Maior restauração de praias da história da Espanha foi concluída pela Van Oord ao sul de Valência, com 3,3 milhões de m³ de areia, dragagem, dutos flutuantes e submersos, recuperação de dunas e proteção de comunidades costeiras próximas ao Parque da Albufera.
Areia em volume suficiente para remodelar quilômetros de litoral foi bombeada para a costa sul de Valência, na Espanha, em uma operação de engenharia costeira iniciada oficialmente em 25 de abril de 2023 e concluída em 25 de dezembro do mesmo ano pela Van Oord, para restaurar praias que vinham sofrendo erosão gradual desde 1965.
Segundo informações da Van Oord, empresa especialista em dragagem, recuperação de terras e construção de ilhas artificiais, o detalhe mais visual da obra está no método usado: 3,3 milhões de m³ de areia foram aplicados com apoio da draga HAM 318, a maior draga de sucção e arrasto da Van Oord, enquanto o material dragado era levado até a praia por cerca de 1,8 km de tubulações flutuantes e submersas.
Maior restauração de praias da Espanha devolveu largura ao litoral de Valência

A intervenção foi apresentada como a maior restauração de praias da história da Espanha. O projeto recuperou 7 km de costa ao sul da cidade de Valência, devolvendo às praias uma largura que havia sido perdida ao longo de décadas de erosão.
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A obra foi contratada pelo governo espanhol e executada por uma joint venture formada pela Dravo S.A., subsidiária da Van Oord, e pela Rover Maritime.
Além da recomposição da faixa de areia, o projeto também incluiu a extensão de dois quebra-mares, estruturas usadas para reduzir a força das ondas e limitar o avanço da erosão sobre a costa.
Areia bombeada por dutos reconstruiu 7 km de praias em Valência, alargando a costa em até 150 metros contra a erosão.
Na prática, a operação não apenas devolveu areia à praia. Ela redesenhou parte da linha costeira para criar uma proteção física mais robusta contra o desgaste provocado pelo mar.
3,3 milhões de m³ de areia foram aplicados para alargar praias em até 150 metros
O número mais forte da obra está no volume movimentado. Ao todo, foram aplicados 3,3 milhões de m³ de areia ao longo do trecho restaurado.
Com essa quantidade, as praias ganharam uma faixa costeira de até 150 metros de largura em determinados pontos.
Esse alargamento muda a função da praia. Além de espaço turístico e paisagístico, a faixa de areia passa a atuar como uma barreira natural entre o mar e as áreas urbanas, agrícolas e ambientais mais baixas.
Quanto maior a faixa costeira, maior a capacidade de absorver parte da energia das ondas antes que elas cheguem às zonas vulneráveis.
Dutos flutuantes e submersos levaram o material dragado por 1,8 km até a praia

A parte mais curiosa do projeto foi a logística usada para transportar a areia até o litoral.
A Van Oord mobilizou a HAM 318, sua maior draga de sucção e arrasto. Esse tipo de embarcação retira sedimentos do fundo marítimo e os transporta até a área de aplicação.
Depois, o material foi bombeado para a praia por uma distância de aproximadamente 1,8 km, usando uma combinação de tubulações flutuantes e submersas.
Essa cena resume a escala da obra: uma draga no mar, dutos atravessando a água e milhões de metros cúbicos de areia sendo direcionados para reconstruir uma linha costeira inteira.
Dunas foram reforçadas com 75,5 km de coletores de areia e 44 mil plantas

A restauração não ficou limitada à praia. Outra etapa importante foi a recuperação das dunas, essenciais para a proteção natural do litoral.
Para isso, foram instalados 75,5 km de coletores de areia feitos com um tipo local de capim. Essas estruturas foram posicionadas em formato de quadrados para capturar a areia transportada pelo vento.
Dentro dessas áreas, foram plantadas 44 mil mudas para ajudar a fixar o solo e fortalecer a formação das novas dunas.
O objetivo foi criar um sistema em que engenharia e natureza trabalhassem juntas: a areia recompõe a praia, os coletores ajudam a reter o material e a vegetação estabiliza o ambiente ao longo do tempo.
Praias mais largas protegem comunidades, áreas agrícolas e o Parque da Albufera
A faixa costeira ampliada tem impacto direto na proteção de comunidades situadas em áreas baixas, além de zonas agrícolas próximas ao litoral.
O projeto também contribui para a defesa do Parque da Albufera, área natural localizada entre a água doce e o mar Mediterrâneo.
Essa proteção é importante porque a erosão costeira pode comprometer não apenas a praia, mas também ecossistemas frágeis, atividades econômicas locais e a segurança de comunidades próximas.
Ao reforçar praias e dunas, a obra cria uma camada de defesa contra o avanço do mar e ajuda a aumentar a resiliência ecológica da região.
Obra mostra como a engenharia costeira tenta responder à erosão no Mediterrâneo

O projeto de Valência se encaixa em um desafio maior enfrentado por várias regiões costeiras: a perda gradual de praias por erosão.
Em áreas onde a faixa de areia diminui, o litoral fica mais exposto a tempestades, ressacas e avanço do mar. Por isso, obras de restauração passaram a ganhar espaço como alternativas para proteger cidades, infraestrutura e ecossistemas.
A intervenção na Espanha também mostra uma tendência de projetos que combinam dragagem, recomposição artificial de praias, recuperação de dunas e reforço ambiental.
O financiamento veio por meio da Comissão Europeia, dentro do fundo NextGenerationEU, criado em 2021 para apoiar recuperação, transformação e resiliência nos países da União Europeia.
Valência transforma areia em infraestrutura natural contra o avanço do mar
A restauração das praias ao sul de Valência mostra como a areia pode funcionar como infraestrutura costeira.
Em vez de depender apenas de muros, concreto ou barreiras rígidas, o projeto usou sedimentos, dunas, vegetação e quebra-mares para criar uma defesa mais integrada ao ambiente natural.
A obra foi concluída dentro do prazo de execução acordado e dentro do orçamento, segundo a Van Oord.
O resultado vai além de uma praia mais larga. O projeto recupera parte do litoral perdido desde 1965, reforça a proteção contra a erosão e mostra como grandes obras costeiras podem unir engenharia pesada e restauração ecológica para preparar regiões vulneráveis para os próximos anos.
Diante do avanço da erosão em várias regiões costeiras do mundo, você acredita que obras como essa, que usam areia, dunas e vegetação como defesa natural, podem ser uma solução mais inteligente do que barreiras de concreto? Comente sua opinião.


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