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Cientistas criaram um material seis vezes mais leve que o ar, 75 vezes mais leve que o isopor e que fica mais resistente quanto mais é espremido: o aerographite parece impossível, mas pode reforçar estruturas, baterias e satélites

Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 18/06/2026 às 08:33
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Aerographite é 75 vezes mais leve que o isopor
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Aerographite é um material ultraleve de carbono com 0,2 mg por centímetro cúbico, 75 vezes mais leve que o isopor e capaz de ficar mais resistente sob compressão.

Segundo a ScienceDaily, com base em pesquisa da Universidade de Kiel, o aerographite é uma rede tridimensional de tubos porosos de carbono entrelaçados em escala nano e micro que alcançou densidade de apenas 0,2 miligrama por centímetro cúbico. O material foi desenvolvido em parceria entre a Universidade de Kiel e a Universidade de Tecnologia de Hamburgo e apresentado como um recorde de leveza entre materiais sólidos de sua categoria.

O que tornou o aerographite tão relevante não foi apenas o peso quase inexistente. De acordo com a mesma divulgação científica e com o artigo publicado na Advanced Materials, o material é preto, estável, condutivo, dúctil, não transparente e combina leveza extrema com resistência mecânica incomum, algo raro entre materiais ultraleves.

Aerographite é 75 vezes mais leve que o isopor e desafia a lógica dos materiais ultraleves

A leveza do aerographite chama atenção porque materiais muito leves costumam perder desempenho estrutural com facilidade.

No caso dessa espuma de carbono, a relação entre massa extremamente baixa e resistência mecânica é justamente o que a torna tão diferente. Segundo a ScienceDaily, o material superou claramente outros similares ao reunir densidade muito baixa com propriedades físicas difíceis de encontrar no mesmo conjunto.

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Esse contraste é importante para entender por que o aerographite se tornou um marco na ciência dos materiais. Em geral, quanto mais leve é uma estrutura, maior tende a ser sua fragilidade. O aerographite quebrou essa expectativa ao mostrar que um material quase vazio por dentro ainda pode manter estabilidade e elasticidade notáveis.

Na prática, ele não é apenas um recordista de densidade. Ele é um exemplo de como a arquitetura microscópica da matéria pode ser projetada para gerar propriedades que parecem contraditórias quando vistas pela lógica dos materiais convencionais.

Material pode ser comprimido em até 95% e voltar à forma original sem dano

A propriedade mais impressionante do aerographite é o seu comportamento sob esforço mecânico. Segundo a ScienceDaily, o material pode ser comprimido em até 95% e depois retornar à forma original sem sofrer dano estrutural. Esse dado sozinho já o colocaria em posição incomum entre os materiais ultraleves modernos.

Mas o resultado mais surpreendente vai além disso. O professor Rainer Adelung, da Universidade de Kiel, afirmou que, até certo ponto, o aerographite se torna ainda mais sólido e mais forte depois da compressão. Essa resposta inverte o comportamento típico da maior parte dos materiais conhecidos, que tendem a enfraquecer e perder estabilidade quando submetidos a tensão repetida.

Cientistas criaram um material seis vezes mais leve que o ar, 75 vezes mais leve que o isopor
Aerographite é 75 vezes mais leve que o isopor

Esse é um dos pontos que mantêm o material relevante mais de uma década depois de sua apresentação. Ele não impressiona apenas por ser leve, mas por manter um comportamento mecânico raro justamente onde outros materiais recordistas costumam falhar.

Rede de tubos ocos de carbono explica por que o aerographite pesa tão pouco

O segredo do aerographite está em sua estrutura. Segundo a ScienceDaily, o material é formado por uma rede interligada de microtubos de carbono com paredes extremamente finas e porosas. Isso significa que a maior parte do volume ocupado pela peça é, na prática, espaço vazio, enquanto a massa se concentra em uma malha mínima de carbono organizada com alta precisão.

Essa arquitetura faz com que o material tenha aparência de sólido macroscópico, mas com uma densidade muito inferior à de espumas e aerogéis mais tradicionais. Em vez de depender apenas da composição química, o desempenho do aerographite depende fortemente da forma como essa rede foi desenhada e conectada.

É justamente essa lógica de engenharia estrutural em escala microscópica que transformou o aerographite em referência. O avanço não veio de descobrir um elemento novo, mas de organizar o carbono em uma arquitetura extremamente leve e funcional.

Molde sacrificial de óxido de zinco foi a chave para fabricar o aerographite

A fabricação do aerographite depende de um processo engenhoso descrito na divulgação da ScienceDaily e no artigo da Advanced Materials. Primeiro, os pesquisadores criam uma estrutura de óxido de zinco que funciona como molde poroso. Sobre esse molde, fazem crescer a rede de carbono que dará origem ao material final.

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Depois, esse molde inicial é removido. O que sobra é apenas a estrutura de carbono oca, sustentando a si mesma no espaço antes ocupado pelo óxido de zinco. O próprio professor Rainer Adelung resumiu o processo com uma metáfora simples: é como uma trepadeira que cresce em volta de uma árvore e continua em pé depois que a árvore desaparece.

Esse método, conhecido como uso de molde sacrificial, permite criar um material com baixíssima massa e grande complexidade estrutural ao mesmo tempo. Sem essa etapa intermediária, seria muito mais difícil construir uma rede tridimensional tão leve e tão estável.

Aerographite combina compressão, tração, condução elétrica e absorção de luz

Outro ponto destacado pela ScienceDaily é que o aerographite não se limita a resistir bem à compressão. O material também apresenta excelente resistência à tração, algo especialmente incomum entre materiais ultraleves. Isso significa que ele suporta melhor tanto ser espremido quanto ser tracionado.

Além disso, ele é eletricamente condutivo e absorve a luz de forma muito intensa, o que lhe dá aparência de preto profundo. Essa combinação de propriedades amplia bastante o interesse científico e tecnológico em torno do material, porque o torna útil em cenários onde leveza extrema precisa coexistir com funcionalidade elétrica e estabilidade mecânica.

Aerographite é 75 vezes mais leve que o isopor
Aerographite é 75 vezes mais leve que o isopor

Em vez de ser apenas uma curiosidade de laboratório, o aerographite passou a ser tratado como uma plataforma potencial para aplicações reais em áreas que exigem baixo peso e alto desempenho ao mesmo tempo.

Baterias, eletrônica leve, satélites e materiais condutivos estão entre as aplicações possíveis

Segundo a ScienceDaily, uma das aplicações mais promissoras do aerographite aparece em eletrodos de baterias de íon-lítio e em sistemas relacionados a armazenamento de energia. Como o material tem massa muito baixa e conduz eletricidade, ele pode ajudar a reduzir o peso total de dispositivos que dependem de componentes internos leves e eficientes.

A divulgação também menciona potencial para uso em satélites, eletrônica leve, estruturas sujeitas a vibração e materiais sintéticos que precisem ganhar condutividade sem aumentar significativamente a massa. Em contextos aeroespaciais, por exemplo, cada redução de peso é valiosa, o que torna o aerographite especialmente atraente para pesquisas futuras.

Essa amplitude de aplicações ajuda a explicar por que o material continua relevante mesmo anos depois de sua apresentação inicial. O aerographite não ficou marcado apenas como o mais leve por um período, mas como um caso importante de engenharia de materiais baseada em arquitetura estrutural extrema.

Por que o aerographite continua importante mais de uma década depois

O aerographite foi apresentado ao público em 2012, mas continua sendo citado como referência porque não representou apenas um recorde isolado. Segundo a ScienceDaily e o artigo da Advanced Materials, o material reuniu em um único sistema qualidades que raramente aparecem juntas: densidade ultrabaixa, resistência mecânica, elasticidade, condutividade elétrica e estabilidade estrutural.

Isso o mantém importante porque mostra uma mudança de paradigma na ciência dos materiais. Em vez de buscar apenas substâncias naturalmente leves, os pesquisadores passaram a desenhar a própria arquitetura da matéria para criar propriedades novas. O aerographite é um dos exemplos mais claros dessa virada.

No fim, o material ficou famoso não apenas por ser extremamente leve, mas por provar que uma estrutura quase feita de vazio ainda pode ser funcional, resistente e tecnologicamente útil. É esse conjunto que sustenta sua relevância até hoje.

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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