Uma ferramenta simples chamada escantilhão dispensa o prumo repetitivo, acelera o assentamento de tijolos em até 40% e permite que até serventes alinhem paredes sozinhos, mas a construção civil brasileira ainda ignora esse recurso na maioria das obras.
Em praticamente toda obra no Brasil, o ritual do assentamento de tijolos se repete fiada após fiada: o pedreiro assenta o tijolo, pega o prumo, confere, ajusta, confere de novo, estica a linha, faz a cabeça e só então avança para o próximo trecho. Existe uma ferramenta simples que elimina quase todo esse trabalho repetitivo, e ela se chama escantilhão. Trata-se de uma haste vertical de metal, fixada nas extremidades das paredes, que serve como guia permanente de alinhamento e prumo durante toda a elevação da alvenaria.
O mais surpreendente é que essa ferramenta simples custa pouco, pode ser fabricada por qualquer serralheiro e aumenta a produtividade do assentamento em 20 a 40%, segundo manuais técnicos internacionais de assentadores de tijolos. Mesmo assim, ela é praticamente desconhecida na maioria das obras de pequeno e médio porte no país. Quem descobre e começa a usar não volta mais ao método tradicional. A pergunta que fica é: por que a construção civil brasileira ainda resiste a adotar algo tão prático?
O que é o escantilhão e como essa ferramenta simples funciona na obra
Segundo Marcelo, do canal CASA.PIPA, o escantilhão é uma estrutura vertical, geralmente feita de metalon com barras chatas soldadas, que funciona como um guia fixo para o assentamento de tijolos.
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Ele é instalado nas extremidades e nos encontros de parede, sempre no prumo, e recebe uma linha que serve de referência para todas as fiadas seguintes. Em vez de conferir o prumo a cada tijolo ou a cada cabeça, o pedreiro simplesmente acompanha a linha esticada entre os escantilhões e assenta os tijolos de forma contínua.
Na prática, o funcionamento é direto. A linha passa em volta de todos os escantilhões da obra e, a cada fiada concluída, basta levantá-la para a próxima altura. Não é preciso desmontar suportes, refazer cabeças ou ficar conferindo o prumo em vários pontos.
A ferramenta simples mantém o alinhamento vertical e horizontal constante ao longo de toda a parede, resultando em superfícies retas e precisas com muito menos esforço manual.
Por que o escantilhão acelera o assentamento de tijolos em até 40%
O ganho de produtividade acontece porque a ferramenta simples elimina as etapas mais demoradas do método tradicional. No sistema convencional, o pedreiro precisa levantar três ou quatro fiadas de cabeça em cada extremidade, conferir o prumo em cada tijolo, esticar a linha com suportes e repetir todo o processo a cada nova fiada.
Com o escantilhão, o prumo é conferido apenas uma vez, no momento da instalação, e depois disso a linha já fica posicionada como referência permanente.
Segundo manuais técnicos de assentadores de tijolos usados no exterior, o ganho médio estimado com o uso do escantilhão varia entre 20 e 40% na produtividade. Na experiência prática de quem já adotou essa ferramenta simples em obras reais, o resultado é ainda mais perceptível.
Além da velocidade, o controle de qualidade melhora sensivelmente porque a parede inteira sobe com o mesmo padrão de alinhamento, sem depender da habilidade individual do pedreiro em cada trecho.
Qualquer servente consegue alinhar a parede sozinho com essa ferramenta simples
Uma das vantagens mais relevantes do escantilhão é a democratização do trabalho na obra. No método tradicional, normalmente existe um mestre ou pedreiro experiente responsável por fazer as cabeças e posicionar a linha.
O servente ou auxiliar fica limitado a preparar a massa e executar tarefas secundárias. Quem não domina a técnica do prumo dificilmente assenta tijolos com qualidade.
Com o escantilhão instalado, esse cenário muda completamente. A ferramenta simples funciona como um guia visual tão claro que até profissionais em formação conseguem realizar o assentamento de tijolos alinhados sozinhos. O servente só precisa trabalhar com o nível bolha na mão e acompanhar a linha que já está esticada na posição correta.
A preocupação com prumo e alinhamento lateral desaparece, porque o escantilhão já resolveu isso na instalação. Na prática, todo mundo na obra passa a colocar a mão na massa e produzir com padrão de qualidade.
Como instalar o escantilhão na obra passo a passo
A instalação exige atenção no começo, mas compensa em todas as fiadas seguintes. O primeiro passo é fixar o escantilhão nas extremidades e encontros de parede, usando bucha e parafuso. A base da ferramenta simples possui barras chatas com furos que permitem o ajuste fino da posição.
O alinhamento inicial pode ser feito com nível bolha apenas para marcar os furos, já que existe uma margem de ajuste lateral.
O momento mais importante é o aperto final com o prumo. Cada escantilhão precisa ser conferido dos dois lados, porque ao apertar um parafuso a base pode se deslocar levemente. O processo é apertar, conferir com o prumo, voltar para o outro lado, conferir de novo, e repetir até que a haste esteja perfeitamente vertical.
Depois que todos os escantilhões estão fixados e aprumados, a linha é passada em volta de todos eles, tensionada e amarrada com um nó firme. A partir daí, o assentamento segue fiada por fiada, apenas levantando a linha para a próxima altura.
Por que quase ninguém no Brasil usa o escantilhão se ele é tão eficiente
A resposta passa por cultura de obra e falta de informação. No Brasil, o escantilhão aparece com mais frequência em obras de alvenaria estrutural, aquelas que usam bloco de concreto ou cerâmico com colunas embutidas.
Na grande maioria das construções de pequeno e médio porte, as estruturas de concreto são feitas antes da alvenaria e as próprias colunas servem de referência para as paredes. Isso fez com que a ferramenta simples nunca se popularizasse no dia a dia dos canteiros convencionais.
Outro fator é a dificuldade de encontrar o escantilhão pronto para comprar. Ele não é um item comum em lojas de materiais de construção, o que afasta quem não tem o hábito de mandar fabricar ferramentas sob medida.
Porém, qualquer serralheiro consegue produzir um escantilhão com metalon, barras chatas, parafusos e solda. O custo de fabricar oito unidades, quantidade suficiente para uma obra residencial completa, é baixo se comparado ao ganho de tempo e qualidade que a ferramenta simples proporciona ao longo de toda a construção.
As vantagens que fazem dessa ferramenta simples um divisor de águas na obra
Quem adota o escantilhão pela primeira vez costuma ter a mesma reação: não entende como construiu tanto tempo sem ele. A maior precisão nas paredes elimina retrabalhos, reduz o consumo de reboco corretivo e entrega um resultado final visivelmente superior.
Paredes mais retas significam menos massa de acabamento, menos desperdício de material e menos horas de trabalho para corrigir imperfeições.
Além da economia direta, a ferramenta simples traz uma tranquilidade operacional que muda a dinâmica do canteiro. O pedreiro não precisa mais parar a cada fiada para conferir prumo em vários pontos.
O servente consegue contribuir de forma produtiva no assentamento de tijolos. E a obra inteira sobe de forma sincronizada, fiada por fiada, sem aquele problema de uma parede subir mais rápido que as outras e depois precisar alcançar altura. O resultado é uma construção mais organizada, mais rápida e com padrão de qualidade consistente do início ao fim.
Você já conhecia o escantilhão ou ainda usa o método tradicional com prumo e linha a cada fiada? Se já experimentou essa ferramenta simples na sua obra, conta como foi a diferença. E se nunca ouviu falar, vale procurar um serralheiro e testar. Deixe seu comentário. Esse tipo de informação prática precisa circular mais entre quem constrói no Brasil.


É muito boa essa ferramenta. Já trabalhei com ele e realmente o trabalho rende bastante. Pena que as casas de venda de materiais de construção não vendem o escantilhao.
Estou aposentado, e na minha juventude já usava esse sistema para fazer paredes de tijolos a vista, sem novidade para mim.