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Esqueça o tablet ou notebook na escola: lápis e papel voltam após alunos não atingirem nível básico de leitura; queda no Pisa acende alerta global e governo abandona telas para priorizar papel e lápis nas salas de aula da Suécia

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Escrito por Alisson Ficher Publicado em 21/04/2026 às 09:40 Atualizado em 21/04/2026 às 09:42
Suécia reduz uso de telas nas escolas após queda no Pisa e prioriza leitura com papel e lápis, gerando debate sobre educação e tecnologia.
Suécia reduz uso de telas nas escolas após queda no Pisa e prioriza leitura com papel e lápis, gerando debate sobre educação e tecnologia.
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Queda no desempenho em leitura reacende debate sobre uso de tecnologia nas escolas suecas e leva governo a retomar métodos tradicionais com foco em livros físicos, escrita manual e redução de telas, enquanto especialistas divergem sobre impactos no futuro digital dos estudantes.

Ao reorientar sua política educacional, a Suécia decidiu reduzir a presença de telas nas salas de aula e ampliar o uso de livros impressos, priorizando atividades com papel, lápis e escrita manual, sobretudo entre os alunos mais jovens, após resultados preocupantes em avaliações internacionais.

Nesse contexto, a decisão ganhou força depois da queda do país em leitura e matemática no Pisa 2022, exame da OCDE, ao mesmo tempo em que o governo passou a defender que habilidades básicas, como compreensão textual e concentração, precisam voltar ao centro do processo de aprendizagem.

Queda no Pisa e alerta sobre alfabetização

Para entender a mudança, os dados ajudam a dimensionar o cenário, já que, no Pisa 2022, 76% dos estudantes suecos de 15 anos atingiram ao menos o nível 2 de proficiência em leitura, considerado o patamar mínimo adequado pela OCDE para participação plena na sociedade.

Por outro lado, o mesmo levantamento mostra que 24% dos alunos ficaram abaixo do nível básico, indicando dificuldades relevantes de compreensão de texto, ainda que o país permaneça acima da média da OCDE em leitura, matemática e ciências.

Retorno de livros e papel nas escolas

Suécia reduz uso de telas nas escolas após queda no Pisa e prioriza leitura com papel e lápis, gerando debate sobre educação e tecnologia.
Suécia reduz uso de telas nas escolas após queda no Pisa e prioriza leitura com papel e lápis, gerando debate sobre educação e tecnologia.

A partir desse diagnóstico, o governo estruturou uma série de medidas, defendendo explicitamente mais tempo de leitura e menos tempo de tela, além de direcionar investimentos para aquisição de livros didáticos e reforçar a obrigatoriedade de materiais impressos nas escolas.

Simultaneamente, alterações no currículo da pré-escola retiraram a exigência do uso de ferramentas digitais, estabelecendo que crianças menores de dois anos utilizem apenas recursos analógicos, enquanto o uso de dispositivos eletrônicos passou a ser fortemente limitado nas demais faixas etárias iniciais.

Mudança de visão sobre tecnologia na educação

Durante anos reconhecida como referência em digitalização, a escola sueca passou a rever seu modelo, especialmente após a expansão de laptops e plataformas digitais a partir do fim dos anos 2000, impulsionada pela ideia de que o contato intenso com tecnologia prepararia melhor os alunos.

Agora, no entanto, a política educacional passou a exigir justificativa pedagógica clara para o uso de tecnologia, defendendo que leitura, escrita, atenção e cálculo se desenvolvem com mais eficiência em ambientes analógicos, principalmente nas etapas iniciais da educação.

Impactos no dia a dia dos estudantes

Na prática, essa mudança já é percebida no cotidiano escolar, como em Nacka, na região de Estocolmo, onde estudantes relatam a volta frequente de apostilas, livros didáticos e textos impressos, substituindo gradualmente plataformas digitais em diversas disciplinas.

Uma aluna de 18 anos descreveu a nova rotina ao afirmar: “Agora, costumo vir para a escola com livros e papéis novos”, evidenciando a transição para métodos mais tradicionais dentro das salas de aula.

O que dizem os dados da OCDE sobre telas

Suécia reduz uso de telas nas escolas após queda no Pisa e prioriza leitura com papel e lápis, gerando debate sobre educação e tecnologia.
Suécia reduz uso de telas nas escolas após queda no Pisa e prioriza leitura com papel e lápis, gerando debate sobre educação e tecnologia.

Embora o Pisa tenha servido como gatilho político, a própria OCDE recomenda cautela ao interpretar os dados, destacando que o uso moderado de tecnologia não é, por si só, prejudicial ao aprendizado, desde que esteja integrado de forma pedagógica consistente.

Ainda assim, o problema surge quando dispositivos digitais passam a competir pela atenção dos alunos, já que estudos indicam que a distração em sala de aula está associada a desempenhos mais baixos, especialmente em disciplinas como matemática.

Além disso, outro dado relevante aponta que 39% das escolas suecas não contavam com professores de matemática devidamente preparados para integrar tecnologia ao ensino, o que compromete o uso eficiente dessas ferramentas no ambiente educacional.

Investimentos em livros e bibliotecas escolares

Para sustentar a mudança, o governo ampliou significativamente os investimentos em livros didáticos entre 2023 e 2025, ao mesmo tempo em que promoveu ajustes na legislação para garantir acesso mais amplo a materiais físicos dentro das escolas.

Paralelamente, houve reforço na estrutura de bibliotecas escolares, com a proposta de garantir presença de profissionais especializados, partindo da premissa de que o contato frequente com a leitura pode reconstruir hábitos que vêm se enfraquecendo entre os estudantes.

Restrição ao uso de celulares nas escolas

Outro eixo relevante envolve o ambiente escolar, já que o governo anunciou a intenção de tornar as escolas livres de celulares, prevendo o recolhimento dos aparelhos durante o período letivo na educação obrigatória.

Caso implementada como planejado, a medida deve entrar em vigor antes do outono de 2026, reforçando a estratégia de reduzir distrações e favorecer maior foco nas atividades pedagógicas presenciais.

Pressão do setor de tecnologia e mercado de trabalho

Suécia reduz uso de telas nas escolas após queda no Pisa e prioriza leitura com papel e lápis, gerando debate sobre educação e tecnologia.
Suécia reduz uso de telas nas escolas após queda no Pisa e prioriza leitura com papel e lápis, gerando debate sobre educação e tecnologia.

Enquanto isso, o setor de tecnologia educacional e parte da comunidade acadêmica reagiram com críticas, argumentando que a redução do uso de telas pode comprometer a preparação dos estudantes para um mercado de trabalho cada vez mais digitalizado.

De acordo com estimativas amplamente citadas, cerca de 90% dos empregos exigem algum nível de habilidade digital, o que reforça a preocupação de que uma abordagem excessivamente analógica possa limitar oportunidades futuras.

Esse debate ganha ainda mais relevância no caso sueco, considerado um dos principais polos de inovação da Europa, com forte presença de startups e investimentos significativos no setor tecnológico.

Inteligência artificial e risco de desigualdade

Com o avanço da inteligência artificial, a discussão se intensificou, especialmente porque a estratégia do país prevê o ensino sobre IA apenas nas séries mais avançadas, deixando em aberto o momento ideal para introduzir esse conteúdo.

Críticos alertam que essa decisão pode ampliar desigualdades, uma vez que estudantes de famílias com maior acesso a recursos tendem a aprender sobre tecnologia fora da escola, criando diferenças no domínio dessas ferramentas.

Debate segue dividido nas escolas e no governo

Dentro do próprio sistema educacional, as opiniões permanecem divididas, já que parte dos estudantes relata perda de foco com o uso constante da internet, enquanto outros defendem que o ensino digital continua sendo essencial para a formação contemporânea.

No campo político, autoridades sustentam que o domínio das habilidades básicas deve preceder o uso intensivo de tecnologia, enquanto críticos argumentam que o equilíbrio entre alfabetização sólida e preparo digital ainda está em aberto no modelo adotado pelo país.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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