partiu do porto de Portland, nos Estados Unidos, levando uma gigantesca estrutura metálica flutuante rumo ao novo porto da Antártica, em uma operação logística de milhares de quilômetros que culminou na criação do atracadouro mais ao sul do planeta.

A estrutura transportada tinha mais de 100 metros de comprimento, superando o tamanho de um campo de futebol. Estimativas apontam que uma estrutura deste porte pode pesar até 5 mil toneladas.

Tratava-se de um flutuante destinado a funcionar como plataforma de embarque e desembarque de embarcações.

Seu destino final era uma baía congelada próxima à Estação Científica McMurdo, na Antártica, onde seria transformado em um porto permanente para apoiar as atividades da base americana de pesquisas.

Estrutura flutuante viaja 17 mil quilômetros até o novo porto da Antártica

A jornada começou no porto de Portland, no estado de Oregon, e percorreu mais de 17.000 quilômetros até o Continente Gelado. O rebocador americano Rachel conduziu a estrutura lentamente pelo mar.

Durante toda a travessia, a velocidade permaneceu inferior a 15 km/h. O ritmo reduzido era necessário devido ao tamanho da estrutura rebocada, que funcionava praticamente como um porto inteiro sendo transportado pelo oceano.

O percurso incluiu a travessia de dois oceanos. Primeiro o Pacífico e, posteriormente, o Antártico, em uma operação que exigiu planejamento cuidadoso para evitar áreas de tempestade.

Mesmo com os desvios planejados, algumas condições climáticas severas foram inevitáveis. Em certos trechos da viagem, o comboio enfrentou mar agitado e dificuldades de navegação.

Na etapa final da jornada, entre a Nova Zelândia e a Antártica, o rebocador encontrou ondas que chegavam perto de 10 metros de altura. A travessia tornou-se mais lenta e perigosa.

Apesar das dificuldades, o comboio conseguiu seguir avançando até alcançar seu destino. O conjunto foi batizado de Operação Deep Freeze, expressão que pode ser traduzida como Congelamento Profundo.

Chegada ao destino e criação do primeiro porto da Antártica

Após 69 dias de viagem desde a saída dos Estados Unidos, a estrutura finalmente chegou à baía congelada localizada diante da Estação McMurdo.

No local, o flutuante passou a servir como porto permanente para a base científica americana, tornando-se o primeiro porto da Antártica e também o atracadouro de navios mais ao sul do planeta.

Antes da chegada ao destino final, o comboio precisou de apoio adicional para atravessar as águas congeladas da região.

Um navio quebra-gelo da Guarda Costeira dos Estados Unidos foi responsável por abrir caminho no mar congelado, permitindo que o rebocador avançasse com segurança até a baía.

A presença do quebra-gelo foi essencial para garantir a chegada da estrutura ao novo porto da Antártica, já que o gelo marinho pode bloquear completamente a navegação na região.

Antigo píer de gelo se tornou inviável

A decisão de transportar uma estrutura inteira até a Antártica foi motivada por problemas no antigo sistema de desembarque da base McMurdo.

Durante décadas, os navios utilizavam um píer construído com gelo. A estrutura precisava ser reconstruída regularmente após sofrer danos provocados pelas condições climáticas.

A cada final de verão antártico, o gelo derretia parcialmente. Esse processo obrigava equipes a reconstruírem o píer utilizando água do mar bombeada para congelar em camadas sucessivas.

As camadas congeladas eram reforçadas com barras de aço e cascalho, formando uma estrutura semelhante a uma laje de concreto.

O objetivo era criar resistência suficiente para suportar o peso de caminhões e suprimentos transportados pelos navios que abastecem a base científica.

A base recebe apenas dois navios de suprimentos por ano. Diferentemente da Península Antártica, essa região não recebe navios de turismo.

Mesmo com os reforços, o píer de gelo sofria danos constantes. A reconstrução anual representava um esforço contínuo contra as condições naturais.

Com o tempo, a estrutura passou a ser considerada inutilizável e economicamente inviável.

Base McMurdo e episódio trágico no mar

Com a instalação do novo porto da Antártica, o antigo píer sazonal de gelo da Estação McMurdo foi substituído por uma estrutura permanente e mais segura.

A base científica foi criada em 1955 para apoiar pesquisas no Continente Gelado. Ela está localizada próxima ao Monte Erebus, considerado o vulcão ativo mais ao sul do planeta.

A posição estratégica da região fez com que exploradores históricos utilizassem a área como ponto de partida rumo ao Polo Sul.

Entre os exploradores que passaram pela região estão o britânico Robert Scott e o norueguês Roald Amundsen, durante a corrida histórica para alcançar o Polo Sul.

Até hoje, aventureiros visitam a região tentando repetir a jornada até o marco zero do planeta.

Uma tentativa desse tipo ocorreu em 2011. O capitão norueguês Jarle Andhoy chegou à baía da estação McMurdo com o barco Berserk.

Seu plano era alcançar o Polo Sul utilizando uma moto de gelo, deixando o restante da tripulação aguardando no barco ancorado na baía.

No entanto, algo inesperado ocorreu. A tripulação partiu com o barco mesmo sabendo que uma forte tempesatde se aproximava da região.

Os três tripulantes desapareceram no mar junto com a embarcação. O caso permanece sem explicação até hoje, sendo lembrado como um episódio marcante da história recente da antárticaa.

Com informações de UOL.

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Romário Pereira de Carvalho

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