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Escondidas na escuridão a 4.000 metros de profundidade, “batatas” de metal no fundo do Pacífico valem trilhões, disparam a maior corrida do ouro submarina da história e colocam em risco ecossistemas que a humanidade mal começou a entender

Escrito por Ana Alice
Publicado em 01/03/2026 às 04:04
Atualizado em 01/03/2026 às 04:05
Assista o vídeoDisputa por nódulos polimetálicos no Pacífico expõe corrida por metais críticos para baterias e alerta para riscos ambientais no fundo do mar.
Disputa por nódulos polimetálicos no Pacífico expõe corrida por metais críticos para baterias e alerta para riscos ambientais no fundo do mar.
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Nódulos polimetálicos, chamados de “batatas” do fundo do mar, concentram metais como níquel, cobre e cobalto e impulsionam uma disputa global no Pacífico, enquanto cientistas e governos discutem regras e impactos ambientais em áreas pouco conhecidas.

A mais de 4.000 metros de profundidade no Oceano Pacífico, concreções do tamanho aproximado de batatas entraram no radar de governos, empresas e pesquisadores por concentrarem metais considerados críticos para a indústria.

Conhecidos como nódulos polimetálicos, esses aglomerados escuros se espalham pelo leito marinho em regiões como a Zona Clarion-Clipperton, entre o Havaí e o México, e hoje estão no centro de uma disputa por acesso a recursos.

Ao mesmo tempo, cientistas e organizações ambientais afirmam que a extração em águas profundas pode causar impactos em ecossistemas pouco conhecidos.

Chamados também de nódulos de manganês, eles se formam ao longo de escalas geológicas, crescendo milímetro a milímetro por milhões de anos.

O processo ocorre quando camadas minerais se acumulam em torno de um núcleo, a partir de elementos presentes na água do mar e nos sedimentos, até virar uma concreção arredondada.

Daí a comparação com “batatas”, usada com frequência para descrever o aspecto dessas rochas no fundo do oceano.

O interesse econômico está ligado ao fato de que esses nódulos reúnem, no mesmo depósito, manganês, níquel, cobre e cobalto.

Esses materiais aparecem com frequência em cadeias industriais associadas à eletrificação e à transição energética, como a fabricação de baterias para veículos e eletrônicos, além de usos tradicionais, como ligas metálicas e aço.

Nos últimos anos, a demanda por minerais classificados como críticos passou a integrar políticas industriais e discussões geopolíticas, com países e empresas buscando diversificar fornecedores e reduzir riscos de abastecimento.

Apesar disso, o potencial econômico costuma ser apresentado em estimativas amplas, que variam conforme a metodologia.

Valores na casa de “trilhões” circulam em diferentes materiais, mas dependem de fatores como preços internacionais, custos de operação em alto-mar, tecnologia de coleta e processamento e regras ambientais.

Como esses parâmetros mudam e nem sempre são calculados da mesma forma, não há um número único que sirva como referência padronizada.

Zona Clarion-Clipperton no Pacífico e concentração de nódulos

A área mais citada em estudos e no debate público é a Zona Clarion-Clipperton, no Pacífico nordeste.

Trata-se de uma faixa extensa do oceano, localizada entre o Havaí e a costa do México, com trechos que passam de 4.000 metros de profundidade e alta ocorrência de nódulos no leito marinho.

Por estar distante de centros urbanos e fora das rotas mais comuns de navegação, a região permaneceu pouco visível ao público por décadas, embora seja acompanhada por expedições científicas e iniciativas de prospecção.

Outro elemento que pesa na disputa é o recorte jurídico.

Em áreas além das jurisdições nacionais, a mineração do fundo do mar é tratada dentro do regime internacional previsto na Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.

Nesse contexto, a Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos conduz discussões sobre normas e salvaguardas para a exploração, além de supervisionar contratos e obrigações ambientais no que o tratado chama de “Área”, isto é, o fundo marinho internacional.

Como as regras para uma eventual exploração comercial seguem em negociação, a atividade permanece cercada de disputas técnicas e políticas.

Países e empresas interessados em avançar defendem segurança regulatória e previsibilidade para investimentos, enquanto pesquisadores e organizações ambientais cobram parâmetros mais rigorosos e dados de referência mais robustos sobre biodiversidade e impactos cumulativos.

Mineração em águas profundas e tecnologia de coleta de nódulos

Os projetos mais citados para coletar nódulos descrevem o uso de veículos subaquáticos operados remotamente.

Em vez de perfurar rochas, a proposta é recolher material depositado sobre o sedimento do fundo do mar, com sistemas mecânicos e de sucção.

Em seguida, os nódulos seriam transportados por um tubo até um navio na superfície, onde ocorreria a separação inicial e o armazenamento.

Operar nesse ambiente envolve desafios técnicos associados à pressão extrema, à baixa temperatura e à escuridão permanente.

Por isso, especialistas destacam que a atividade depende de sistemas capazes de trabalhar por longos períodos com estabilidade, além de monitoramento contínuo.

Parte da discussão se concentra em como garantir, na prática, fiscalização e rastreabilidade em uma operação remota e de alto custo logístico.

A divulgação científica também contribuiu para popularizar o tema.

No texto original, uma das referências é o canal Ciência Todo Dia, que apresenta explicações sobre nódulos polimetálicos e menciona fissuras hidrotermais, ambientes que também concentram minerais e abrigam comunidades biológicas específicas.

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Impactos ambientais da mineração submarina e plumas de sedimentos

A controvérsia ambiental gira, principalmente, em torno do efeito físico das máquinas no leito marinho.

Pesquisadores e entidades de conservação afirmam que a coleta pode suspender sedimentos e gerar plumas que se espalham com as correntes, com potencial de afetar organismos no fundo e também na coluna d’água.

Além disso, estudos citados no debate público mencionam riscos associados a ruído, vibração e luz artificial em um ambiente no qual muitas espécies se adaptaram a condições estáveis.

Outra preocupação recorrente envolve o tempo de recuperação.

Como os nódulos levam milhões de anos para se formar, a retirada do material significa, na prática, remover um substrato que pode servir de microhabitat para parte da fauna.

Em expedições científicas, pesquisadores têm relatado que a biodiversidade em certas áreas de águas profundas pode ser maior do que se supunha, o que reforça a avaliação de que ainda faltam séries históricas e levantamentos suficientes para medir efeitos em longo prazo.

Representantes do setor, por sua vez, argumentam que a mineração em alto-mar pode reduzir pressões associadas à extração em terra, como supressão de vegetação, grandes movimentações de solo e geração de rejeitos.

Especialistas que questionam essa comparação respondem que, no oceano profundo, os impactos são mais difíceis de observar e de reverter, além de haver lacunas importantes de conhecimento sobre o funcionamento desses ecossistemas.

Por isso, a discussão costuma se dividir entre quem defende avançar com regras e monitoramento e quem pede uma pausa até que existam evidências mais completas.

Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos e debate sobre moratória

Nos fóruns internacionais, segue a negociação de um marco regulatório para a atividade.

Parte dos países e organizações defende uma moratória ou uma pausa precaucionária, sob o argumento de que as consequências ambientais ainda não foram suficientemente dimensionadas.

Do outro lado, governos e empresas interessados em exploração sustentam que a definição de regras claras é essencial para qualquer decisão, seja para permitir ou restringir operações.

No centro do debate estão critérios de avaliação de impacto, planos de monitoramento, exigências de transparência e mecanismos de responsabilização em caso de dano ambiental.

Também aparece com frequência a discussão sobre como distribuir benefícios e como aplicar, na prática, as obrigações previstas no regime internacional do fundo marinho em áreas além da soberania de qualquer país.

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Cordeiro
Cordeiro
01/03/2026 10:43

Ai.comecamos a entender porque o Trump quis mudar o golfo do México para golfo americano. Sempre segundas terceiras e quartas intensoes

Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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