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Enquanto todos falam dos hipopótamos de Escobar, outro invasor cresceu em silêncio: o cervo chital asiático já forma rebanhos em Doradal, salta 3 metros e preocupa ambientalistas colombianos desde 2024

Escrito por Carla Teles
Publicado em 31/01/2026 às 08:58
Atualizado em 31/01/2026 às 09:03
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Invasor cresceu em silêncio: cervo chital asiático e hipopótamos de Pablo Escobar, espécie invasora na Colômbia vista em Doradal Antioquia.
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Enquanto os hipopótamos de Pablo Escobar viram manchete, um invasor cresceu em silêncio: o cervo chital asiático já forma rebanhos em Doradal, salta até 3 metros e acende o alerta de ambientalistas colombianos desde 2024

Por décadas, quando se falava em animais de Pablo Escobar, todas as atenções se voltavam para os hipopótamos que escaparam da antiga Hacienda Nápoles e se multiplicaram sem controle. Eles viraram símbolo global de espécie invasora, geraram operações milionárias de manejo e dominaram o debate ambiental. Enquanto isso, um invasor cresceu em silêncio nas florestas e pastagens de Doradal, em Antioquia: o cervo chital, um herbívoro asiático de porte médio, chifres imponentes e pintas brancas no lombo, quase tão fotogênico quanto perigoso para os ecossistemas locais.

Foi só em meados de 2024 que vaqueiros, moradores e técnicos ambientais começaram a perceber que esse invasor cresceu em silêncio ao lado dos hipopótamos. Rebanhos de cerca de 30 animais passaram a ser vistos com mais frequência, entrando e saindo de pastagens de gado, atravessando fragmentos de floresta de teca e se comportando como se sempre tivessem feito parte da paisagem. Bonitos, discretos, lembrando o “Bambi” dos filmes, mas com potencial de causar danos profundos à biodiversidade colombiana.

Do zoológico privado de Escobar aos rebanhos de Doradal

Tudo começou há cerca de 40 anos, quando Pablo Escobar montou uma coleção particular de animais exóticos na Hacienda Nápoles.

Entre hipopótamos, outras espécies africanas e bichos de várias partes do mundo, vieram também cervos asiáticos do tipo chital, originários da Ásia e já conhecidos em outros países como espécie problemática em ambientes onde foram introduzidos.

Segundo registros e relatos locais, alguns desses cervos escaparam e encontraram em Doradal um cenário perfeito para se adaptar.

Pastagens abertas, áreas de floresta fragmentada, pouca caça regulada e clima favorável criaram as condições ideais para que esse invasor cresceu em silêncio, longe do foco que sempre recaiu sobre os hipopótamos.

David Echeverri, chefe do escritório de gestão de biodiversidade de Cornare, a autoridade ambiental de Antioquia, trabalha há anos no controle dos hipopótamos.

Entre esterilizações e remoções para zoológicos colombianos, ele também começou a receber relatos de “veados diferentes” nas fazendas.

Quando conseguiu observar os animais com calma, não restou dúvida: eram cervos chital, a mesma espécie que Escobar importou da Ásia.

O olhar do vaqueiro que viu o invasor crescer em silêncio

Invasor cresceu em silêncio: cervo chital asiático e hipopótamos de Pablo Escobar, espécie invasora na Colômbia vista em Doradal Antioquia.

Se os relatórios técnicos ajudam a explicar o problema, é o cotidiano de gente como Willington Herrera que mostra como esse invasor cresceu em silêncio.

Aos 21 anos, ele trabalha em um rancho de Doradal, acorda às 5 da manhã, organiza o curral, ordenha uma vaca e depois segue para o pasto, girando o gado entre diferentes áreas para não desgastar demais a grama.

Foi nessas idas e vindas que Willington começou a notar cervos que ele nunca tinha visto antes. Segundo ele, um rebanho com aproximadamente 30 indivíduos passou a cruzar com frequência as áreas de pastagem, sempre atentos, orelhas levantadas, reagindo ao menor som. Quando se assustam, correm em disparada e mostram uma habilidade impressionante:

De acordo com o vaqueiro, esses cervos são capazes de saltar entre 2 e 3 metros em um único salto, superando cercas e obstáculos com facilidade.

Ao mesmo tempo, passam uma imagem dócil, lembrando o cervo dos filmes da Disney, o que reforça a simpatia dos moradores. Para muitos, eles “são como vacas que só comem grama e não fazem mal a ninguém”.

Uma espécie asiática adaptada para colonizar novos territórios

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Na Colômbia existem cinco espécies nativas de veados, mas, na região do Médio Magdalena, as populações locais desapareceram há muito tempo, pressionadas pela caça e pelo desmatamento para a pecuária entre 200 e 300 anos atrás. O vazio ecológico abriu espaço para um novo ocupante: o cervo chital, também chamado axis.

O chital é um cervo de origem asiática, já introduzido em várias partes do mundo para caça esportiva, o que acabou gerando problemas recorrentes de invasão biológica.

Na Colômbia, ele encontrou uma combinação perigosa: paisagem modificada, presença de gado, fragmentos de mata e baixa percepção de risco por parte da população.

Esse invasor cresceu em silêncio porque não é carismático como os hipopótamos, não aparece em grandes bandos à beira de lagos, não ataca pessoas e não chama tanto a atenção da mídia, explica Echeverri.

Seu comportamento é mais sensível, furtivo, “antipático” aos olhos de quem tenta se aproximar, o que torna mais difícil registrá-lo e monitorar sua expansão.

Doradal, a “pequena África” colombiana com toques da Grécia e veados da Índia

Doradal já ficou conhecida como uma espécie de “pequena África colombiana”. Onças-pintadas compartilham o território com hipopótamos africanos, cervos asiáticos, gado e paisagens desenhadas para o turismo, como um bairro inteiro inspirado no arquipélago grego de Santorini.

Ruas que parecem europeias, beira de rio Magdalena e, ao fundo, um mosaico de espécies nativas e invasoras disputando espaço.

Nos arredores, os cervos chital dividem a paisagem com onças, antas, capivaras e outras espécies da fauna local, mesmo que ainda não existam estudos detalhados sobre os impactos dessa convivência.

Em hotéis da região, hóspedes relatam avistamentos frequentes de cervos em fontes de água e áreas abertas, especialmente ao amanhecer e ao entardecer.

Enquanto isso, moradores seguem vendo os animais de forma majoritariamente positiva. São considerados bonitos, fotogênicos, “diferentões”.

Essa percepção amigável ajuda a explicar por que o invasor cresceu em silêncio, sem que ninguém pressionasse por medidas de controle, ao contrário do que ocorre com os hipopótamos.

Por que invasores “bonitos e inofensivos” também preocupam cientistas

Invasor cresceu em silêncio: cervo chital asiático e hipopótamos de Pablo Escobar, espécie invasora na Colômbia vista em Doradal Antioquia.

À primeira vista, o cervo parece não representar perigo direto para as pessoas, ao contrário dos hipopótamos, que podem ser extremamente agressivos e são apontados na África como uma das principais causas de morte por animais selvagens.

No entanto, isso não significa que o problema seja pequeno. Espécies invasoras podem alterar profundamente a dinâmica de ecossistemas que não evoluíram com elas, mesmo quando são herbívoras e “aparentemente inofensivas”. No caso do cervo chital, há riscos concretos:

  • Competição por alimento com herbívoros nativos, como antas e capivaras, que podem ser deslocados de áreas importantes
  • Impacto na regeneração da vegetação, já que o pastoreio constante pode impedir a recuperação adequada das pastagens e de áreas de floresta em regeneração
  • Desequilíbrio na cadeia alimentar, favorecendo alguns predadores em detrimento de outros e alterando comportamentos

A própria ONU considera as espécies invasoras a segunda principal causa de perda de biodiversidade no mundo, gerando custos estimados em mais de 423 bilhões de dólares por ano.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente da Colômbia, o país já registra 1.907 espécies exóticas entre animais e plantas, várias delas com potencial invasor.

Nesse cenário, não surpreende que mais um invasor cresceu em silêncio até virar tema de preocupação nacional.

O que a ciência sabe, o que ainda não sabe e o que precisa ser feito

Se há algo que torna o caso ainda mais delicado é que o cervo chital praticamente não foi estudado na Colômbia até agora. Não há publicações detalhadas sobre sua ecologia no país, apenas relatos de presença e observações iniciais.

Cornare começou a montar um esforço de “ciência participativa”, pedindo que moradores informem onde veem os animais, com que frequência e em que contextos.

Câmeras de armadilha já foram instaladas em alguns pontos, e equipes técnicas tentam mapear áreas de uso, horários de atividade e tamanho dos rebanhos.

Mesmo assim, ainda se sabe pouco sobre o impacto real desse invasor que cresceu em silêncio nas paisagens de Doradal.

Com a experiência acumulada no manejo dos hipopótamos, uma das possibilidades em discussão é o uso de métodos contraceptivos, aplicados à distância com dardos específicos.

A ideia seria esterilizar parte da população de cervos sem capturá-los diretamente, reduzindo o estresse que pode levar à chamada miopatia de captura, situação em que o animal entra em colapso fisiológico devido ao medo extremo.

O desafio, porém, é grande. Marcar cada animal esterilizado é difícil, há risco de aplicar o tratamento mais de uma vez no mesmo indivíduo e qualquer manejo à distância exige extremo cuidado com bem-estar animal.

Outra alternativa que costuma surgir nesses debates é a caça controlada, mas, na Colômbia, a caça esportiva é proibida desde 2020, e iniciativas semelhantes voltadas ao controle de capivaras na Orinoquia já enfrentaram forte resistência.

Quando o invasor cresceu em silêncio, mas o tempo para decidir está acabando

Em outros países, o cervo chital já mostrou o que pode acontecer quando um invasor cresceu em silêncio tempo demais.

No Havaí, a espécie foi associada à destruição de florestas nativas e aumento da erosão. No Texas, onde foi introduzida para caça, já há relatos de deslocamento do cervo-de-cauda-branca, espécie nativa.

Na Colômbia, o roteiro pode ser semelhante se nada for feito. Rebanhos crescem, recursos se esgotam em uma área, pequenos grupos se deslocam e colonizam novas regiões, expandindo gradualmente a distribuição da espécie.

No caminho, antas, capivaras e outros herbívoros podem ser empurrados para fora de áreas-chave, mudando relações ecológicas que levaram milhares de anos para se estabelecer.

A própria história recente dos hipopótamos mostra o custo da demora. Anos de inação produziram uma população em expansão, difícil de controlar, cercada de polêmicas éticas, políticas e legais.

Ambientalistas temem que o cervo chital repita a mesma curva, só que sem o espetáculo visual que pressiona governos a reagirem.

Diante de um cenário com quase duas mil espécies exóticas no país, a Colômbia prepara um plano nacional para controlar invasores até 2030.

O cervo chital, com sua aparência de “Bambi” e comportamento discreto, parece pequeno dentro desse universo, mas é justamente assim que o invasor cresceu em silêncio em Doradal e começou a redesenhar a paisagem sem que a maioria percebesse.

E você, acha que um cervo “bonito e inofensivo”, que chegou com Pablo Escobar e cujo invasor cresceu em silêncio por décadas, deve ser controlado com a mesma firmeza que os hipopótamos ou ainda tem dúvida sobre o que fazer com essa nova espécie invasora?

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Andrés
Andrés
06/02/2026 23:50

Mientras no los maltraten, ellos tampoco tienen la culpa de existir

Tomas Darío Gutierrez Hinojosa
Tomas Darío Gutierrez Hinojosa
04/02/2026 17:19

¡Por Dios! Esto que dicen sobre esta especie me parece una gran majederia. Primero: Los primeros Chitales que llegaron a Colombia, no fueron los de Pablo Escobar, hacia los años ochenta del siglo pasado el Jardín Zoológico de Barranquilla llegó a tener más de treinta. Segundo: Todas las introducciones no son malignas; de igual modo llegaron a América, las cabras, las ovejas, las vacas, los caballos etc. Recordemos que nuestro glorioso café también fue un introducido. ¿Que sería de Europa, Asia y África, si América no les hubiera regalado el maíz, el tomate, el cacao, el aguacate etc, etc. No permitamos que los chitales sean víctimas de la obsesión enfermiza de algunos “conservacionistas”. Gracias a estos intercambios, la humanidad ha logrado afrontar con éxito las crueles hambrunas del pasado. Ojalá estos ciervos chitales o gamos, lograrán llenar el espacio que quedo cuando asesinamos, en nuestro Caribe, por ejemplo, el último venado sabanero (Odocoileus virginianus) que lo extinguimos y de esto nadie ha dicho una sola palabra. Es cierto que hay especies invasoras malignas, pero creo que jamás pueda serlo un cérvido, animales que nos prveen de carne leche y pieles y que jamás han constituido una amenaza en ningún lugar de nuestro planeta, solamente cuando el ser humano se empeña insensatamente en multiplicarlos intensivamente por voraces propósitos comerciales.

Ricardo
Ricardo
03/02/2026 15:43

Texto excessivamente longo e repetitivo. Repete 100 que “cresceu em silêncio”. Chato!

Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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