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Especialistas dizem que IA pode assumir 80% das tarefas no trabalho, mas apontam os 20% que ainda salvam empregos

Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 28/05/2026 às 10:29
Atualizado em 30/05/2026 às 15:09
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A discussão sobre inteligência artificial no trabalho ganha um novo alerta: especialistas afirmam que a tecnologia é forte no volume, mas falha justamente nas etapas que exigem julgamento, experiência e responsabilidade.

Com o avanço da inteligência artificial no ambiente de trabalho, cresce a sensação de ameaça entre profissionais que passam o dia em frente à tela. Mas, para alguns especialistas, a conversa não é sobre uma substituição total: a IA pode assumir grande parte do trabalho repetitivo, enquanto uma fatia menor continua dependendo de algo que os modelos ainda não entregam bem, julgamento humano.

A tese ganhou força em um texto publicado pela xataka.com.br, ao defender que o grande risco não está na automação de tudo, mas na perda da parte do trabalho que forma profissionais experientes. E é justamente aí que entra a preocupação: se a IA ocupar quase todo o início da carreira, quem vai acumular a bagagem necessária para tomar as decisões mais sensíveis lá na frente?

Segundo essa leitura, a tecnologia é muito eficiente em tarefas de volume, mas ainda tropeça quando o que está em jogo é responsabilidade real. E isso muda a forma como empresas e trabalhadores precisam olhar para o uso da IA: não como uma substituta completa, mas como uma ferramenta que redistribui funções dentro das equipes.

Os 80% que a IA faz bem são justamente o trabalho mais repetitivo

A ideia central é a de que a inteligência artificial já consegue absorver a parte mais mecânica de várias profissões. Em vez de ocupar o papel principal, ela tende a ficar com o que é mais previsível: buscar informações, cruzar dados, resumir documentos e acelerar etapas que antes consumiam horas de profissionais iniciantes.

O exemplo usado é o da advocacia. Nessa área, a IA pode ajudar a ler precedentes, identificar conexões e resumir trechos longos de linguagem jurídica. É uma tarefa pesada, cansativa e muitas vezes repetitiva, justamente o tipo de atividade em que essas ferramentas costumam render mais.

Na prática, isso significa que a IA pode aliviar uma parte enorme da rotina, especialmente em funções que dependem de triagem e organização. Mas aliviar não é o mesmo que substituir tudo.

O ponto fraco aparece quando a decisão exige experiência

Ninguém confiaria uma multa fiscal à IA sem supervisão humana. E essa linha separa bem o que a tecnologia já faz e o que ainda não consegue fazer com segurança: juntar informações é uma coisa, interpretar riscos, contexto profissional e consequências é outra.

É justamente nos últimos 20% do processo que, segundo essa visão, mora o valor real da profissão. São as etapas em que a experiência pesa mais que a velocidade. No exemplo do advogado, não basta reunir dados; é preciso conectar tudo isso ao caso concreto, com leitura fina da situação e responsabilidade pela decisão tomada.

Esse raciocínio vale para várias áreas. Quanto mais a atividade depende de julgamento, mais difícil fica a substituição completa. A IA pode até acelerar o caminho, mas ainda não entrega sozinha a combinação de análise, prudência e cobrança por um resultado final.

O risco maior está na carreira de entrada

Para além do debate sobre produtividade, a discussão abre uma preocupação de longo prazo: o que acontece quando os cargos de aprendizado começam a desaparecer? Se a IA assumir justamente as tarefas que formavam profissionais juniores, a base da pirâmide pode encolher.

Sem a etapa inicial, o caminho até os postos mais experientes fica mais curto para a empresa, mas mais frágil para a profissão. Afinal, são esses primeiros anos que acumulam repertório, erro, prática e critério, itens difíceis de copiar por máquina.

No fim, a mensagem é menos apocalíptica do que parece à primeira vista: a IA deve crescer, sim, mas o que ainda protege parte dos empregos é aquilo que ela não consegue reproduzir bem. E é esse pedaço final, formado por experiência e julgamento, que tende a continuar no centro das decisões mais importantes. Se esse debate chegou ao seu trabalho, vale acompanhar de perto o que muda daqui para frente.

Você acha que a IA vai mesmo substituir a maior parte das tarefas do dia a dia ou o valor humano ainda vai pesar mais no trabalho? Comente e compartilhe esta matéria.

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Noel Budeguer

Sou jornalista argentino baseado no Rio de Janeiro, com foco em energia e geopolítica, além de tecnologia e assuntos militares. Produzo análises e reportagens com linguagem acessível, dados, contexto e visão estratégica sobre os movimentos que impactam o Brasil e o mundo. 📩 Contato: noelbudeguer@gmail.com

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