Nos EUA, senadores em Lowa, analisam um projeto para que distritos de bombeiros e prefeituras considerem trocar a espuma química tradicional por uma espuma feita de soja, sem PFAS, para reduzir a exposição a químicos persistentes e proteger profissionais do fogo.
Uma mudança aparentemente simples está virando assunto grande nos Estados Unidos: qual espuma deve ser usada para apagar incêndios em locais críticos, como aeroportos e bases militares, e também em operações comuns do dia a dia.
A discussão entrou no Senado de Lowa com um objetivo claro: reduzir a exposição a um tipo de composto químico que ficou conhecido como químico eterno, porque permanece no ambiente por muito tempo e aparece cada vez mais no centro de alertas sobre saúde.
E aí entra o contraste que chama atenção. Ao invés de uma espuma baseada nesses compostos, a proposta coloca na mesa uma alternativa feita de soja, com promessa de desempenho e sem o mesmo tipo de química no pacote.
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O projeto que avança no Senado de Iowa e o que ele passa a exigir de cidades e bombeiros
O texto em debate é o Senate Study Bill 3099. Ele caminhou no Senado estadual com uma ideia que, no começo, seria mais rígida: obrigar agências do estado a comprarem espuma de combate a incêndio feita de soja, desde que não tivesse PFAS.
Só que o rumo indicado agora é outro. O senador Scott Webster disse que pretende ajustar a proposta para não virar obrigação direta e, sim, uma exigência de avaliação: os distritos de bombeiros e conselhos municipais teriam de considerar a adoção da espuma feita de soja e decidir localmente.
Na prática, o projeto não decreta a troca, mas cria uma pressão formal para tirar o tema da gaveta e colocar a discussão em pauta.
O que são os tais químicos eternos e por que eles viraram alerta dentro do serviço de incêndio
A espuma química tradicional citada no debate costuma incluir substâncias per e polifluoroalquil, conhecidas pela sigla PFAS. Parte das pesquisas citadas no debate associa a exposição a PFAS a maior risco de alguns tipos de câncer.
Durante a audiência, a senadora Cherielynn Westrich afirmou que a exposição é tão espalhada que essas substâncias já foram encontradas na corrente sanguínea de bebês recém nascidos. Ela chamou isso de tragédia e soltou uma frase que virou o ponto mais pesado da discussão: mesmo que a redução comece agora, o retorno a um cenário sem esse tipo de química no corpo humano poderia levar 200 anos.
O que chama atenção aqui é o recado. O debate deixa de ser apenas eficiência operacional e passa a ser risco de longo prazo para quem combate incêndios.
A espuma de soja que entrou no radar e o que ela promete apagar no mundo real
A alternativa apresentada aos senadores foi um produto sem PFAS chamado soyfoam, ligado ao grupo Cross Plains Solutions. O representante Dave Garlie disse que a espuma é feita a partir de farelo de soja vindo de uma unidade de Cedar Rapids.
Na explicação mais direta possível, a promessa é apagar incêndios de dois grupos diferentes. Um grupo envolve materiais comuns, como papel, madeira, palha e vegetação. O outro envolve combustíveis, como gasolina e óleo.
Garlie também afirmou que, em testes comparativos com outras espumas, o produto tem se saído bem quando vai de frente com alternativas concorrentes.
Trens, petróleo e guerra aparecem no passado da soja, e isso ajudou a ideia a voltar agora
A história usada para dar peso ao argumento puxa um nome conhecido na ciência. Foi citado que, na Segunda Guerra Mundial, o cientista Percy Julian desenvolveu uma mistura proteica de soja usada para suprimir incêndios de óleo e gás em aeronaves e navios.
Depois, as espumas baseadas em PFAS ganharam popularidade nos anos 1970 e se espalharam no combate a incêndios e em operações militares.
Esse contraste ajuda a entender por que a discussão ficou tão direta: o setor adotou uma solução por décadas, e agora começa a surgir uma alternativa com outra base química, com promessa de reduzir risco.
Apoio de bombeiros, água e produtores e o que pode acontecer com a mudança na lei
O projeto recebeu apoio da Iowa Soybean Association, da Central Iowa Water Works e de dois grupos ligados a bombeiros.
Lon Anderson, dos Iowa Professional Fire Fighters, disse que há membros do grupo enfrentando câncer e que a evidência sugere que pelo menos parte disso pode estar ligada à exposição a PFAS.
A International Association of Fire Fighters também foi citada ao apontar o câncer ocupacional como a principal causa de morte no serviço de incêndio e ao tratar PFAS em equipamentos de proteção como uma ameaça ocupacional desnecessária.
No meio desse cenário, a própria senadora Westrich afirmou que gostaria de ver uma obrigação direta de uso da espuma sem PFAS, mas aceitou apoiar o caminho do ajuste proposto por Webster, que coloca a decisão final nas mãos dos distritos e das cidades.
Conforme relato publicado pela Agriculture.com, a aposta política é começar exigindo avaliação e abrir espaço para a troca ganhar força com apoio técnico e local.
No fim, a mudança que está em jogo é simples de explicar e difícil de ignorar: se uma espuma feita de soja conseguir apagar incêndios difíceis e reduzir exposição a químicos persistentes, a pressão para trocar o padrão usado desde os anos 1970 pode crescer rápido.
Conta aqui nos comentários qual ponto você acha que pesa mais nessa troca: saúde dos bombeiros, custo, confiança nos testes ou resistência do setor?

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