Cidade catarinense menos presente no debate nacional sobre imóveis ultrapassou Balneário Camboriú por margem estreita no ranking residencial, em movimento atribuído por especialistas à combinação entre valorização recente, novos empreendimentos e disputa entre mercados consolidados do litoral de Santa Catarina.
Itapema, no Litoral Norte de Santa Catarina, passou Balneário Camboriú e assumiu a liderança nacional no preço médio do metro quadrado residencial em maio de 2026, segundo o Índice FipeZap.
A cidade registrou R$ 15.226 por metro quadrado, ante R$ 15.215 da vizinha, diferença de R$ 11 que alterou o topo do ranking brasileiro de imóveis para venda.
A mudança interrompeu uma sequência iniciada em 2022, período em que Balneário Camboriú aparecia como a cidade mais cara do país para compra de imóveis residenciais, de acordo com o acompanhamento do setor imobiliário.
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No mês anterior, a distância entre os dois municípios já era pequena, com Balneário Camboriú em R$ 15.185 por metro quadrado e Itapema em R$ 15.179.
O levantamento da FipeZap acompanha preços anunciados de apartamentos prontos para venda e locação, com abrangência nacional e recorte voltado à comparação entre mercados imobiliários de diferentes cidades brasileiras.
No índice residencial, a pesquisa considera amostras de anúncios publicados nos portais do Grupo OLX, como Zap, Viva Real e OLX, metodologia que retrata preços ofertados, não necessariamente valores efetivamente negociados.
Itapema assume liderança no metro quadrado residencial
A diferença de R$ 11 por metro quadrado colocou Itapema à frente de Balneário Camboriú em uma disputa concentrada entre dois dos principais mercados imobiliários de Santa Catarina.

Embora a margem tenha sido estreita, o resultado levou Itapema ao primeiro lugar nacional no levantamento da FipeZap referente a maio de 2026, com Balneário Camboriú logo atrás.
No ranking divulgado para o período, Vitória, no Espírito Santo, apareceu na terceira posição, com média de R$ 14.965 por metro quadrado.
Florianópolis ocupou o quarto lugar, com R$ 13.288, enquanto Itajaí completou o grupo das cinco cidades mais caras, com R$ 13.208 por metro quadrado.
Com esse desempenho, Santa Catarina concentrou quatro das cinco primeiras posições entre os maiores preços médios residenciais do país no levantamento de maio de 2026.
A presença de Itapema, Balneário Camboriú, Florianópolis e Itajaí indica, segundo agentes do mercado imobiliário, a relevância do litoral catarinense no segmento de imóveis de maior valor anunciado.
Valorização de Itapema reduziu diferença entre as cidades
O avanço de Itapema no ranking ocorreu depois de meses em que a cidade vinha encurtando a distância em relação a Balneário Camboriú, conforme dados divulgados com base no FipeZap.
A valorização acumulada de Itapema foi superior à registrada pela cidade vizinha em indicadores recentes do mercado residencial, o que contribuiu para a inversão das posições no topo da lista.
Segundo dados associados ao levantamento, Itapema acumulou alta de 6,35% em 12 meses, enquanto Balneário Camboriú registrou avanço de 2,94% no mesmo intervalo.
No acumulado de 2026 até maio, Itapema somou valorização de 2,46%, contra 1,50% de Balneário Camboriú, diferença que reforça a mudança de ritmo entre os dois mercados.
A avaliação de especialistas do setor imobiliário relaciona o avanço de Itapema à combinação entre novos empreendimentos, expansão urbana e expectativa em torno de projetos de infraestrutura e turismo.
Esses fatores são apontados por agentes do mercado como elementos que ampliaram a procura pela cidade e influenciaram a formação dos preços anunciados dos imóveis residenciais.

Bruno Cassola, CEO da IBC Imobiliária e especialista em mercado imobiliário, afirma que o movimento já vinha sendo acompanhado por profissionais que atuam na região.
Na avaliação dele, o avanço de Itapema reflete uma fase de maior atividade imobiliária, mas não torna a cidade automaticamente a melhor alternativa para todos os perfis de comprador.
“O preço do metro quadrado é um indicador importante, mas não pode ser analisado sozinho. O melhor investimento depende do objetivo do cliente. Há quem busque valorização, há quem priorize liquidez, renda, uso próprio ou segurança patrimonial. Cada cidade pode atender a uma estratégia diferente”, afirma Cassola.
Disponibilidade de áreas pesa na comparação
A comparação entre Itapema e Balneário Camboriú também envolve a disponibilidade de áreas para novos projetos e o estágio de desenvolvimento de cada mercado imobiliário.
Enquanto Itapema ainda possui frentes de expansão e maior volume de lançamentos, Balneário Camboriú apresenta uma dinâmica mais consolidada, com limitação territorial e demanda constante, segundo avaliação de especialistas.
Esse contraste ajuda a explicar, de acordo com profissionais do setor, por que Itapema avançou em um período de valorização mais acelerada nos preços médios anunciados.
Além da expansão urbana, a cidade está inserida em uma região de forte atividade imobiliária, próxima a Balneário Camboriú, Itajaí e Porto Belo, municípios que também aparecem no radar de compradores e incorporadoras.
Projetos de infraestrutura, intervenções urbanas e iniciativas voltadas ao turismo são citados por especialistas como fatores observados pelo mercado ao avaliar o comportamento recente dos preços em Itapema.
Ainda assim, agentes do setor evitam tratar a disputa como uma substituição direta entre as duas cidades, já que os municípios apresentam perfis, ofertas e estágios de mercado diferentes.
Balneário Camboriú permanece descrita por especialistas como uma praça consolidada, com imóveis de alto padrão e demanda recorrente, enquanto Itapema aparece em fase de expansão e maior oferta de novos empreendimentos.
“O ponto não é dizer que uma cidade é melhor do que a outra. Itapema vive um momento muito forte, e Balneário Camboriú segue como uma praça madura e desejada. Para o investidor, a análise precisa considerar preço, localização, perfil da demanda, liquidez e, inclusive, a questão de preferência. O melhor investimento é aquele que faz sentido para o objetivo de cada cliente”, diz Cassola.
Preço médio não define investimento sozinho
O valor médio por metro quadrado funciona como referência para comparar mercados imobiliários, mas especialistas afirmam que o indicador não deve ser usado isoladamente na decisão de compra.
Localização dentro da cidade, padrão construtivo, liquidez, perfil de demanda e objetivo do comprador são fatores que podem alterar a atratividade de um imóvel em relação à média municipal.
Em Itapema, a alta recente aparece associada a um mercado com novos empreendimentos e disponibilidade de áreas, segundo a leitura de profissionais que acompanham o setor imobiliário catarinense.
Já em Balneário Camboriú, a limitação territorial e a procura recorrente são apontadas como fatores que ajudam a sustentar preços elevados, mesmo em períodos de valorização menos intensa.
A leitura do FipeZap também exige cuidado porque o índice acompanha preços anunciados, e não necessariamente valores efetivos de transação entre compradores, vendedores e incorporadoras.
Por esse motivo, o indicador permite observar tendências de mercado e comparar cidades, mas não substitui avaliação individual do imóvel, análise de localização, negociação de preço e verificação de liquidez.
Para compradores interessados em uso próprio, aspectos como rotina, acesso a serviços, mobilidade urbana e preferência por determinada cidade podem pesar de forma relevante na escolha do imóvel.
No caso de investidores, a avaliação costuma considerar potencial de revenda, renda com locação, liquidez, perfil da demanda e capacidade de preservação patrimonial ao longo do tempo.
A mudança no topo do ranking nacional mostra uma diferença pequena de preço, mas registra o avanço de Itapema no mapa imobiliário brasileiro medido pelo FipeZap.
O resultado também mantém Santa Catarina em posição de destaque no levantamento, com quatro cidades entre as cinco maiores médias do país e Balneário Camboriú ainda entre os mercados residenciais mais caros do Brasil.


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