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Especialistas estão pedindo para moradores comerem o máximo de amoras silvestres que conseguirem porque a planta invasora está destruindo espécies nativas e causando prejuízos bilionários nos Estados Unidos

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Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges Publicado em 04/04/2026 às 14:51 Atualizado em 04/04/2026 às 15:20
Especialistas pedem que moradores comam amoras silvestres para conter a planta invasora que destrói espécies nativas e causa prejuízos nos Estados Unidos.
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Especialistas em ervas daninhas nocivas pedem que moradores do noroeste do Pacífico colham e comam o máximo possível de amoras silvestres para conter a amoreira-preta do Himalaia, planta invasora que ameaça espécies nativas e gera prejuízos bilionários nos Estados Unidos.

Parece receita de avó, mas é recomendação oficial de especialistas em controle de espécies invasoras. Moradores do noroeste do Pacífico, nos Estados Unidos, estão sendo incentivados a coletar e comer a maior quantidade possível de amoras silvestres como forma de combater a amoreira-preta do Himalaia, uma planta invasora que ameaça espécies nativas da região e que se espalhou de forma tão agressiva que o limite padrão de coleta de 30% simplesmente não se aplica mais. A ideia é reduzir o número de sementes espalhadas pela natureza e, ao mesmo tempo, aumentar a conscientização sobre os danos causados por espécies exóticas.

A orientação vem de profissionais como Skye Pelliccia, especialista em educação do Programa de Controle de Ervas Daninhas Nocivas do Condado de King, no estado de Washington, conforme Yahoo. “Nunca faltarão amoras-pretas no noroeste do Pacífico”, disse Pelliccia, deixando claro que a abundância da planta invasora é tão grande que não há risco de escassez para pássaros e outros animais que também se alimentam dos frutos. Com a chegada da primavera, as amoras silvestres devem começar a florescer nos próximos meses e estarão prontas para colheita entre o final de junho e agosto.

Por que as amoras silvestres se tornaram um problema ambiental nos Estados Unidos

Especialistas pedem que moradores comam amoras silvestres para conter a planta invasora que destrói espécies nativas e causa prejuízos nos Estados Unidos.

A amoreira-preta do Himalaia chegou ao noroeste do Pacífico como espécie introduzida e encontrou condições ideais para se multiplicar sem controle. O problema é que plantas invasoras como essa competem diretamente com espécies nativas por recursos essenciais, incluindo luz solar, água e nutrientes do solo.

Quando uma espécie exótica se espalha com a velocidade da amoreira-preta, ela pode prejudicar a biodiversidade local e até alterar permanentemente ecossistemas inteiros.

As amoras silvestres da variedade invasora são tão disseminadas que os métodos tradicionais de controle não dão conta. A planta invasora forma arbustos densos e espinhosos que sufocam a vegetação nativa e transformam áreas antes diversificadas em monoculturas involuntárias.

Para os especialistas, o consumo humano dos frutos é uma estratégia complementar que ajuda a reduzir a dispersão de sementes. Cada amora colhida e comida é uma semente a menos que poderia germinar e expandir ainda mais a presença dessa planta invasora no território.

Os prejuízos bilionários que espécies invasoras causam na América do Norte

O impacto das amoras silvestres invasoras não se limita ao meio ambiente. De acordo com o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, um estudo de 2021 estimou que o deslocamento de espécies custou à América do Norte mais de 26 bilhões de dólares anualmente desde 2010.

São custos que incluem danos à agricultura, gastos com controle de pragas, perda de produtividade em áreas florestais e degradação de ecossistemas que prestam serviços ambientais valiosos.

No estado de Washington, onde a amoreira-preta do Himalaia é particularmente agressiva, os números são igualmente alarmantes. Se apenas 23 das 200 espécies conhecidas de plantas e animais não nativos se espalhassem sem controle, o impacto anual total poderia chegar a 1,3 bilhão de dólares.

Esse cálculo considera apenas uma fração das espécies invasoras presentes no estado. O custo real, quando se soma o dano ecológico de longo prazo e a perda de biodiversidade, provavelmente ultrapassa qualquer estimativa financeira disponível. As amoras silvestres representam apenas uma peça desse problema muito maior.

A tendência de transformar espécies invasoras em refeições e sobremesas

Comer amoras silvestres invasoras não é uma ideia isolada. Transformar espécies exóticas em jantares, sobremesas e outras iguarias virou uma tendência crescente em diversas regiões dos Estados Unidos.

As pessoas estão consumindo de tudo, desde frutas silvestres e ervas daninhas até caranguejos-azuis e javalis selvagens, em um esforço para tomar medidas locais e proteger os ecossistemas das suas comunidades.

O movimento ganhou força porque oferece algo que poucas campanhas ambientais conseguem: uma recompensa imediata e saborosa. Colher amoras silvestres para fazer geleias, tortas e sucos é uma atividade prazerosa que qualquer pessoa pode realizar sem equipamento especial.

Para os especialistas em controle de espécies invasoras, essa combinação de benefício ambiental e satisfação pessoal é o que torna a estratégia tão eficaz na mobilização comunitária.

Quando a solução para um problema ecológico envolve comer fruta fresca de graça, a adesão tende a ser bem mais alta do que em campanhas baseadas apenas em informação e alerta.

Cuidados importantes para quem quiser coletar amoras silvestres na natureza

Apesar do incentivo dos especialistas, quem for coletar amoras silvestres precisa se informar adequadamente e seguir todas as regras e diretrizes da área, especialmente em terras públicas.

Nem toda amora encontrada na natureza pertence à espécie invasora, e existem plantas semelhantes que podem ser tóxicas. A identificação correta da amoreira-preta do Himalaia é o primeiro passo antes de qualquer colheita.

Também é fundamental respeitar as regulamentações locais sobre coleta em parques e reservas. Embora os especialistas tenham afirmado que o limite de 30% não se aplica à amoreira-preta do Himalaia pela sua abundância extrema, outras espécies na mesma área podem estar protegidas.

O consumo das amoras silvestres é uma estratégia válida de controle ambiental, mas precisa ser praticado com conhecimento e responsabilidade para não causar danos colaterais à biodiversidade que se pretende proteger.

O que mais os moradores podem fazer além de comer amoras silvestres

Para quem não se sente atraído pela ideia de resolver problemas ambientais pela alimentação, os especialistas sugerem outras formas de apoiar a biodiversidade local. Revitalizar o quintal com plantas nativas é uma das ações mais eficazes que qualquer morador pode tomar.

Substituir gramados tradicionais por paisagismo com espécies naturais da região ajuda a criar corredores ecológicos que beneficiam polinizadores, pássaros e pequenos animais.

A questão das amoras silvestres invasoras é, no fundo, um lembrete de como escolhas humanas do passado criam problemas ambientais no presente. A amoreira-preta do Himalaia foi introduzida na região intencionalmente como planta invasora, e agora custa bilhões para ser controlada.

Cada arbusto que domina uma área e cada uma das espécies nativas que desaparece por competição é consequência direta dessa introdução. A boa notícia é que, pelo menos nesse caso, parte da solução é simples, gratuita e deliciosa.

Você comeria amoras silvestres para ajudar o meio ambiente? Acha que transformar espécies invasoras em alimento é uma estratégia inteligente ou apenas um paliativo? Deixe sua opinião nos comentários. Esse debate entre conservação e criatividade está cada vez mais presente no mundo inteiro.

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Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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