Daniel Pedrosa da Epagri em Ituporanga desenvolve desde 2014 um híbrido de cebola resistente a doenças e adaptado ao Alto Vale do Itajaí, pesquisa que deve ir ao MAPA para registro em 2027, enquanto a crise levou seis municípios à emergência com produtores acumulando R$ 100 milhões em prejuízos.
A crise da cebola em Santa Catarina está destruindo a renda de produtores que enfrentam cenário em que o custo de produção supera o valor final do produto, e enquanto seis municípios decretam estado de emergência, um pesquisador trabalha há 12 anos numa solução que pode transformar o futuro da cultura no estado. Daniel Pedrosa, engenheiro-agrônomo da Estação Experimental da Epagri em Ituporanga (EEITU), desenvolve desde 2014 uma nova espécie híbrida de cebola projetada para ser mais resistente a doenças, ter boa capacidade produtiva e se adaptar às condições climáticas do Alto Vale do Itajaí, região que concentra a maior produção de cebola de Santa Catarina e do Brasil. A pesquisa é considerada inédita na estação experimental, que ao longo de 42 anos desenvolveu 10 cultivares de cebola mas nunca havia investido em modelo híbrido como o que Pedrosa conduz.
O contraste entre a crise atual e a promessa do híbrido é gritante. Ituporanga, considerada a capital nacional da cebola e cidade onde Pedrosa realiza suas pesquisas, está entre os municípios que decretaram emergência por causa da alta oferta produtiva combinada com baixa demanda que derrubou o preço do produto abaixo do custo de produção, gerando prejuízos estimados em R$ 100 milhões na região. Enquanto produtores abandonam lavouras porque colher custa mais do que o que a cebola vale no mercado, o híbrido em desenvolvimento na Epagri oferece possibilidade de cultivar variedade que resiste melhor a doenças e produz mais por hectare, combinação que pode reduzir custos e melhorar a competitividade num mercado que atualmente não remunera o produtor.
O que torna o híbrido de cebola diferente das cultivares tradicionais de SC

A diferença entre o híbrido que Pedrosa desenvolve e as cultivares que os produtores catarinenses plantam há décadas está na genética e no desempenho em campo. Modelos híbridos de cebola são utilizados nas principais regiões produtoras de alto rendimento do mundo, mas em Santa Catarina apenas 5% da área cultivada usa sementes híbridas, percentual que deixa o estado defasado em relação a concorrentes internacionais que alcançam produtividade significativamente maior por hectare. “O propósito da pesquisa é mudar esse cenário, elevando o nível tecnológico da cultura e a produtividade”, explica Pedrosa, indicando que o objetivo não é apenas criar variedade resistente mas transformar o padrão produtivo da cebola catarinense.
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O híbrido em desenvolvimento analisa características agronômicas que determinam a aceitação tanto no campo quanto no mercado. Formato, cor e tamanho dos bulbos são avaliados junto com produtividade e suscetibilidade a doenças, porque uma cebola que resiste a patógenos mas não atende às preferências do consumidor em aparência e sabor não resolve o problema comercial que os produtores enfrentam. A pesquisa de Pedrosa busca equilíbrio entre resistência genética e qualidade comercial, desafio que explica por que o desenvolvimento leva 12 anos e por que a estação experimental nunca havia tentado antes: criar híbrido que funcione em todas as frentes é processo que exige paciência que o mercado nem sempre permite.
Por que a crise da cebola em SC torna a pesquisa ainda mais urgente
A situação que os produtores enfrentam demonstra a fragilidade do modelo atual de cultivo de cebola no estado. A alta oferta produtiva combinada com demanda estagnada derrubou preços a patamares em que cada quilo vendido gera prejuízo para o agricultor, dinâmica que levou seis municípios catarinenses incluindo Ituporanga a decretarem estado de emergência e que ameaça a sobrevivência econômica de milhares de famílias que dependem exclusivamente da cebola. A crise não é novidade: o ciclo de superprodução seguida de queda de preço se repete periodicamente, mas a intensidade do episódio atual obriga produtores a questionarem se o modelo de cultivo baseado em variedades convencionais ainda é viável.
O híbrido de Pedrosa oferece resposta parcial a essa pergunta. Se a variedade desenvolvida na Epagri entregar a resistência a doenças que promete, os produtores de cebola gastarão menos com defensivos agrícolas, perderão menos safra por causa de patógenos e conseguirão colher mais por hectare plantado, redução de custos e aumento de produtividade que melhoram a margem de lucro mesmo quando o preço de venda está baixo. O híbrido não resolve o problema de mercado que é a desproporção entre oferta e demanda, mas fortalece o produtor para enfrentar ciclos de preço baixo sem que cada safra se transforme em risco de falência.
Quanto tempo falta para o híbrido de cebola chegar aos produtores
A pesquisa de Pedrosa está na fase final de avaliação antes do processo regulatório. O desenvolvimento que começou em 2014 deve dar início ao registro no MAPA (Ministério da Agricultura e Pecuária) em 2027, etapa burocrática que inclui apresentação de dados agronômicos, testes de campo e aprovação formal que precede a disponibilização comercial da semente híbrida de cebola para os produtores. O prazo de registro pode levar meses adicionais dependendo da análise do ministério, o que significa que a semente provavelmente não estará disponível para plantio em larga escala nos campos de Ituporanga antes de 2028.
Para os produtores de cebola que enfrentam a crise agora, a espera pode parecer longa demais. Mas a alternativa, continuar plantando cultivares convencionais que são mais vulneráveis a doenças e menos produtivas, perpetua o problema que o híbrido promete resolver, e pesquisas agrícolas dessa magnitude não podem ser aceleradas sem comprometer a qualidade genética que determina se a variedade funcionará em condições reais de campo. Os 12 anos que Pedrosa dedicou ao desenvolvimento representam investimento de tempo que gerará retorno por décadas quando o híbrido estiver nas lavouras produzindo cebola mais resistente e mais produtiva do que qualquer cultivar disponível atualmente.
O que o híbrido representa para o futuro da cebola em Santa Catarina
A pesquisa de Pedrosa tem potencial para reposicionar Santa Catarina no mapa produtivo da cebola. Se o estado conseguir elevar o uso de sementes híbridas dos atuais 5% para patamares comparáveis aos de regiões produtoras internacionais de alto rendimento, a produtividade por hectare aumentará significativamente e o custo por quilo colhido cairá, mudança que torna o produtor catarinense de cebola mais competitivo tanto no mercado interno quanto na exportação. A estação experimental de Ituporanga, que desenvolveu 10 cultivares ao longo de 42 anos, pode com esse único híbrido provocar transformação maior do que todas as variedades anteriores combinadas.
Para Ituporanga e os demais municípios que decretaram emergência por causa da crise da cebola, a pesquisa é esperança concreta de que o ciclo de prejuízos pode ser interrompido. A capital nacional da cebola precisa de inovação que a mantenha relevante num mercado cada vez mais competitivo, e o híbrido de Pedrosa é o tipo de solução que nasce onde o problema existe: no campo, desenvolvido por quem entende a realidade dos produtores e que trabalha a poucos quilômetros das lavouras que a crise está destruindo.
E você, sabia que apenas 5% das lavouras de cebola em SC usam sementes híbridas? Acha que o híbrido vai resolver a crise dos produtores? Deixe sua opinião nos comentários.

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