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Essa tinta azul brilhante que cobre este luxuoso cômodo na antiga Pompeia pode ter custado mais da metade do salário anual de um soldado romano

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 19/03/2026 às 21:43
Atualizado em 19/03/2026 às 21:44
Estudo aponta que tinta azul usada em sala de Pompeia custou entre 93 e 168 denários, até 90% da renda anual de um soldado.
Estudo aponta que tinta azul usada em sala de Pompeia custou entre 93 e 168 denários, até 90% da renda anual de um soldado.
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Estudo sobre a Sala Azul de Pompeia aponta que a tinta azul usada nas paredes do pequeno santuário privado custou entre 93 e 168 denários, valor equivalente a 50% a 90% da renda anual de um soldado romano, reforçando o alto padrão da residência

A tinta azul que cobria um pequeno cômodo de uma casa luxuosa na antiga Pompeia pode ter custado entre 93 e 168 denários, valor que, segundo um novo estudo, equivalia a até 90% da renda anual de um soldado romano.

Em 2024, arqueólogos anunciaram a escavação desse pequeno ambiente dentro de uma grande residência próxima ao centro da cidade. O espaço provavelmente funcionava como um sacrário, destinado a rituais e à guarda de objetos sagrados.

O cômodo chamou atenção pelas paredes cobertas com tinta azul brilhante, identificada como azul egípcio. O pigmento era popular no primeiro século d.C., período em que a erupção do Monte Vesúvio preservou Pompeia sob cinzas.

Segundo o estudo publicado na revista Heritage Science, o uso desse material em grande quantidade ajuda a dimensionar o nível de riqueza dos proprietários. A estimativa dos pesquisadores aponta que apenas o pigmento já representava um gasto extraordinário para os padrões romanos.

O coautor Admir Masic, químico do MIT, afirmou ao London Times que a qualidade da decoração é inacreditável. Ele também disse que é muito raro, até mesmo único, encontrar um sacrário completamente azul.

Local escavado reunia objetos sagrados e estrutura de uma residência ampla

De acordo com um comunicado de 2024 do Parque Arqueológico de Pompeia, a Sala Azul estava situada em uma grande casa perto do centro da cidade. A propriedade possuía banho termal, pátio e uma ampla sala de jantar.

Dentro do cômodo, os arqueólogos encontraram 15 ânforas, além de jarras de bronze e lâmpadas de bronze. Esses elementos reforçam a interpretação de que o espaço tinha função ritual e integrava uma residência de alto padrão.

Ainda assim, o aspecto mais marcante eram as paredes de azul intenso. Para os pesquisadores, a escolha desse revestimento em um ambiente privado e sagrado destaca tanto a intenção estética quanto o investimento empregado na decoração.

O coautor Marco Nicola, químico especializado em pigmentos da Universidade de Turim, afirmou ao Times que a difusão do azul egípcio refletia a forte atração romana pelo Egito. Segundo ele, a cor havia se tornado um símbolo de status.

Como a tinta azul foi medida e quanto pigmento foi necessário

Para determinar a quantidade exata de material usada nas paredes, os pesquisadores analisaram a pintura com microscopia de raios X multiescala. O procedimento foi descrito em um comunicado recente do parque arqueológico.

Com base nessa análise, a equipe concluiu que os pintores da Sala Azul usaram entre 6 e 11 libras de pigmento. Esse volume foi então comparado com registros antigos para estimar o custo da decoração.

Os cálculos foram feitos a partir dos preços registrados por Plínio, o Velho, autor romano citado pelos pesquisadores. Considerando o valor de 11 denários por libra, o pigmento necessário teria custado entre 93 e 168 denários.

No estudo, os autores também traduzem essa despesa em outro parâmetro de comparação. Eles escrevem que o custo do azul egípcio na Sala Azul equivalia a aproximadamente 744 a 1.344 pães.

Esse valor ganha outra dimensão quando comparado ao pagamento de um soldado romano no momento da erupção do Vesúvio. Segundo os pesquisadores, esse rendimento anual era de cerca de 187 denários, o que situaria o gasto com pigmento entre 50% e 90% dessa renda.

Azul egípcio exigia técnica sofisticada e reforçava posição social

O azul egípcio, descrito no estudo como o pigmento sintético mais antigo do mundo, foi criado no antigo Egito há cerca de 5.000 anos. Ele surgiu como uma alternativa ao lápis-lazúli, uma pedra semipreciosa mais cara.

Moujin Matin, arqueóloga da Universidade de Western Ontario, afirmou à Chemistry World, em 2025, que a produção do azul egípcio era um processo altamente sofisticado. Segundo ela, isso só era possível dentro de um contexto cultural e tecnológico bem desenvolvido.

No século I a.C., o pigmento já havia se espalhado pelo Império Romano. O arquiteto romano Vitrúvio o descreveu em seu tratado De Architectura, chamando a cor de cerúleo e registrando que ela era produzida em Puteoli, cidade próxima a Pompeia.

Além da compra do material, a pintura da Sala Azul também envolvia gasto com trabalho. Com base em pesquisas anteriores da historiadora Francesca Bologna, a equipe calculou que moer o pigmento necessário teria levado entre 31 e 56 horas.

A estimativa foi feita a partir do ritmo de quase cinco minutos para moer cerca de 7 gramas de pigmento. Isso indica que a execução da pintura exigia não apenas recursos financeiros, mas também tempo e mão de obra consideráveis.

O azul egípcio já havia sido encontrado em outros pontos de Pompeia, mas o estudo destaca a escala do uso neste caso. Para os autores, empregar tanta tinta azul em um santuário particular dentro de uma domus luxuosa sugere que os proprietários pertenciam à elite da cidade.

Na conclusão do trabalho, os pesquisadores relacionam essa escolha artística a uma prática mais ampla da economia romana. Segundo eles, pigmentos de luxo eram usados para sinalizar status e refinamento cultural.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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