Uma proposta que une energia eólica flutuante, inteligência artificial e infraestrutura marítima reposiciona o debate sobre onde instalar data centers e como lidar com a demanda crescente por eletricidade no setor de tecnologia.
A expansão da infraestrutura de inteligência artificial abriu um debate que vai além dos chips e dos investimentos bilionários: o aumento da demanda por energia.
Nesse cenário, a Aikido Technologies, empresa sediada em São Francisco e voltada a projetos offshore, passou a defender uma proposta incomum: instalar centros de dados para IA dentro de plataformas eólicas flutuantes no mar.
Segundo a companhia, a ideia reúne geração elétrica, armazenamento, resfriamento e processamento no mesmo conjunto, com a proposta de reduzir a pressão sobre redes terrestres e diminuir a disputa por áreas em terra destinadas a novos data centers.
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Consumo de energia dos data centers entra no centro do debate
A iniciativa surgiu num momento de avanço acelerado do consumo de eletricidade pelos data centers em várias regiões do mundo.
Dados da Agência Internacional de Energia indicam que essas estruturas consumiram cerca de 415 terawatts-hora, o equivalente a aproximadamente 1,5% da demanda global de eletricidade.
A projeção da entidade aponta que esse volume pode chegar a 945 terawatts-hora até 2030, impulsionado sobretudo pela expansão da IA.
No mercado, outras estimativas também reforçam o crescimento da demanda energética do setor.
A consultoria Gartner calculou 448 terawatts-hora em 2025 e apontou possibilidade de quase duplicação até 2030.
Os números ajudam a explicar por que operadores de rede, governos e empresas de tecnologia passaram a tratar a oferta de energia para data centers como um dos principais desafios da nova fase da inteligência artificial.
Como funciona a proposta da Aikido Technologies no mar
No centro da proposta está um conceito batizado de AO60DC.
Em vez de construir um campus em terra e conectá-lo a parques eólicos distantes, a Aikido quer levar o processamento para junto da fonte renovável.
O projeto reúne uma turbina eólica de grande porte, baterias e módulos de data center instalados numa fundação flutuante.

A plataforma tem três pernas estruturais, e cada uma delas pode receber um módulo de computação na parte superior dos tanques de lastro.
Na prática, a empresa tenta adaptar a base de uma turbina offshore para abrigar infraestrutura computacional no mar.
A configuração anunciada prevê capacidade de aproximadamente 10 a 12 megawatts de carga computacional por unidade, alimentada por uma turbina de 15 a 18 megawatts.
O sistema também inclui armazenamento em bateria para lidar com variações do vento.
A rede elétrica convencional não desaparece do projeto, mas aparece como respaldo.
Segundo a empresa, a operação cotidiana dependeria principalmente da energia produzida na própria estrutura.
Em declaração reproduzida pela imprensa especializada, Sam Kanner, diretor-executivo da Aikido, afirmou que a companhia identificou na própria plataforma dois elementos centrais para o setor: disponibilidade de energia e resfriamento natural.
Resfriamento natural e eficiência energética dos data centers
O sistema de resfriamento é apresentado como um dos pilares da proposta.
De acordo com a Aikido, o calor gerado pelos servidores seria transferido de forma passiva pelas paredes de aço dos tanques e dissipado na água do mar ao redor.
A empresa projeta um PUE inferior a 1,08, índice usado para medir a eficiência energética de data centers.
Em instalações convencionais, esse indicador costuma ficar acima desse patamar.
Por isso, a companhia sustenta que a estrutura poderia reduzir o gasto com climatização e infraestrutura de apoio em comparação com centros de dados em terra.
Esse desempenho, porém, ainda é tratado como projeção, já que a tecnologia não foi testada em escala comercial.

Cadeia industrial e reaproveitamento de áreas offshore
Além do apelo tecnológico, o projeto também se apoia numa lógica industrial.
A empresa afirma que boa parte dos componentes necessários já existe no mercado offshore, especialmente nas cadeias ligadas à energia eólica, ao petróleo e ao gás.
As estruturas metálicas poderiam ser fabricadas em instalações já usadas por essas indústrias, enquanto os módulos de data center seriam montados em terra e integrados à plataforma antes da operação no mar.
Com esse argumento, a Aikido tenta apresentar a proposta não como um sistema criado do zero, mas como uma combinação de tecnologias já disponíveis em cadeias produtivas consolidadas.
A avaliação da companhia é que essa base industrial pode reduzir parte da complexidade de implantação, embora a operação em ambiente marítimo ainda imponha desafios próprios.
Outro ponto explorado pela empresa é a disponibilidade de áreas já mapeadas pela indústria eólica flutuante.
Em seu material institucional, a Aikido afirma que existem mais de 50 gigawatts em locais offshore considerados prontos para construir ou passíveis de reaproveitamento para esse tipo de implantação.
Segundo a companhia, parte desses ativos perdeu tração como projeto eólico tradicional, mas poderia ganhar nova função ao ser associada à demanda por computação de alta densidade.
A leitura da empresa é que o projeto pode se encaixar justamente no encontro de dois gargalos.
De um lado, cresce a dificuldade de licenciar e energizar data centers em terra.
De outro, parte dos empreendimentos eólicos offshore enfrenta lentidão para avançar.
Nesse contexto, a proposta tenta se apresentar como alternativa para aproveitar áreas já estudadas e, ao mesmo tempo, responder à demanda crescente por capacidade computacional.
Protótipo na Noruega e plano comercial no Reino Unido
Por enquanto, o cronograma segue em escala reduzida.
A primeira demonstração anunciada é uma unidade de 100 quilowatts, associada a uma turbina Vestas V-17 reformada, com lançamento previsto no Mar do Norte, na costa da Noruega, até o fim de 2026.
A etapa comercial seguinte mira o Reino Unido, onde a empresa diz já ter identificado um local e conduzido discussões de engenharia e negócios para uma operação prevista para 2028.
No longo prazo, o plano é mais amplo.
A Aikido afirma que pretende formar fazendas offshore capazes de sustentar de 30 megawatts a mais de 1 gigawatt em capacidade computacional.
Até aqui, no entanto, a proposta permanece no campo dos projetos anunciados e das etapas preliminares de desenvolvimento.

Infraestrutura de IA busca alternativas fora dos centros urbanos
A discussão em torno da ideia ocorre num momento em que a indústria de IA busca alternativas para ampliar sua infraestrutura sem depender apenas da expansão de redes terrestres congestionadas ou da construção de novos campi em áreas urbanas e periurbanas.
Em vários mercados, a resistência local ao avanço de grandes data centers se soma à demora para reforçar linhas de transmissão, subestações e processos de licenciamento.
Ao transferir parte dessa infraestrutura para o mar, a empresa tenta defender uma solução que reúne geração renovável próxima, resfriamento natural e menor ocupação de solo em terra.
Na prática, o avanço do projeto dependerá da capacidade de transformar esse desenho em uma operação contínua em ambiente offshore, onde fatores como manutenção, corrosão, conectividade e proteção dos equipamentos também pesam sobre a viabilidade do modelo.

E a maresia ???
Data Centers Flutuantes : Prezados amigos; vejo a proposta da Aikido Technologies bastante viável teoricamente (ponto de vista da engenharia e talvez da sustentabilidade econômica); vislumbrando que a proposta dê certo, eu imagino as ilhas japonesas (são umas 3 mil); A Tasmânia e a Nova Zelândia; a Ilha da Irlanda, a Grã Bretanha; a Noruega, Dinamarca, Holanda e Bélgica, Polska, Ilhas Falklands; Sul da África do Sul e talvez Namíbia e Sul da América do Sul como áreas de temperaturas mais amenas passíveis de investimentos neste projeto. Tbm às Faroes, Islândia, Ilha Vancouver (Canadá); Ilha Shakalina (Rússia) como locais estratégicos !!! Geo e Clima !!? 👍