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Escócia surpreende Reino Unido ao liberar cremação por água e oficializa hidrólise alcalina como alternativa ecológica que pode transformar os ritos funerários tradicionais

Escrito por Caio Aviz
Publicado em 03/03/2026 às 13:55
Equipamento de hidrólise alcalina em instalação industrial na Escócia, utilizado para cremação por água como alternativa sustentável à cremação tradicional.
Sistema de hidrólise alcalina instalado em ambiente técnico industrial, tecnologia autorizada na Escócia como alternativa ecológica aos ritos funerários tradicionais.
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A autorização oficial marca a primeira grande atualização na legislação funerária escocesa desde 1902 e insere a sustentabilidade no centro do debate sobre despedidas

Uma mudança histórica no campo dos ritos funerários foi confirmada pelo governo da Escócia, posicionando o país como o primeiro do Reino Unido a regulamentar a cremação por água, tecnicamente conhecida como hidrólise alcalina.
Com isso, a legislação funerária escocesa passa por sua atualização mais significativa desde 1902, ano em que a cremação tradicional foi autorizada.
Segundo a ministra da Saúde Pública, Jenni Minto, decisões sobre o destino do corpo são profundamente pessoais e refletem valores familiares, razão pela qual a nova norma amplia o leque de escolhas disponíveis.

Regulamentação inédita e marco histórico na legislação funerária

A nova regulamentação estabelece oficialmente a hidrólise como alternativa legal ao sepultamento e à cremação convencional.
Além disso, a medida representa a primeira grande revisão estrutural nas normas funerárias escocesas em mais de um século.
Conforme destacou Jenni Minto, há apoio público para ampliar opções e, por isso, a mudança foi considerada necessária dentro de um contexto contemporâneo.
Assim, a Escócia inaugura uma fase que conecta tradição, inovação e debate ambiental de forma institucionalizada.

Como funciona a hidrólise alcalina

O procedimento reproduz de forma acelerada o processo natural de decomposição que ocorreria após o sepultamento.
O corpo é colocado em um cilindro metálico pressurizado e, posteriormente, é aquecido a cerca de 150 °C.
Em seguida, ocorre a imersão em água combinada com solução alcalina, geralmente com concentração de 5%.
Ao longo de três a quatro horas, os tecidos se dissolvem, restando apenas os ossos.
Depois disso, os ossos são secos e transformados em pó, podendo ser guardados em urna ou destinados da mesma forma que as cinzas da cremação tradicional.

Infraestrutura e início das operações

A empresa Kindly Earth, responsável pelos equipamentos no Reino Unido, informou que a primeira unidade escocesa poderá levar cerca de nove meses para começar a operar.
Entretanto, antes disso, serão necessárias autorizações de construção e aprovações de órgãos reguladores da água.
Portanto, embora a regulamentação já esteja estabelecida, a implementação prática ainda depende de trâmites administrativos.

Sustentabilidade como eixo central do debate

Defensores da hidrólise argumentam que o método não gera emissões tóxicas na atmosfera e, além disso, pode reduzir o uso de caixões descartáveis.
Ao mesmo tempo, diretores de funerárias locais observam aumento do interesse por funerais sustentáveis, refletindo preocupação crescente com impacto ambiental.
Atualmente, cerca de 80% dos funerais no Reino Unido envolvem cremação tradicional, o que demonstra o potencial de transformação caso a nova alternativa ganhe adesão gradual.

Contexto internacional e precedentes

A hidrólise já é permitida em dezenas de estados norte-americanos, bem como em países como Canadá, Irlanda, África do Sul, Austrália e Nova Zelândia.
Em 2022, o arcebispo Desmond Tutu optou pelo método, o que contribuiu para ampliar a visibilidade internacional da técnica.
Especialistas observam que práticas funerárias inovadoras costumam gerar resistência inicial, assim como ocorreu com a cremação no início do século XX.
Ainda assim, a regulamentação escocesa insere oficialmente a sustentabilidade no debate contemporâneo sobre ritos de despedida.

Hidrólise amplia escolhas e redefine rituais no Reino Unido

Com a formalização da norma, a Escócia consolida uma nova possibilidade dentro do sistema funerário britânico.
A medida amplia alternativas disponíveis às famílias e fortalece a discussão sobre impacto ambiental mesmo após a morte.
Diante desse novo cenário, a incorporação de soluções sustentáveis nos ritos de despedida tende a ganhar espaço progressivamente no debate público.

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Caio Aviz

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