Centenário de Blumenau completa 107 anos com memória lúcida, bom humor e uma trajetória que atravessou mais de um século de história em Santa Catarina.
Domingo José Tamasia, morador do bairro Vila Itoupava, em Blumenau, completou 107 anos na última terça-feira, 26 de maio, em uma data que a família optou por celebrar com uma festa maior no domingo seguinte, reunindo ao seu redor uma das genealogias mais extensas da região de Santa Catarina.
A celebração está marcada para a comunidade Nossa Senhora das Dores, no bairro Treze de Maio Alto, em Massaranduba, e contará com a presença de seus 12 filhos, 31 netos, 54 bisnetos e 11 trinetos — uma família que cresceu ao longo de décadas e que hoje representa um dos maiores patrimônios afetivos desse centenário que o tempo parece não conseguir vencer.
Conhecido carinhosamente como “Seu Zé”, Domingo é natural de Lageado Baixo, então bairro de Brusque que hoje integra o município de Botuverá, mas faz de Blumenau seu lar há mais de quatro décadas, tendo construído ali a maior parte de sua história adulta e criado os laços comunitários que ainda mantém com notável vitalidade.
-
Índia escava lago artificial de 28 km no Deserto de Thar, forra o fundo com uma manta plástica gigante para impedir que 1,41 milhão de toneladas de água desapareçam na areia e tenta abastecer 5 milhões de pessoas durante todo o ano
-
Menina de 12 anos desenvolve recepcionista virtual com inteligência artificial para pequenas empresas e mostra como a combinação entre criatividade, programação e automação pode impulsionar produtividade, reduzir tarefas repetitivas e ampliar o acesso à transformação digital
-
Pedra de quase 500 toneladas parece desafiar a gravidade há mais de 11 mil anos na Finlândia e permanece equilibrada sobre uma base minúscula sem desabar nem se mover
-
Com 76 anos, aposentado revela labirinto subterrâneo que cavou à mão por 30 anos sob o próprio jardim, desce 6 metros em dunas de areia, ergue paredes de concreto de 1,5 metro com cálculos da esposa matemática e transforma ideia “maluca” em caverna escondida com ponte e cachoeira
O que impressiona quem convive com Seu Zé não é apenas a longevidade em si, mas a qualidade dessa longevidade: o centenário preserva até hoje a autonomia no dia a dia, surpreende os que o cercam com o bom humor constante e ainda consegue recordar com clareza passagens de uma trajetória que começou há mais de um século, antes da Segunda Guerra Mundial e de toda a transformação que o Brasil viveria nas décadas seguintes.
Viúvo por três vezes ao longo de uma vida tão longa, Domingo carrega a marca de quem viu o mundo mudar em ritmos e intensidades que poucos seres humanos chegaram a testemunhar, desde o interior ainda rural de Santa Catarina até o Brasil urbanizado e conectado de hoje, sem perder a serenidade e o humor que a família atribui como parte central de seu segredo.
Hábitos simples como chave para uma vida longa

Para a família, a longevidade de Domingo não tem mistério elaborado — ela se apoia em hábitos construídos ao longo de toda uma vida e mantidos com consistência rara, desde a alimentação caseira até a prática constante de atividades físicas leves no cotidiano, combinadas com uma rotina de exames médicos de acompanhamento que a família levou a sério desde cedo.
A vida tranquila no interior, longe do estresse das grandes metrópoles e dos ritmos acelerados que caracterizam a vida urbana contemporânea, também é apontada pelos familiares como um fator relevante na equação que explica como Seu Zé chegou aos 107 anos sem perder a lucidez e sem depender de cuidados intensivos.
Esse conjunto de fatores — alimentação simples e caseira, atividade física moderada e constante, rotina médica regular e ausência de grandes estressores — coincide com o que a ciência gerontológica tem apontado como pilares da longevidade saudável em estudos realizados em diversas populações ao redor do mundo, incluindo as chamadas “zonas azuis”, regiões onde a concentração de centenários é significativamente maior que a média global.
As zonas azuis mais conhecidas — como a ilha de Sardenha, na Itália, e Okinawa, no Japão — compartilham exatamente esse perfil: dieta baseada em alimentos naturais e regionais, vínculos familiares e comunitários sólidos, propósito de vida claro e atividade física integrada ao cotidiano, sem a necessidade de academias ou programas estruturados.
Uma vida que atravessou mais de um século de história
Nascido em uma época em que o Brasil ainda era predominantemente rural e a região sul do país passava por intensas transformações ligadas à colonização europeia, Domingo José Tamasia viveu o suficiente para acompanhar mudanças que raramente uma única geração tem o privilégio de observar: a mecanização da agricultura, a industrialização de Santa Catarina, a chegada da televisão, da internet e dos smartphones.
Essa amplitude histórica vivida por um único ser humano é o que torna a história de Seu Zé especialmente chamativa, indo além dos números e da estatística para tocar algo mais profundo sobre a experiência humana e a capacidade de adaptação ao longo do tempo, qualidades que a família reconhece nele com admiração sincera.
A região de Blumenau tem uma tradição forte de longevidade entre sua população de descendência europeia, com hábitos alimentares e culturais que historicamente favoreceram uma vida mais regrada e comunitária, características que pesquisadores brasileiros já identificaram como fatores positivos nos indicadores de saúde e expectativa de vida da região sul do país em comparação com outras regiões brasileiras.
A celebração de domingo reunirá não apenas a família imediata de Seu Zé, mas também membros da comunidade de Massaranduba que acompanharam parte de sua trajetória e que querem marcar presença em um aniversário que, a cada ano que passa, se torna mais especial e mais raro, celebrando não apenas uma vida longa, mas uma vida vivida com presença, humor e gratidão.
