Reconhecido internacionalmente e ainda em atividade, Lindomar Cardoso Tournier transformou a comemoração do aniversário de Tubarão em marco cultural ao apresentar nova obra aos 104 anos, preservando uma trajetória literária iniciada depois da aposentadoria e mantida com adaptações na rotina.
Reconhecido pelo Guinness World Records como o autor mais longevo em atividade no mundo, Lindomar Cardoso Tournier, de 104 anos, lançou em Tubarão, no Sul de Santa Catarina, o livro “Herotídes – Orgulho e Redenção”.
A apresentação da obra ocorreu nesta quarta-feira (27), durante a programação dos 156 anos de emancipação política do município, onde o escritor vive desde 1955 e construiu parte importante de sua trajetória pessoal e cultural.
No Café Cultura, no Farol Shopping, familiares, leitores, representantes da cultura local e integrantes da comunidade tubaronense acompanharam o lançamento, que uniu a celebração do aniversário da cidade a mais um capítulo da produção literária do autor.
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Novo livro de Lindomar Tournier em Tubarão
Com “Herotídes – Orgulho e Redenção”, Lindomar amplia uma produção que segue ativa mesmo após ele ultrapassar um século de vida, em uma trajetória marcada pela persistência na escrita e pela ligação com a memória cultural catarinense.
Incluída na agenda oficial do município, a publicação reforçou a presença do escritor entre os nomes associados à cultura de Tubarão, cidade que passou a abrigar sua história desde a metade da década de 1950.
Apesar das limitações físicas impostas pela idade, a rotina criativa continua preservada por meio de adaptações, já que a escrita manual se tornou mais difícil e deu lugar ao registro de ideias em áudio.
Esse método permite que pensamentos, lembranças e projetos sejam gravados antes de serem organizados em texto, mantendo em andamento o processo de criação que acompanha Lindomar há décadas.
Nos dias que antecederam o lançamento, o escritor recebeu uma moção de aplausos da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, proposta pelo deputado estadual Junior Cardoso, do PL, e entregue na residência do autor, em Tubarão.

Por causa das dificuldades de locomoção, a homenagem ocorreu na casa de Lindomar, onde o parlamentar destacou a contribuição do escritor para a cultura catarinense e para a preservação da memória regional.
“Aos 104 anos, Lindomar Tournier segue produzindo, escrevendo e contribuindo com a preservação da memória cultural do nosso estado”, afirmou Junior Cardoso.
Também ao falar sobre sua relação com os livros, Lindomar associou a escrita às experiências acumuladas ao longo da vida e ao desejo de transformar memórias em narrativas literárias.
“A escrita sempre fez parte da minha caminhada. Cada livro carrega experiências, histórias e lembranças que fui acumulando durante todos esses anos”, declarou o autor.
Da farmácia à literatura catarinense
Natural de Lauro Müller, no Sul de Santa Catarina, Lindomar Cardoso Tournier mudou-se para Tubarão em 1955 e passou a construir na cidade uma trajetória ligada ao comércio, ao convívio comunitário e, mais tarde, à literatura.
Antes de publicar livros, trabalhou por décadas no comércio varejista e em farmácias, ambientes que o colocaram em contato direto com moradores, histórias cotidianas e personagens que ajudaram a formar seu repertório narrativo.
Com o passar dos anos, as conversas de balcão, as relações construídas no atendimento ao público e as experiências vividas na cidade passaram a servir de inspiração para enredos e figuras presentes em suas obras.
A entrada mais intensa na literatura ocorreu depois da aposentadoria, quando Lindomar, motivado pelo interesse por leitura, pintura e escrita, passou a estudar informática, frequentar cursos e organizar os próprios manuscritos.
Em 1997, esse movimento resultou no lançamento de “Albertina”, primeiro livro de uma produção que se ampliou nas décadas seguintes e consolidou o escritor como uma presença constante na cena cultural tubaronense.
Desde então, Lindomar publicou mais de 20 obras e manteve uma rotina de criação que atravessou diferentes fases da vida, inclusive depois de completar 100 anos e enfrentar novas limitações físicas.
Entre os títulos mais recentes estão “A Carta”, lançado quando o escritor já havia chegado ao centenário, e “Consanguíneos”, apresentado no Centro Municipal de Cultura Willy Zumblick, em Tubarão.
A ligação com a literatura local também aparece na Academia Tubaronense de Letras, entidade da qual Lindomar é integrante e apontado como um dos membros fundadores, ocupando a cadeira número 14.

Guinness reconhece autor mais longevo em atividade
O reconhecimento pelo Guinness World Records levou a trajetória de Lindomar a uma dimensão internacional, ao associar seu nome ao título de autor mais longevo em atividade no mundo.
A marca ganhou repercussão porque o escritor não apenas alcançou idade avançada com livros publicados, mas também continuou desenvolvendo projetos literários depois dos 100 anos, mantendo vínculo direto com novas obras.
Em Tubarão, a conquista passou a ser tratada como um marco cultural, especialmente por envolver um autor que construiu carreira fora dos grandes centros editoriais e permaneceu ligado à produção regional.
A cidade, já marcada pela valorização de nomes das artes, como Willy Zumblick, passou a associar Lindomar a uma memória viva da literatura produzida no município e no Sul catarinense.
Ao ganhar visibilidade internacional, a obra do escritor também ampliou o alcance de uma trajetória iniciada de forma tardia, depois da aposentadoria, mas sustentada por disciplina, observação cotidiana e dedicação à escrita.
Ainda assim, a rotina atual de Lindomar permanece concentrada em Tubarão, sem agendas extensas ou deslocamentos frequentes, com apoio familiar, cuidados diários e recursos adaptados para manter a produção literária.
Escrita aos 104 anos e rotina adaptada
Na rotina do escritor, a cuidadora Juliana acompanha de perto as adaptações que permitem a continuidade dos projetos literários e descreve a convivência com Lindomar como uma experiência marcada por admiração.
“Para mim é uma honra estar com o seu Lindomar. É um presente que Deus me deu”, disse.
De acordo com Juliana, o autor conserva interesse por novos projetos mesmo em uma fase de vida marcada por restrições de mobilidade, o que reforça a presença da escrita em seu cotidiano.
“Ele está sempre pensando como vai ser daqui para frente. É um exemplo de vida”, afirmou Juliana.
Com as ideias registradas em áudio, a produção literária tornou-se uma atividade compartilhada com quem acompanha Lindomar no dia a dia, ajudando a preservar pensamentos, lembranças e cenas que podem chegar a novas páginas.
Esse processo mostra como o autor adaptou a criação às condições atuais, sem abandonar o hábito de narrar, recuperar memórias e transformar experiências pessoais em histórias ligadas ao ambiente catarinense.
A longevidade intelectual do escritor também chama atenção pelo vínculo entre memória e produção cultural, já que suas obras reúnem registros de costumes, relações sociais e transformações vividas em Santa Catarina ao longo de décadas.
Com o lançamento de “Herotídes – Orgulho e Redenção”, Lindomar reafirmou sua presença na cena cultural de Tubarão e manteve ativa uma trajetória oficialmente iniciada nos livros em 1997, depois da aposentadoria.
A nova obra passa a integrar uma produção construída com hábitos de leitura, observação e escrita cultivados durante toda a vida, em uma rotina que segue adaptada às condições físicas do autor.

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