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Essas pinturas rupestres descobertas em 1901 acabaram de revelar uma surpresa de até 8,5 mil anos e deixaram arqueólogos intrigados com o que foi mexido depois

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 19/03/2026 às 22:19
Atualizado em 19/03/2026 às 23:49
Pinturas rupestres na França tiveram trechos datados entre 13 mil e 16 mil anos, com uma área mostrando idade mais recente.
Pinturas rupestres na França tiveram trechos datados entre 13 mil e 16 mil anos, com uma área mostrando idade mais recente.
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Descobertas em 1901, as pinturas rupestres da caverna de Font-de-Gaume, no sudoeste da França, tiveram trechos datados entre 13.162 e 15.981 anos, enquanto uma parte de uma máscara revelou idade entre 8.590 e 8.993 anos e levantou dúvidas sobre retoques ou contaminação

As pinturas rupestres da caverna de Font-de-Gaume, no sudoeste da França, finalmente tiveram parte de sua cronologia determinada por cientistas, que dataram trechos de duas figuras entre 13.000 e 16.000 anos atrás.

O resultado confirma a origem paleolítica de parte dessas obras, mas também revelou uma data mais recente em uma área específica.

Descoberta em setembro de 1901 por um professor de uma aldeia próxima, a caverna de Font-de-Gaume reúne centenas de representações pré-históricas. O sítio é conhecido pelas imagens de bisontes, cavalos, renas, mamutes e outras criaturas, além de figuras humanas, máscaras, formas geométricas e impressões de mãos.

Os resultados foram publicados em 9 de março na revista PNAS e representam a primeira vez em que cientistas conseguiram datar diretamente algumas dessas obras coloridas. Até então, os pesquisadores trabalhavam com estimativas baseadas principalmente no estilo visual das imagens.

Datação confirma período e aponta diferença inesperada

Com base no estilo da arte, os cientistas presumiam que as pinturas haviam sido criadas entre aproximadamente 16.000 e 18.000 anos atrás.

A nova análise confirmou a relação com o período Paleolítico, mas indicou que algumas partes podem ser mais recentes do que se imaginava.

Os pesquisadores coletaram quatro amostras de duas figuras da caverna. Uma delas veio de uma pintura de bisão, enquanto as outras três foram retiradas de uma máscara abstrata.

A datação por radiocarbono mostrou que o bisão foi criado entre 13.162 e 13.461 anos atrás. Já duas áreas da máscara foram datadas entre 14.246 e 15.981 anos atrás, enquanto uma terceira apresentou idade entre 8.590 e 8.993 anos.

Essa diferença chamou a atenção dos pesquisadores por destoar do intervalo obtido nas outras partes da mesma figura. Segundo o estudo, a discrepância pode estar ligada a um retoque feito por uma geração posterior ou a uma contaminação acidental com carbono mais recente.

Como as pinturas rupestres puderam ser analisadas

Durante anos, os pesquisadores acreditaram que a arte rupestre de Font-de-Gaume havia sido produzida apenas com pigmentos à base de óxido de ferro e manganês. Nesse cenário, não haveria carbono disponível para realizar datação por radiocarbono.

A mudança ocorreu a partir de 2023, quando os cientistas descobriram que alguns pigmentos pretos continham traços de carvão. Como o carvão é uma forma de carbono, isso abriu a possibilidade de aplicar o método de datação diretamente nas pinturas.

Para fazer o teste, a equipe recebeu permissão especial para coletar amostras minúsculas, imperceptíveis a olho nu. Esse procedimento permitiu acessar material suficiente para a análise sem comprometer visualmente as obras preservadas no ambiente subterrâneo.

Hoje, o número de visitantes à caverna é limitado justamente para proteger esse ambiente delicado. Font-de-Gaume fica em uma caverna calcária do vale do Vézère, área reconhecida como Patrimônio Mundial da UNESCO desde 1979 pela concentração de sítios pré-históricos e cavernas decoradas.

O que a descoberta representa para a região

Ao longo do último século, cientistas identificaram centenas de pinturas em Font-de-Gaume. Aproximadamente dois terços dessas imagens retratam animais, enquanto o restante inclui humanos, máscaras, formas geométricas e impressões de mãos.

As pesquisas continuam com foco principal na exploração de áreas remotas da caverna. Agora, a presença inesperada de carvão em parte das obras sugere que outros vestígios semelhantes podem existir em sítios arqueológicos da região, permitindo novas datações por radiocarbono.

Para a arqueóloga Inés Domingo Sanz, do Instituto Catalão de Pesquisa e Estudos Avançados, que não participou do artigo, qualquer oportunidade de obter datas é importante. Segundo ela, isso ajuda a situar a obra em períodos específicos de tempo, embora ainda sejam necessários mais dados para confiar plenamente nos resultados já obtidos.

Os autores do estudo afirmam que o achado não é importante apenas para a caverna de Font-de-Gaume. Para eles, a descoberta também representa um resultado relevante para toda a região, repleta de arte rupestre pré-histórica e ainda alvo de investigações contínuas.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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